Juan Manuel Serrano Arce - Europa Press - Arquivo
MADRID 8 mar. (EUROPA PRESS) - O ministro dos Negócios Estrangeiros, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, afirmou que a guerra iniciada pelos EUA e Israel no Irão afeta “muito mais” a Europa do que “o seu promotor” e afirma que gostaria que “houvesse uma voz mais firme, mais clara e contundente” por parte da Europa.
“Sem dúvida, esta guerra, por afetar o Oriente Médio e, portanto, o Mediterrâneo e o sul da Europa, nos afeta muito mais do que ao promotor da guerra. A repercussão nos preços da energia já atinge os espanhóis e os europeus. Vimos o movimento de um milhão de sírios há alguns anos. [Agora] estamos falando de um país como o Irã, com quase cem milhões de pessoas. Podemos estar diante de um movimento populacional, como ocorreu na Síria, mas em dimensões muito maiores. Claro, tudo isso afeta a Europa”, afirmou ele neste domingo em entrevista ao jornal El País, divulgada pela Europa Press. O ministro defende que a Espanha aposta na paz por um “duplo motivo”: tanto pelos valores de paz dos espanhóis e europeus, quanto “por seus interesses mais diretos”. “O aumento do custo de vida, a chegada maciça e descontrolada de refugiados desesperados. Tudo isso está em jogo por causa de uma guerra sobre a qual a Europa não foi informada nem consultada”, enfatiza. Nesse sentido, ele admite que transmitiu à Alta Representante e ao Conselho de Relações Exteriores que a Europa precisa de uma voz “mais firme, mais clara e mais contundente” sobre o conflito. “A Espanha foi a primeira, com muita diferença, de forma muito destacada. Mas, a cada dia, mais vozes europeias se somam”, acrescenta. Albares afirma que conversou com seus homólogos dos países que sofreram ataques e transmitiu a solidariedade espanhola, lembrando que o governo condenou esses ataques “completamente injustificados por parte do Irã”. Além disso, acrescenta que propuseram a desaceleração da guerra, com o objetivo de sentar as partes à mesa de negociações. “Esta espiral de violência só leva a mais violência e, no final, a um caos que nos afetará a todos”, indica. “O mundo está mais inseguro. Estamos diante de uma guerra em flagrante violação do direito internacional, com consequências incalculáveis que já começamos a sentir em milhares de vítimas no Oriente Médio, completamente desestabilizado, e em um aumento dos preços da energia que repercute no preço da gasolina que todos os espanhóis estão pagando”, acrescenta.
Na entrevista, Albares reivindica o “Não à guerra”, que define como um sentimento majoritário na população espanhola e mundial, e critica que o PP está “isolado” nesta questão. “Fomos os primeiros, mais uma vez, como em Gaza, como no reconhecimento do Estado palestino. Mas cada vez mais países, mais líderes nos aplaudem e mais pessoas no mundo acompanham esse movimento. Ou se está com a paz ou se está com a guerra. O Governo da Espanha está com a paz. É o PP que está isolado”, defendeu. Sobre Feijóo, o ministro considera que o presidente do PP se sente confortável sendo o líder “do partido da guerra” e o compara com Aznar e a intervenção no Iraque. “A maioria de seus assessores internacionais são os ideólogos daquela guerra. O que eu sei, e as pesquisas mostram, é que a grande maioria dos espanhóis está ao lado do governo no não à guerra”, ressalta.
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