Marta Fernández - Europa Press
MADRID 10 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, comemorou nesta sexta-feira o fato de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ter ordenado conversas com o Líbano para estabelecer a paz, mas exigiu que o líder israelense concretize “ações” nesse sentido e cesse os bombardeios contra o país.
“Acolhemos com satisfação esse anúncio, mas os anúncios não servem de nada se não forem concretizados por ações, e as ações são que, ao longo da madrugada, os bombardeios continuaram”, indicou o ministro das Relações Exteriores em declarações à imprensa antes de intervir na Comissão do setor no Senado.
O ministro lamentou que, até agora, Israel não tenha querido “dar trégua nem um segundo de esperança” e destacou o recrudescimento de sua ofensiva contra o Líbano, pedindo que “compreenda que a guerra não pode ser um substituto da política externa”.
Nesse contexto, ele chamou a atenção para o fato de que “a história” demonstra que “cada incursão terrestre de Israel no Líbano acaba resultando em um fortalecimento” do partido-milícia xiita Hezbollah, o que repercute negativamente na segurança de Tel Aviv.
Assim, reiterou que o Líbano deveria ser incluído no cessar-fogo de duas semanas acordado pelos Estados Unidos e pelo Irã no âmbito da escalada bélica no Oriente Médio desencadeada pelo ataque de Washington e Tel Aviv contra Teerã, que o próprio ministro classificou como “frágil”.
Albares enfatizou que a situação no Líbano é uma “atrocidade” e que os bombardeios “massivos” de Israel constituem “claramente” uma violação do Direito Internacional e do Direito Internacional Humanitário. “Bombardear hospitais e a população civil não é a maneira de dar todas as oportunidades à paz”, alertou Albares.
INCENTIVA O IRÃ A PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES EM ISLAMABAD
A exclusão do Líbano, onde mais de 300 pessoas morreram e mil ficaram feridas nas últimas horas, do acordo de trégua levou o Irã a recusar sua participação nas negociações de paz com os Estados Unidos, que serão realizadas neste sábado na capital paquistanesa, Islamabad. Questionado, Albares insistiu em seu apelo sobre o Líbano, mas também encorajou Teerã a comparecer às negociações.
“Encorajo o Irã a participar de boa-fé, a garantir que o cessar-fogo seja permanente e que dê lugar à paz”, disse o ministro das Relações Exteriores, deixando claro que, em sua opinião, “as duas coisas andam juntas”. “Encorajo o Irã a participar, mas, é claro, o Líbano tem que estar incluído”, ressaltou.
Nessa linha, ele ressaltou o apoio da Espanha à mediação do Paquistão e instou as partes a “aproveitarem” essas duas semanas de oportunidade para “a diplomacia e o diálogo”, apesar das tentativas daqueles “muitos e poderosos” de sabotar as conversas em Islamabad e a paz.
Por fim, o ministro voltou a colocar sobre a mesa a posição da Espanha em relação à guerra no Irã: quer o fim “definitivo” do ataque contra o Irã; que cessem os lançamentos de mísseis e drones sobre países do Oriente Médio por parte de Teerã; e a reabertura “livre e segura” do Estreito de Ormuz. Assim, ele pediu aos grupos parlamentares do Senado que apoiem e se unam ao Governo nesses três objetivos.
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