Gustavo Valiente - Europa Press - Arquivo
MADRID 20 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, não conseguiu amenizar a relutância da Alemanha em reconhecer o catalão, o basco e o galego como línguas da UE durante o encontro que manteve com seu homólogo alemão, Johann Wadephul, uma vez que Berlim continua a ter dúvidas jurídicas a esse respeito.
Foi o que informaram à Europa Press fontes do Ministério das Relações Exteriores alemão após a reunião em Berlim entre os dois ministros, durante a qual Albares confirmou que a inclusão das três línguas cooficiais no regulamento linguístico da UE foi um dos temas abordados por ambos, mas não quis entrar em detalhes.
Em declarações à imprensa, Albares assegurou que o tema foi tratado “exaustivamente” e aproveitou para reiterar que se trata de “um tema importante” para a Espanha, para o Governo e para ele como ministro das Relações Exteriores.
“Permitam-me não entrar em detalhes, não porque os detalhes tenham algo que não possa ser dito”, mas porque, segundo ele, está se empenhando para que nas demais capitais “se compreenda que este é um tema da identidade nacional da Espanha”, que é multilíngue, “não é um tema político, não é um tema politizado”.
“Não quero entrar em detalhes para que não pareça que estou pressionando ninguém ou que haja uma politização a respeito, quando de forma alguma é o caso”, acrescentou, após lembrar que “há 20 milhões de espanhóis que vivem em comunidades autônomas onde há mais de uma língua oficial”.
No entanto, mostrou-se mais uma vez otimista de que o Governo conseguirá levar adiante esta iniciativa, acordada com o Junts no início da atual legislatura e para a qual é necessária a unanimidade dos Vinte e Sete. “Acredito que estamos no caminho certo”, afirmou.
A ALEMANHA NÃO MUDOU DE POSIÇÃO
No entanto, a Alemanha, que tem sido um dos países mais veementes em sua relutância em aceitar o status de língua oficial do catalão, do basco e do galego na UE, “não mudou de posição”, segundo informaram fontes do Ministério das Relações Exteriores alemão à Europa Press, que esclarecem que “o diálogo continua em andamento”, mas ainda há dúvidas a serem resolvidas, sobretudo do ponto de vista jurídico.
O pedido do governo espanhol, apresentado em agosto de 2023, não voltou a ser debatido no Conselho desde o final de julho de 2025. Na ocasião, a Alemanha atuou como porta-voz da dezena de países que confirmaram ter dúvidas jurídicas e financeiras que os impediam de dar seu aval.
Diante dessa circunstância, no final de outubro passado, os dois governos concordaram em “iniciar um diálogo com o objetivo de encontrar uma resposta ao pedido espanhol de que suas línguas cooficiais, diferentes do espanhol, sejam reconhecidas como oficiais na UE de forma que seja aceitável para todos os Estados-membros”.
Esse diálogo caberia aos Ministérios das Relações Exteriores dos dois países, mas, à luz do resultado do encontro mantido por Albares e Wadephul, por enquanto não parece ter dado os frutos esperados pelo Governo espanhol.
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