MADRID, 26 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, inicia neste domingo, em Porto Rico, uma viagem que o levará também à República Dominicana e ao México, com o objetivo de preparar a Cúpula Ibero-americana que será realizada em Madri nos dias 4 e 5 de novembro, mas também de consolidar as relações bilaterais, especialmente com o país asteca.
Conforme explicou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado, Albares terá a oportunidade de transmitir aos seus interlocutores “a importância que a América Latina e o Caribe têm para a Espanha, uma região irmã, com uma língua comum e profundos laços históricos, políticos, econômicos e culturais”.
Além disso, a viagem permitirá aprofundar os trabalhos preparatórios da XXX Cúpula Ibero-Americana para que ela seja realizada “com sucesso”, conforme deseja o governo, depois que, nas últimas edições, a tónica geral tenha sido a escassa participação de líderes ibero-americanos neste encontro que reúne os 22 países da Comunidade Ibero-Americana.
A primeira parada da turnê será Porto Rico, estado associado dos Estados Unidos e que participa das cúpulas ibero-americanas desde 2021 na qualidade de observador. A ilha, que esteve sob domínio espanhol até 1898, não é um destino frequente de visitas de alto nível, devido essencialmente ao seu status, embora já haja precedentes.
Assim, o então ministro das Relações Exteriores, José Manuel Margallo, realizou a primeira visita de um chefe da diplomacia em maio de 2014, enquanto o rei Felipe VI já se deslocou por lá em duas ocasiões. A primeira, em 2016, por ocasião do Congresso da Língua Espanhola, e a última em janeiro de 2022 — na qual esteve acompanhado por Albares — por ocasião do V Centenário da fundação de San Juan de Porto Rico.
Segundo informou o Ministério das Relações Exteriores, o ministro tem previstos diversos encontros institucionais e participará de um fórum de investimento com empresários. Além disso, ele também participará de uma conferência da Universidade Interamericana sobre a língua espanhola, que permitirá “transmitir os profundos laços históricos e culturais existentes com o continente americano”.
Na terça-feira, Albares viajará para Santo Domingo. Na capital da República Dominicana, ele participará igualmente de um encontro empresarial e se reunirá com seu homólogo, Roberto Álvarez, para revisar os preparativos da cúpula de novembro, além das relações bilaterais.
Além disso, terá a oportunidade de conhecer em primeira mão um projeto de cooperação impulsionado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) sobre o reforço do Sistema Integral de Atendimento e Proteção às Vítimas de Violência de Gênero.
MÉXICO, ÚLTIMA PARADA
Na quarta-feira, o ministro chegará ao México, ponto alto da viagem, já que sua visita ocorre em um momento em que o distanciamento dos últimos anos, iniciado sob a presidência de Andrés Manuel López Obrador e continuado com a chegada de Claudia Sheinbaum a Los Pinos, parece estar ficando para trás.
Albares visita o México menos de duas semanas depois que Sheinbaum, que não costuma fazer viagens ao exterior, se deslocou a Barcelona para participar de um encontro com líderes progressistas em defesa da democracia, patrocinado pelo presidente do Governo, Pedro Sánchez, e pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Essa visita só foi possível depois que o rei reconheceu, no último dia 17 de março, que houve “muitos abusos” durante a Conquista, um gesto bem recebido por Sheinbaum, depois que seu antecessor havia exigido, por carta ao monarca em 2019, um pedido de desculpas pelos “agravios” cometidos pelos espanhóis naquele período.
ENCONTRO COM O HOMÓLOGO E NOVO GESTO
Albares se reunirá com seu homólogo mexicano, Roberto Velasco, com quem está prevista a assinatura do Ato da Comissão Binacional Espanha-México, “reflexo da boa saúde das relações fraternas existentes entre ambos os países”, destacaram no Ministério das Relações Exteriores.
Em um gesto adicional para com o México, a agenda de Albares inclui a inauguração, na capital mexicana, da exposição “La mitad del mundo”. Foi precisamente na inauguração dessa mesma exposição em Madri que surgiu a primeira mensagem dirigida ao governo mexicano, já que ele falou de “luces e sombras” na história compartilhada e de “injustiça”.
E foi durante sua visita a essa exposição, acompanhado pelo embaixador mexicano, Quirino Ordaz, que Felipe VI reconheceu que houve “muitos abusos” durante a Conquista, apesar das Leis das Índias adotadas pelos Reis Católicos para proteger a população indígena, e admitiu que esses comportamentos, vistos sob a ótica e os valores atuais, não são motivo para se sentir “orgulhoso”.
A visita do chefe da diplomacia poderia ser, além disso, o prelúdio de uma visita de Felipe VI — que já realizou uma visita de Estado ao México ao lado da Rainha Letizia em 2015 —, já que o monarca foi convidado, assim como outros chefes de Estado, a assistir a algum dos jogos que o país asteca sediará durante a Copa do Mundo de Futebol.
O convite, que foi recebido favoravelmente pela Zarzuela, poderia se concretizar por ocasião da última partida da fase de grupos, que oporá a seleção espanhola ao Uruguai no dia 26 de junho, em Guadalajara.
Por outro lado, a agenda de Albares na capital mexicana também inclui uma oferta floral no túmulo do presidente mexicano Lázaro Cárdenas, que acolheu no México milhares de exilados espanhóis após a Guerra Civil, bem como diversos eventos realizados na Universidade Nacional Autônoma do México, na Câmara de Comércio da Espanha no México e no Museu Nacional de Antropologia.
Por fim, ele fará uma visita ao Consulado no México para analisar os trabalhos relacionados à aplicação da Lei da Memória Democrática, tendo em vista que este é um dos países onde se receberam mais pedidos de cidadania por parte de descendentes de exilados.
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