BRUXELAS 16 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação, José Manuel Albares, indicou que não considera necessária uma missão comunitária para garantir o trânsito no estreito de Ormuz, tal como proposto pela Alta Representante Kaja Kallas, e defendeu uma “desescalada” na região, salientando que uma solução “puramente militar nunca é realmente uma solução”.
Foi o que ele afirmou em declarações à imprensa, antes de participar do Conselho de Relações Exteriores (CAE) que se realiza nesta segunda-feira em Bruxelas, ao ser questionado sobre como vê a proposta de Kallas de modificar a operação naval da UE “Aspides” — originalmente concebida para evitar os ataques houthis contra o transporte marítimo no Mar Vermelho —, para que seja utilizada no Estreito de Ormuz.
“A posição da Espanha e da política externa espanhola é muito clara. A Europa também tem de falar com essa voz, e tem de ser a voz da desescalada, do diálogo e da diplomacia, do regresso às mesas de negociação. A solução puramente militar nunca traz democracia, nem estabilidade, nem prosperidade econômica”, afirmou o ministro. Albares opinou que o âmbito de atuação da “Aspides”, atualmente limitado ao Mar Vermelho, “é o mandato correto” e está “cumprindo perfeitamente suas funções neste momento”. “Não é necessário introduzir nenhuma modificação”, acrescentou o chefe da diplomacia espanhola.
Ele também insistiu que “não se deve fazer nada que aumente ainda mais a tensão” e que é importante que “cessem os bombardeios e os lançamentos de mísseis” sobre os países do Oriente Médio. Questionado sobre uma possível missão da ONU em Ormuz, ele respondeu que “as Nações Unidas já estão envolvidas”.
“O que considero positivo é pôr fim a essa espiral de violência e a essa escalada que não tem objetivos claros, está causando sofrimento aos civis em toda a região e levando ao aumento dos preços mundiais, afetando o bem-estar dos europeus”, prosseguiu o ministro em sua explicação.
No entanto, ele afirmou que “evidentemente” a situação em Ormuz é “extremamente preocupante para os europeus” e para países com um número crescente de refugiados, como o Irã ou o Líbano, tanto do ponto de vista energético quanto por suas implicações no comércio de alimentos, razão pela qual reivindicou uma resposta da UE para ajudar nessa “situação humanitária”.
Nesse sentido, destacou o papel das Nações Unidas na região e citou como exemplo que seu secretário-geral, António Guterres, esteve neste mesmo domingo no Líbano, “um dos cenários onde é preciso ouvir” a organização internacional, e não “atirando” contra a Força Provisória das Nações Unidas para o Líbano (FINUL), como ocorreu ontem.
As declarações de Albares ocorrem logo após a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, ter proposto modificar a missão europeia “Aspides” ou mesmo estabelecer uma missão organizada pelas Nações Unidas para manter aberto o Estreito de Ormuz, bloqueado neste momento pelo Irã em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Segundo a chefe da diplomacia europeia, não será “fácil” conseguir isso, mas defendeu que os ministros das Relações Exteriores da UE encontrem “a forma mais rápida de garantir” a abertura do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que avalia outras opções, como uma iniciativa no âmbito da ONU semelhante à estabelecida após a invasão russa da Ucrânia para garantir o transporte de grãos no Mar Negro.
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