Marta Fernández - Europa Press
O ministro defende o trabalho de mediação de Zapatero e se oferece para comparecer ao Congresso para explicar a posição do governo.
MADRID, 5 jan. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, descreveu a posição do PP sobre a Venezuela como "ridícula" e questionou por que não criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, depois que ele deixou claro que não está contando com a oposição para o dia seguinte à prisão do presidente, Nicolás Maduro, no sábado.
"A posição do Partido Popular na política externa me parece absolutamente ridícula e absurda", disse Albares em uma entrevista à Cadena SER, relatada pela Europa Press, assegurando que "nenhum governo fez tanto pela Venezuela" quanto o de Pedro Sánchez e que, desde sábado, está "liderando" tanto o posicionamento na UE quanto com os principais países da América Latina.
O ministro disse que "dada a posição" expressa pelo líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, rejeitando que Delcy Rodríguez, até agora vice-presidente de Maduro, continue a liderar a Venezuela após a operação militar dos EUA em que o presidente foi preso, ele está "esperando que ela faça uma crítica" ao que Trump disse sobre María Corina Machado, a quem ele descartou como carente de apoio interno suficiente.
Em sua opinião, com sua posição, Feijóo "está fora" da posição expressa pela UE em uma declaração no domingo - que a Hungria não assinou - e da declaração conjunta da Espanha, Brasil, Colômbia, Chile, México e Uruguai, e até mesmo da posição das Nações Unidas por não se referir ao direito internacional.
"Vou lhe dizer que, para o partido que levou este país à guerra no Iraque em flagrante violação do direito internacional, não estou surpreso, mas isso me magoa, como Ministro das Relações Exteriores", disse ele.
UMA ARMA DE DESGASTE CONTRA O GOVERNO
Como já fez em ocasiões anteriores, quando a Venezuela foi debatida no Parlamento, o ministro acusou o PP de usar essa questão como "uma arma de desgaste" contra o governo e de "tentar importar a divisão dos venezuelanos para a Espanha em vez de exportar unidade para os venezuelanos da Espanha, que é o que nosso governo está tentando fazer".
Nesse sentido, ele também enquadrou as críticas do PP ao ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero por sua proximidade com o regime de Maduro como parte desse esforço, lembrando que o próprio Mariano Rajoy, quando era presidente, bem como a oposição venezuelana, agradeceram a ele por "seu papel na libertação de muitos presos políticos, incluindo Leopoldo López".
"Valorizamos e apreciamos esse papel de intermediação", acrescentou, enfatizando que a política externa, também em relação à Venezuela, é definida pelo governo.
Por outro lado, ele indicou que no fim de semana recebeu ligações de diferentes partidos políticos para expressar seu interesse no que estava acontecendo na Venezuela e nos 200.000 espanhóis no país, mas não do PP. "É nisso que a Venezuela está interessada para o Partido Popular", disse ele.
Ele também destacou que solicitou seu comparecimento, a seu próprio pedido, ao Congresso dos Deputados "para explicar a posição do governo espanhol em relação à Venezuela", pois entende que esse é "o lugar onde o governo fala com todas as forças políticas", descartando assim a possibilidade de chamar os "populares".
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