Gustavo Valiente - Europa Press
MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul, admitiu o "dilema moral" que a Alemanha enfrenta com tudo o que tem a ver com Israel por causa de seu passado histórico, mas descartou por enquanto o embargo à venda de armas que a Espanha está propondo, ao mesmo tempo em que optou por um cessar-fogo imediato e a entrada de ajuda em Gaza.
"A situação é obviamente um grande dilema político e moral para nós", admitiu ele na coletiva de imprensa após sua reunião em Madri com seu colega espanhol, José Manuel Albares, na qual lembrou que para a Alemanha a questão de Israel é uma "razão de Estado" devido à sua responsabilidade histórica.
Na opinião do ministro alemão, "chegou a hora de um cessar-fogo imediato" e ele pediu que tanto o Hamas quanto os "amigos de Israel" iniciassem as negociações, deixando claro que a Alemanha fará tudo o que estiver ao seu alcance para que isso aconteça.
Wadephul disse que compartilhava da "profunda preocupação de Albares com a catástrofe humanitária" em Gaza e, por isso, conversou hoje com seu colega israelense, Gideon Saar, a quem pediu que a ajuda humanitária fosse permitida.
Mas, embora ele tenha deixado claro que a Alemanha está "do lado de Israel" e contra o terrorismo do Hamas, "não podemos esquecer o destino do povo de Gaza", onde "a situação humanitária é insuportável e deve ser melhorada o mais rápido possível".
VENDAS DE ARMAS PARA ISRAEL
Com relação à proposta feita no dia anterior por Albares de impor um embargo à venda de armas a Israel, o ministro alemão descartou essa possibilidade no momento. Deve-se lembrar que a Alemanha é um dos principais fornecedores de armas para Israel.
"Como um país que vê a segurança e a existência de Israel como parte de sua razão de ser como Estado, a Alemanha sempre estará ao lado de Israel na defesa desse direito e também no futuro", disse o ministro alemão, acrescentando que "isso também significa que estamos preparados para fornecer armas".
Sobre esse ponto, ele enfatizou que "é necessária uma solução política para esse conflito, e todos os países vizinhos devem participar e deixar claro para o Hamas que a luta armada deve terminar".
Mas mesmo que isso aconteça, acrescentou, Israel também enfrenta "outros perigos", como a milícia xiita libanesa Hezbollah, o grupo armado iemenita Houthis ou até mesmo o Irã, que "declarou a erradicação do Estado de Israel como um objetivo político".
POSIÇÃO CLARA, MAS DIFÍCIL
"É por isso que adotamos uma posição que, sim, é difícil, mas que, em termos de direitos humanos e do aspecto humanitário e da proteção dos palestinos, dá a eles a mesma atenção que a posição de nossos vizinhos europeus", disse Wadephul, que está confiante de que o conflito pode ser resolvido por meio de negociações e não pela força das armas.
A posição alemã, insistiu ele, é clara: "deve haver uma solução de dois Estados, não deve haver uma caça ao homem, deve haver acesso à ajuda humanitária, a população da Faixa de Gaza não deve ser expulsa".
Por fim, com relação à decisão da Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, de revisar o Acordo de Associação com Israel a pedido da maioria dos estados-membros, o ministro alemão tomou nota da decisão.
"A Alemanha não é contra essa revisão e, se a comissão chegar a conclusões ou a uma decisão (...), estamos abertos a participar" do debate, disse ele.
No entanto, ele enfatizou que, em sua opinião, seria necessário tentar esgotar todas as vias de diálogo com Israel, uma vez que, apesar de "todas as críticas que se possa ter ao desempenho do atual governo, Israel é o único estado parlamentar democrático em toda a região".
Wadephul confirmou que viajará aos Estados Unidos nesta terça-feira para realizar uma primeira reunião com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com quem deverá discutir a escalada das tensões no Oriente Médio, mas também outras frentes abertas, como a guerra na Ucrânia ou a disputa comercial lançada pelo presidente Donald Trump com tarifas.
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