Carlos Luján - Europa Press
MADRID 15 fev. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, defendeu neste sábado a necessidade de a Europa estar presente "em todos os momentos" em qualquer negociação de paz sobre a Ucrânia e rejeitou a possibilidade de que a invasão russa tenha um "prêmio".
"Esta guerra de agressão russa deve terminar com uma paz justa e uma paz duradoura. A Europa precisa estar sempre presente na mesa de negociações e queremos fazer isso junto com os Estados Unidos, como estivemos juntos durante esses três longos anos de agressão russa na Ucrânia", disse Albares a repórteres de Munique, onde está participando da Conferência de Segurança de Munique.
Albares destacou que na reunião com seus colegas europeus e o enviado especial de Donald Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, que "uma guerra de agressão não pode ter um prêmio". "Uma guerra de agressão não pode ter um prêmio. Porque isso tornaria o mundo mais instável e ninguém estaria livre de seu vizinho mais poderoso querer lançar uma guerra de agressão amanhã", argumentou.
"O intercâmbio foi construtivo e deixou claro que queremos continuar trabalhando em conjunto com os Estados Unidos sob certas condições. Também acredito que nossa posição ficou clara, e também foi apropriado deixar isso claro para a nova administração dos EUA", disse Albares.
O ministro espanhol expressou seu otimismo em relação aos contatos com os Estados Unidos. "E espero, espero, espero, e já disse isso, que possamos continuar trabalhando juntos. Acredito que isso será benéfico para todos, para a segurança euro-atlântica, para a ordem mundial, para a defesa do direito internacional, para a soberania e a segurança da Ucrânia", enfatizou.
Albares insistiu na posição de "unidade europeia", "na importância de respeitar a soberania da Ucrânia em todos os momentos", ao mesmo tempo em que defendeu o fato de que os europeus devem tomar suas próprias decisões. "É por isso que nos reunimos em Paris há alguns dias para dizer que continuaremos a apoiar a Ucrânia pelo tempo que for necessário", lembrou.
ELEIÇÕES NA ALEMANHA
Albares mencionou uma reunião com sua colega alemã, Annalena Baerbock, que está imersa na campanha eleitoral com vistas às eleições legislativas de 23 de fevereiro, e outros ministros europeus, a quem ele transmitiu "que a Europa é, acima de tudo, uma construção da democracia".
"Essa democracia é inseparável da construção do projeto europeu. Que a Europa não pode ser entendida sem ser uma sociedade aberta. Que a Europa foi construída contra as ideias e as forças da extrema direita que queriam aliquotá-la há muitas décadas", disse ele, referindo-se à ascensão do partido alemão de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
O ministro apoiou a defesa da "tolerância, do pluralismo, dos valores da paz, da igualdade (...) tanto em face da agressão russa contra a Ucrânia quanto contra qualquer força que queira se opor a eles". "Porque se opor a eles, enfraquecê-los, prejudicá-los, é querer destruir o projeto europeu", reiterou.
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