Eduardo Parra - Europa Press
Robles enquadra as declarações da porta-voz “como uma questão interna ou desinformação” e defende que a Espanha está fazendo “o correto”. MADRID 5 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, descartou que o governo tenha que conversar com os Estados Unidos para tentar esclarecer o conflito que ocorreu como resultado da recusa em permitir o uso das bases de Rota e Morón por Washington em sua operação militar contra o Irã, insistindo que se trata de uma “decisão soberana”.
Na sua opinião, “o importante” não é por que razão a porta-voz da Casa Branca disse que a Espanha tinha finalmente concordado em cooperar militarmente depois de, um dia antes, o presidente Donald Trump ter ameaçado com um embargo comercial, algo que Albares já negou categoricamente, mas sim “qual é a decisão do Governo da Espanha, e isso é muito claro”.
Assim sendo, questionado numa entrevista à Catalunya Radio, recolhida pela Europa Press, sobre se falou ou tenciona falar com algum representante da Administração Trump, ele descartou essa possibilidade.
“Não tenho que falar, a decisão é soberana do Governo da Espanha e não vou falar com ninguém”, respondeu categoricamente, assegurando igualmente que também não tem “planos” por enquanto de convocar o embaixador americano em Madri. “O importante é onde se situa a Espanha. A Espanha está do lado do direito internacional, do lado da distensão, do lado do pedido de retorno à mesa de negociações”, sublinhou mais uma vez, apostando igualmente que o papel da UE deve ser “equilibrar, trazer razão, isso é o que precisamos neste momento e não gerar mais polêmica”.
ROBLES APONTA PARA A DESINFORMAÇÃO A ministra da Defesa, Margarita Robles, também se pronunciou sobre as declarações da porta-voz da Casa Branca, tendo-se reunido precisamente esta quarta-feira com o novo embaixador dos Estados Unidos, Benjamín León, enquadrando as palavras de Karoline Leavitt como “uma questão interna ou desinformação”.
“Acho que eles estão perfeitamente (conscientes) de que o presidente Trump não agiu corretamente, não respeitou o esforço que a Espanha e suas Forças Armadas estão fazendo em prol da paz e nos âmbitos multilaterais”, disse ela em entrevista à Cadena SER, divulgada pela Europa Press.
A ministra reiterou que o governo espanhol “não autorizará o uso” das bases de Rota e Morón para ações contra o Irã “neste contexto” que, segundo ela, é “unilateral e não tem amparo jurídico nem de uma organização internacional”. “Não há nuances”, enfatizou. “Acreditamos que as violações dos direitos humanos que estão ocorrendo em Teerã não são aceitáveis, mas o caminho não são ataques unilaterais sem o apoio internacional”, acrescentou. Em sua opinião, “a posição do governo da Espanha tem sido muito clara desde o primeiro dia”, sem “nuances”. “Tem sido categórica por uma razão simples: acreditamos que, ética e juridicamente, estamos fazendo o que é certo”, destacou.
Quanto ao seu encontro com o embaixador, ele indicou que foi uma visita “de cortesia”, na qual transmitiu ao governo Trump que a Espanha “é um país firmemente comprometido com seus aliados, sério e responsável”, com “mais de 4.000 homens e mulheres em missões de paz”. Além disso, ele criticou que as palavras do presidente americano contra a Espanha “não foram apropriadas”.
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