Carlos Luján - Europa Press
Ministro pede a Kallas que a UE condene a decisão de Israel de sancionar Diaz e Rego em carta a Kallas
MADRID, 11 set. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, descartou a possibilidade de um confronto diplomático com os Estados Unidos em decorrência do pacote de medidas adotado para deter o "genocídio" em Gaza, defendendo que se trata de uma "decisão soberana" de acordo com o direito nacional e internacional.
Em uma entrevista ao programa 'La Hora de la 1', captada pela Europa Press, ele tentou minimizar as críticas a essas medidas expressas por um porta-voz do Departamento de Estado, que considerou "profundamente preocupante que a Espanha, membro da OTAN, tenha optado por limitar potencialmente as operações dos EUA e dar as costas a Israel" e advertiu que isso "encoraja os terroristas".
"Não vejo nenhum conflito", respondeu Albares com firmeza quando perguntado sobre a inquietação de Washington, motivada, como o porta-voz apontou, pelo possível impacto que as medidas do governo poderiam ter sobre o uso que o governo faz de suas bases em Rota (Cádiz) e Morón (Sevilha) para enviar armas a Israel.
"A Espanha tomou uma decisão, que é uma decisão soberana, que pode tomar de acordo com sua legislação nacional e com o direito internacional, e que nós vamos cumprir", ressaltou o chefe da diplomacia. "Somos um Estado soberano que toma suas decisões de forma autônoma e não segue o exemplo, e é totalmente coerente com a esmagadora maioria do povo espanhol", disse ele.
Nesse sentido, ele reiterou que o governo negará "a entrada em nosso espaço aéreo de aeronaves que transportem material militar com destino final a Israel", como vem fazendo desde os ataques do Hamas em outubro de 2023, "não concedendo autorizações para a exportação de material militar para Israel ou não permitindo que navios façam escala em nossos portos com material militar cujo destino final seja Israel".
Ele insistiu que existe uma "relação fluida" com os Estados Unidos e, como prova disso, mencionou que o embaixador espanhol na OTAN participou, assim como o embaixador dos EUA, da reunião convocada para "analisar a situação da violação do espaço aéreo na Polônia" por drones russos.
CARTA A KALLAS
Por outro lado, Albares anunciou que enviou uma carta à Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, solicitando a condenação europeia da decisão do governo de Benjamin Netanyahu de sancionar a Segunda Vice-Presidente, Yolanda Díaz, e a Ministra da Juventude, Sira Rego, em resposta ao pacote de medidas, que Israel descreveu como antissemita.
"Não é possível que um país que tem um Acordo de Associação com a União Europeia sancione dois membros de um governo" de um estado membro, disse ele, insistindo que, além da condenação nacional, deveria haver uma condenação europeia dessa medida, que é "completamente injusta e desproporcional".
Por outro lado, Albares voltou a saudar a decisão da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, de solicitar a suspensão parcial do Acordo de Associação, embora tenha insistido que "não é um passo suficiente". "Não queremos uma suspensão parcial do Acordo de Associação, mas uma suspensão total. Os palestinos não estão morrendo parcialmente. Eles estão morrendo totalmente. Portanto, a suspensão tem que ser total", enfatizou.
SANÇÕES CONTRA ISRAEL
Ele também defendeu a necessidade de impor sanções a Israel da mesma forma que foi feito no caso da Rússia. "Não é coerente ter 19 pacotes de sanções contra a Rússia", que a Espanha apoia e considera "lógico, justo e necessário", "e nenhum tipo de medida de sanção para Israel".
A Espanha também apoiou os três pacotes de sanções contra o Hamas, que descreveu como um grupo terrorista e deixou claro que não pode ser um parceiro para a paz e, portanto, "queremos algum tipo de sanção contra Israel por esse massacre e esse extermínio" em Gaza, acrescentou.
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