Publicado 29/04/2026 19:58

Albares entrega pessoalmente a Sheinbaum o convite para participar da Cúpula Ibero-americana em Madri

O ministro mexicano reconhece os “gestos importantes” realizados pelas “autoridades” espanholas e fala de uma “nova etapa”

A presidente do México, Claudia Sheinbaum (à esquerda), e o presidente do Governo, Pedro Sánchez (à direita), durante a IV Reunião em Defesa da Democracia, em 18 de abril de 2026, em Barcelona, Catalunha (Espanha). Trata-se de um dos três grandes eventos
Alberto Paredes - Europa Press

MADRID, 30 abr. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação da Espanha, José Manuel Albares, entregou pessoalmente nesta quarta-feira à presidente do México, Claudia Sheinbaum, a carta-convite para que ela participe da Cúpula Ibero-americana no próximo mês de novembro, em Madri.

Albares se reuniu com a mandatária mexicana no âmbito da visita oficial que está realizando ao país asteca. O encontro não constava da agenda do ministro divulgada na véspera pela Moncloa, na qual estava prevista uma reunião com seu homólogo mexicano, Roberto Velasco Álvarez.

Em declaração à imprensa ao lado de Velasco, Albares agradeceu a Sheinbaum por tê-lo recebido e indicou que lhe entregou o convite do rei da Espanha, Felipe VI, para participar da cúpula de Madri.

“Reafirmamos mais uma vez a afinidade e a sintonia que existe entre o México e a Espanha”, afirmou, destacando a “boa saúde” da qual goza a relação bilateral e sem mencionar, em nenhum momento, a polêmica em torno do papel da Espanha durante a Conquista.

O encontro, mais um sinal da nova etapa nas relações bilaterais, ocorreu menos de duas semanas depois que a presidente mexicana viajou à Espanha para participar de uma reunião em defesa da democracia ao lado de outros líderes progressistas.

Sheinbaum, que não costuma realizar viagens ao exterior, aproveitou sua ida a Barcelona para manter também um encontro bilateral com o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e assegurar que não havia “nenhuma crise diplomática” nem havia havido.

AS PALAVRAS DO REI

Essa visita só foi possível depois que o rei reconheceu, no último dia 17 de março, que houve “muitos abusos” durante a Conquista, um gesto bem recebido pela presidente mexicana, depois que seu antecessor, Andrés Manuel López Obrador, havia exigido por carta ao monarca, em 2019, um pedido de desculpas pelos “agravios” cometidos pelos espanhóis naquele período.

A agenda de Albares na Cidade do México também incluiu, durante o dia, a inauguração da exposição “La mitad del mundo”, a mesma cuja inauguração em Madri, no último mês de outubro, marcou o primeiro gesto do governo espanhol em relação ao México, ao referir-se a “contrastes” na história compartilhada e à “injustiça”.

E foi durante sua visita a essa exposição, acompanhado pelo embaixador mexicano, Quirino Ordaz, que Felipe VI reconheceu que houve “muitos abusos” durante a Conquista, apesar das Leis das Índias adotadas pelos Reis Católicos para proteger a população indígena, e admitiu que esses comportamentos, vistos sob a ótica e os valores atuais, não são motivo para se sentir “orgulhoso”.

NOVO RECONHECIMENTO DOS GESTOS

O ministro mexicano se referiu a tudo isso em sua intervenção, na qual reconheceu “os importantes gestos de diversas autoridades do Estado (espanhol) em relação à nossa história e às nossas culturas indígenas”, em linha com o que Sheinbaum já havia expressado na ocasião.

“Somos duas nações soberanas que reconhecem suas diferenças com maturidade e que apostam no entendimento mútuo e na prosperidade compartilhada”, afirmou Velasco, garantindo que a Espanha pode contar com o México “para dar continuidade a esta aproximação entre dois países que já eram próximos e que se reencontram para construir uma nova etapa”.

“O México é para a Espanha um país irmão com o qual deseja manter um diálogo e uma cooperação constantes”, disse por sua vez Albares, ressaltando que se viajou ao país asteca foi “para trabalharmos juntos no sentido de continuar estreitando esses laços forjados por uma irmandade histórica sustentada em valores comuns que olham para o futuro”.

Segundo o ministro mexicano, ambos concordaram com “a importância de construir uma narrativa que aborde nossa história com profundidade e toda a sua diversidade” e agradeceu o apoio do Governo espanhol à organização da referida exposição. Assim sendo, ele antecipou que irão “explorar novos projetos” da história compartilhada, como o exílio republicano no México ou a vida e obra de Sor Juana Inés de la Cruz.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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