Publicado 20/04/2026 05:36

Albares pede coragem aos parceiros da UE para suspender o acordo com Israel: “Não pode haver uma relação normal”

Convida o Irã a sentar-se à mesa de negociações com os EUA em Islamabad porque “não há solução militar para esta crise”

O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, durante o segundo e último dia da Global Progressive Mobilisation, em 18 de abril de 2026, em Barcelona, Catalunha (Espanha). A Global Progressive Mobilisation (GPM) é um evento de alto nível q
Kike Rincón - Europa Press

MADRID, 20 abr. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, pediu aos parceiros da UE coragem para apoiar a suspensão total do Acordo de Associação com Israel proposta pela Espanha, argumentando que a relação com esse país não pode continuar como até agora, tendo em conta as violações dos direitos humanos que o governo de Benjamin Netanyahu vem cometendo em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano.

Albares, juntamente com seus homólogos da Irlanda e da Eslovênia, solicitaram na sexta-feira, por meio de carta, à Alta Representante para a Política Externa da UE, Kaja Kallas, a discussão da suspensão do Acordo de Associação com Israel durante a reunião de ministros das Relações Exteriores que será realizada em Luxemburgo, entendendo que o governo israelense está violando o artigo 2º do mesmo, que exige o respeito aos direitos humanos.

Em entrevista à RNE, divulgada pela Europa Press, Albares explicou que “é um processo, não será amanhã diretamente” quando a suspensão for decidida, para a qual é necessária a unanimidade dos Vinte e Sete.

O ministro esclareceu que “há duas possibilidades”: a suspensão total, que é a proposta pela Espanha, ou a suspensão da parte comercial, o que “também seria um gesto e, para isso, é necessária maioria qualificada”.

Em sua opinião, todos os parceiros da UE “pensam exatamente da mesma forma que a Espanha” no que se refere ao comportamento de Israel; por isso, ele lhes pediu que “sejam fiéis aos valores da União Europeia e corajosos, como está sendo o Governo da Espanha, para se somarem a essa unanimidade”.

“Nenhum país da UE, nenhum, pode aceitar violações do Direito Internacional, uma violação dos Direitos Humanos deste nível, que se tente cercear a integridade territorial de um Estado soberano como é o Líbano, que existam leis tão discriminatórias (...) como a da pena de morte que o Parlamento israelense aprovou há muito pouco” contra terroristas palestinos, argumentou.

Portanto, defendeu o chefe da diplomacia espanhola, “temos que dar um passo à frente, porque, caso contrário, a União Europeia estará negando a si mesma e nossa voz enfraquecerá quando denunciarmos essas mesmas violações flagrantes do Direito Internacional e dos Direitos Humanos em outros cenários, como a Ucrânia, onde sim temos unanimidade”.

O ministro também quis enviar uma mensagem ao governo de Netanyahu. “Israel precisa entender que não pode manter uma relação normal e natural, como se nada estivesse acontecendo, quando os direitos humanos são violados de forma flagrante”, afirmou.

ISRAEL USA A MESMA ESTRATÉGIA NO LÍBANO QUE EM GAZA

Albares mostrou-se particularmente crítico em relação à atuação de Israel no sul do Líbano, onde está realizando uma operação militar contra o partido-milícia xiita Hezbollah, após os ataques contra território israelense por parte desse grupo em apoio a Teerã.

Em sua opinião, está sendo aplicada “a mesma estratégia militar que foi aplicada em Gaza” para impedir que os cidadãos do sul do Líbano “possam viver lá”. “Vemos uma destruição sistemática de toda a infraestrutura civil”, bem como “uma ordem de expulsão forçada” da população de um “país soberano” como o Líbano, questões que constituem uma “violação flagrante do Direito Internacional”.

“Tudo indica que Israel quer controlar uma parte de um Estado soberano, violando sua integridade territorial, e isso é algo que temos denunciado e condenado sistematicamente e que seria muito grave para a estabilidade de todo o Oriente Médio, mas também para a segurança do próprio Israel”, destacou.

INCENTIVA O IRÃ A NEGOCIAR

Por outro lado, ele convidou o governo iraniano a participar de uma nova rodada de conversações com os Estados Unidos em Islamabad, depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, já confirmou o envio de uma delegação.

“Não há solução possível para esta crise, que é a maior crise mundial deste século e a maior crise na região desde a Guerra do Golfo do século passado, que não seja negociada e dialogada”, ressaltou Albares. “Não há solução militar para esta crise, nem para os Estados Unidos, nem para o Irã”, insistiu, convidando o regime dos aiatolás a “comparecer e negociar”.

Quanto à situação no estreito de Ormuz, ele insistiu mais uma vez que a Espanha não participará “em nenhuma operação militar”. O que o governo gostaria, disse ele, é um retorno à situação anterior. “Ormuz tem que voltar a ser um estreito, com passagem livre, segura, gratuita, sem cobrança de pedágio, para qualquer navio de qualquer país, sem qualquer discriminação”.

E, “se algum dia houvesse, uma vez terminada a guerra, uma vez que essa passagem seja livre e segura”, algum tipo de missão para realizar “uma verificação”, apenas como “hipótese”, já que ninguém está considerando isso neste momento, teria que ser “com uma missão das Nações Unidas”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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