Diego Radamés - Europa Press
MADRID, 20 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, lamentou que a oposicionista venezuelana María Corina Machado tenha viajado para a Espanha como “líder ideológica” para se reunir com a extrema direita espanhola, ignorando o governo espanhol, apesar de, em determinado momento, ter-lhe sido oferecido até mesmo refúgio na Embaixada espanhola em Caracas.
Foi o que ele afirmou em entrevista à RNE, divulgada pela Europa Press, depois que, nos últimos dias, Machado se reuniu com o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, e com o líder do Voz, Santiago Abascal, tendo descartado se reunir com o presidente do Governo, Pedro Sánchez, por considerar que não seria conveniente neste momento.
“O que constato é que ela optou por agir como uma líder ideológica e, por isso, decidiu se reunir apenas com uma parte do espectro político espanhol, com a extrema direita espanhola”, em vez de como representante do povo venezuelano, que é como ela quer se apresentar, afirmou o ministro.
Albares reiterou mais uma vez que o Governo se ofereceu para manter um encontro com a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz durante sua estadia em Madri e revelou que “a própria María Corina Machado, com quem conversei em várias ocasiões, em determinado momento nos solicitou refúgio em nossa embaixada”.
“Eu pessoalmente disse a ela que não havia nenhum problema”, acrescentou o ministro, embora “no final ela não tenha recorrido a isso, mas a possibilidade existia”. Portanto, em sua opinião, é “completamente injusto” criticar o governo espanhol, “aquele que mais fez pelo povo venezuelano em todo o mundo”.
CRITICA AS CRÍTICAS ÀS INSTITUIÇÕES ESPANHOLAS
“Não se pode pedir ajuda e depois vir menosprezar as instituições espanholas”, repreendeu, questionando o fato de Machado formular “críticas gratuitas para agradar a uma parte do espectro político espanhol”. “É necessário tentar ocultar tudo o que este governo está fazendo pelo povo irmão da Venezuela para agradar à extrema direita espanhola?”, questionou.
Nesse sentido, ele lembrou que não só foram acolhidos mais de 250 mil venezuelanos, mas que o opositor Leopoldo López passou mais de um ano refugiado na Embaixada espanhola antes de se mudar para a Espanha, onde recentemente recebeu a nacionalidade, e que o candidato presidencial Edmundo Gónzalez, também se refugiou na Embaixada antes de ser transportado em um avião da Força Aérea espanhola e receber asilo.
Diante disso, considerou “absurdo” que a líder da oposição venezuelana tenha vindo à Espanha como “líder de uma facção tentando ofuscar a ampla maioria dos venezuelanos que residem perfeitamente entre nós”. “Se María Corina Machado quer vir a Madri como líder de uma facção ideológica, sinceramente acredito que seja um erro”, e mais ainda se se tratar da extrema direita, precisou.
No entanto, acrescentou, isso não vai desviar “nem por um segundo” o Governo de sua política em relação à Venezuela, que passa por “conversar com todos, com o governo e com a oposição, para tentar que haja um diálogo amplo e uma solução pacífica, dialogada, negociada e sempre democrática”.
“Nós, ao contrário do Partido Popular e do Vox, que já escolheram quem deve ser o presidente ou a presidente da Venezuela — em referência a Machado —, não temos candidato”, defendeu o ministro, insistindo que devem ser os venezuelanos a decidir.
Por outro lado, Albares também denunciou o uso de praças públicas, como a Puerta del Sol em Madri, “para proferir gritos e slogans que são claramente racistas. Isso sim não tem lugar na Espanha. O racismo não tem lugar na Espanha”, enfatizou, referindo-se aos gritos de “fora, a macaca” proferidos pelo cantor Carlos Baute durante o comício de Machado com venezuelanos, em referência à atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
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