Publicado 26/04/2026 12:29

Albares inicia em Porto Rico uma turnê que inclui a República Dominicana e o México

A visita visa também preparar a Cúpula Ibero-americana que Madrid sediará em novembro

O ministro das Relações Exteriores, da União Europeia e da Cooperação, José Manuel Albares, dá uma entrevista coletiva no âmbito da viagem ao Campo de Gibraltar, onde se reunirá com diversos representantes da região. Em 23 de abril de 2026, em Algeciras,
Nono Rico / Europa Press

MADRID, 26 abr. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, inicia neste domingo, em Porto Rico, uma viagem que o levará também à República Dominicana e ao México, com o objetivo de preparar a Cúpula Ibero-americana que será realizada em Madri nos dias 4 e 5 de novembro, mas também de consolidar as relações bilaterais, especialmente com o país asteca.

Conforme explicou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado, Albares terá a oportunidade de transmitir aos seus interlocutores “a importância que a América Latina e o Caribe têm para a Espanha, uma região irmã, com uma língua comum e profundos laços históricos, políticos, econômicos e culturais”.

Além disso, a viagem permitirá aprofundar os trabalhos preparatórios da XXX Cúpula Ibero-Americana para que ela seja realizada “com sucesso”, conforme deseja o governo, depois que, nas últimas edições, a tónica geral tenha sido a escassa participação de líderes ibero-americanos neste encontro que reúne os 22 países da Comunidade Ibero-Americana.

A primeira parada da turnê será Porto Rico, estado associado dos Estados Unidos e que participa das cúpulas ibero-americanas desde 2021 na qualidade de observador. A ilha, que esteve sob domínio espanhol até 1898, não é um destino frequente de visitas de alto nível, devido essencialmente ao seu status, embora já haja precedentes.

Assim, o então ministro das Relações Exteriores, José Manuel Margallo, realizou a primeira visita de um chefe da diplomacia em maio de 2014, enquanto o rei Felipe VI já se deslocou por lá em duas ocasiões. A primeira, em 2016, por ocasião do Congresso da Língua Espanhola, e a última em janeiro de 2022 — na qual esteve acompanhado por Albares — por ocasião do V Centenário da fundação de San Juan de Porto Rico.

Segundo informou o Ministério das Relações Exteriores, o ministro tem previstos diversos encontros institucionais e participará de um fórum de investimento com empresários. Além disso, ele também participará de uma conferência da Universidade Interamericana sobre a língua espanhola, que permitirá “transmitir os profundos laços históricos e culturais existentes com o continente americano”.

Na terça-feira, Albares viajará para Santo Domingo. Na capital da República Dominicana, ele participará igualmente de um encontro empresarial e se reunirá com seu homólogo, Roberto Álvarez, para revisar os preparativos da cúpula de novembro, além das relações bilaterais.

Além disso, terá a oportunidade de conhecer em primeira mão um projeto de cooperação impulsionado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) sobre o reforço do Sistema Integral de Atendimento e Proteção às Vítimas de Violência de Gênero.

MÉXICO, ÚLTIMA PARADA

Na quarta-feira, o ministro chegará ao México, ponto alto da viagem, já que sua visita ocorre em um momento em que o distanciamento dos últimos anos, iniciado sob a presidência de Andrés Manuel López Obrador e continuado com a chegada de Claudia Sheinbaum a Los Pinos, parece estar ficando para trás.

Albares visita o México menos de duas semanas depois que Sheinbaum, que não costuma fazer viagens ao exterior, se deslocou a Barcelona para participar de um encontro com líderes progressistas em defesa da democracia, patrocinado pelo presidente do Governo, Pedro Sánchez, e pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa visita só foi possível depois que o rei reconheceu, no último dia 17 de março, que houve “muitos abusos” durante a Conquista, um gesto bem recebido por Sheinbaum, depois que seu antecessor havia exigido, por carta ao monarca em 2019, um pedido de desculpas pelos “agravios” cometidos pelos espanhóis naquele período.

ENCONTRO COM O HOMÓLOGO E NOVO GESTO

Albares se reunirá com seu homólogo mexicano, Roberto Velasco, com quem está prevista a assinatura do Ato da Comissão Binacional Espanha-México, “reflexo da boa saúde das relações fraternas existentes entre ambos os países”, destacaram no Ministério das Relações Exteriores.

Em um gesto adicional para com o México, a agenda de Albares inclui a inauguração, na capital mexicana, da exposição “La mitad del mundo”. Foi precisamente na inauguração dessa mesma exposição em Madri que surgiu a primeira mensagem dirigida ao governo mexicano, já que ele falou de “luces e sombras” na história compartilhada e de “injustiça”.

E foi durante sua visita a essa exposição, acompanhado pelo embaixador mexicano, Quirino Ordaz, que Felipe VI reconheceu que houve “muitos abusos” durante a Conquista, apesar das Leis das Índias adotadas pelos Reis Católicos para proteger a população indígena, e admitiu que esses comportamentos, vistos sob a ótica e os valores atuais, não são motivo para se sentir “orgulhoso”.

A visita do chefe da diplomacia poderia ser, além disso, o prelúdio de uma visita de Felipe VI — que já realizou uma visita de Estado ao México ao lado da Rainha Letizia em 2015 —, já que o monarca foi convidado, assim como outros chefes de Estado, a assistir a algum dos jogos que o país asteca sediará durante a Copa do Mundo de Futebol.

O convite, que foi recebido favoravelmente pela Zarzuela, poderia se concretizar por ocasião da última partida da fase de grupos, que oporá a seleção espanhola ao Uruguai no dia 26 de junho, em Guadalajara.

Por outro lado, a agenda de Albares na capital mexicana também inclui uma oferta floral no túmulo do presidente mexicano Lázaro Cárdenas, que acolheu no México milhares de exilados espanhóis após a Guerra Civil, bem como diversos eventos realizados na Universidade Nacional Autônoma do México, na Câmara de Comércio da Espanha no México e no Museu Nacional de Antropologia.

Por fim, ele fará uma visita ao Consulado no México para analisar os trabalhos relacionados à aplicação da Lei da Memória Democrática, tendo em vista que este é um dos países onde se receberam mais pedidos de cidadania por parte de descendentes de exilados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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