Alejandro Martínez Vélez - Europa Press
Nega "categoricamente" o uso de Morón e Rota no ataque e garante que a Espanha não as emprestará para nada que seja contrário à Carta da ONU MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, afirmou nesta segunda-feira que a operação realizada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã “não tem a ver com democracia”, ao mesmo tempo em que negou novamente que Washington tenha usado as bases de Morón e Rota para tal. “Queremos democracia, liberdade, direitos fundamentais para os iranianos, mas também quero ser muito claro: esta operação militar não tem a ver com democracia no Irã, tem a ver com outras coisas", afirmou em entrevista à Telecinco, divulgada pela Europa Press, na qual voltou a criticar a "ação unilateral" dos Estados Unidos e de Israel, bem como os "ataques injustificados" do Irã contra países da região em retaliação.
Nesse sentido, depois que a Alemanha, a França e o Reino Unido indicaram que poderiam atacar o Irã para defender seus interesses e os de seus aliados no Oriente Médio, Albares insistiu que “este é o momento da desaceleração” e do retorno à mesa de negociações diante de “uma escalada militar bélica cujas ramificações são impossíveis de calcular ou prever por ninguém”.
Por outro lado, o ministro negou novamente que os Estados Unidos estejam usando as bases de Rota e Morón nesta operação. “Quero ser muito claro e muito enfático: as bases não são e não serão usadas para nada que não esteja dentro do acordo e para nada que não se encaixe na Carta das Nações Unidas”, afirmou categoricamente.
“Não tenho a menor informação de que os Estados Unidos estejam usando nossas bases, porque são bases de soberania espanhola, para esta operação”, acrescentou, garantindo que o governo não vai emprestar suas bases “para que se possa participar de nada que não esteja dentro do acordo” que existe com os Estados Unidos ou que “não se enquadre na Carta das Nações Unidas”. ESPANHÓIS PRESOS
Quanto à situação dos cerca de 30.000 espanhóis que foram afetados pela escalada na região, ele garantiu que tanto o Ministério quanto as embaixadas nos países afetados estão tentando fornecer todas as informações e assistência possíveis, dadas as circunstâncias.
“Eles têm que entender que, neste momento, a situação em que se encontram, especialmente aqueles que estão no Irã (...) e nos Emirados, países muito, muito afetados, é exatamente a mesma situação em que se encontram todos os cidadãos de todos os países do mundo, porque os espaços aéreos estão fechados e, portanto, é impossível para qualquer avião comercial ou de outro tipo entrar ou sair desses países”, disse ele.
Nesse sentido, reconheceu que “enquanto essa situação durar, tudo é muito mais complicado”, dando a entender que, por enquanto, não é possível realizar nenhuma operação de evacuação, mas tanto as embaixadas quanto a unidade de emergência consular do Ministério “estão permanentemente atentas a eles”.
“Eu, pessoalmente, estou à frente de todo esse grupo de embaixadores para que os espanhóis recebam a melhor atenção e possam regressar a Espanha, aqueles que o desejarem, o mais rapidamente possível, porque neste momento não é possível nem para eles nem para os cidadãos de nenhum país do mundo”, reforçou.
LÓPEZ AFIRMA QUE A ESPANHA NÃO PARTICIPARÁ EM NENHUMA AÇÃO MILITAR
Na mesma linha, pronunciou-se o ministro da Transformação Digital, Óscar López, que apoiou a posição do Governo de que não apoiará “nenhum ataque ilegal” que “não responda à legalidade e ao direito internacional” e defendeu o retorno à diplomacia e à desaceleração.
“O caminho não é a violência; o caminho não é continuar numa escalada que só nos leva a um cenário verdadeiramente preocupante e muito desconhecido”, advertiu em declarações à Catalunya Radio, recolhidas pela Europa Press. Questionado, concretamente, se o Governo se juntará à França, Alemanha e Reino Unido, López descartou essa possibilidade. “A Espanha não contempla participar em nenhuma ação militar, que além disso não tem o apoio das Nações Unidas nem da legalidade internacional”, afirmou.
Por outro lado, questionado sobre se os ataques dos Estados Unidos ao Irã utilizariam navios e aviões que partem da base naval de Rota, na província de Cádiz, López limitou-se a responder que “nada que dependa ou afete a soberania de um país como a Espanha fará parte desse ataque”.
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