Publicado 19/03/2026 08:01

Albares considera que a guerra no Irã está "fora de controle" e alerta para a "desestabilização total" do Oriente Médio

O ministro dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação, José Manuel Albares, durante a apresentação do III Plano Nacional de Ação Mulheres, Paz e Segurança (2025-2030), na sede do ministério, em 2 de março de 2026, em Madri (Espanha). Com
Jesús Hellín - Europa Press

MADRID 19 mar. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, exigiu que Israel e os Estados Unidos "percebam" que a guerra no Irã está "fora de controle", ao mesmo tempo em que alertou para a completa desestabilização do Oriente Médio com esse conflito que provocou, segundo ele, até um milhão de deslocados no Líbano.

Foi o que Albares declarou em entrevista à emissora 'BBC News', divulgada pela Europa Press, ao ser questionado sobre as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas quais ele afirmava não ter conhecimento do ataque ao campo de gás do Catar, South Pars, e prometia que Israel não voltaria a fazê-lo.

Nesse contexto, Albares destacou que entende que “Israel e os Estados Unidos têm objetivos diferentes na guerra”, mas o importante é que os participantes desse conflito “percebam que ele está fora de controle”. “Não temos muita clareza sobre quanto tempo isso pode durar, quais são os objetivos dessa guerra que está colocando em risco a vida de milhões de pessoas”, afirmou.

Em sua opinião, a guerra no Irã “desestabilizou completamente o Oriente Médio”, com “catástrofes humanitárias” como no Líbano, cuja ofensiva israelense já deixou um milhão de deslocados, e provocando um aumento “vertiginoso” nos preços da energia. “É uma verdadeira vergonha para a humanidade”, repreendeu o chefe da diplomacia espanhola, que também afirmou que “o bem-estar de todo o mundo está sendo colocado em risco, inclusive o dos cidadãos espanhóis e europeus”.

Para o ministro, “não há solução militar para esta situação” no Irã, razão pela qual defendeu o retorno à mesa de negociações para promover uma desescalada do conflito. “É a única solução. A segurança nunca se alcança apenas por meio da força militar”, destacou.

“IMENSA MAIORIA DOS PAÍSES” COM O DIREITO INTERNACIONAL

Dito isso, Albares destacou que a “imensa maioria dos países” acredita no direito internacional e nos princípios da Carta das Nações Unidas, pois a alternativa a esses princípios é o “puro uso da força”. “Se começarmos a semear a desordem por toda parte, no final, chegaremos ao caos”, afirmou.

A esse respeito, ele reafirmou a posição espanhola em relação à ofensiva contra o Irã, que constituiu uma “ação unilateral” e não se ajusta aos princípios das Nações Unidas. Segundo ele insistiu, o direito internacional continua sendo a “melhor via” para manter relações virtuosas com todos os países.

Nesse sentido, Albares defendeu que o governo espanhol tem uma “política externa coerente” que defende “os mesmos objetivos e princípios” na Ucrânia, no Oriente Médio ou na Groenlândia, ao mesmo tempo em que destacou que “cada vez mais países se somam à postura da Espanha” na defesa do respeito ao direito internacional e quanto ao impacto que as consequências da guerra têm “no bem-estar dos cidadãos”.

RELAÇÃO COM OS EUA

Questionado sobre as atuais relações do governo espanhol com os Estados Unidos, após as críticas do presidente Donald Trump, Albares defendeu que os EUA “são o aliado natural e histórico da Europa” e que, nesse contexto, a Espanha mantém “uma relação comercial muito sólida”.

Ele citou como exemplo que a Espanha é “um dos grandes compradores” de gás natural liquefeito dos Estados Unidos ou sua presença histórica no flanco oriental da Europa e na missão da OTAN no Iraque, “contribuindo para a segurança euro-atlântica”. “Trabalhamos para que essa relação continue tão sólida como sempre e mutuamente benéfica para a Espanha, a Europa e também para os Estados Unidos”, afirmou o ministro.

Por fim, Albares defendeu que é “o momento” de a Europa dar um passo à frente em sua soberania, econômica e comercial, mas também em matéria de segurança.

Segundo explicou, a Espanha pede “uma melhor integração das indústrias de defesa” da Europa e a criação de um exército europeu, não para substituir os exércitos nacionais, mas para criar uma “força de resposta rápida para garantir nossa própria dissuasão”. Para o ministro, a Europa deve “equilibrar, ser uma voz da razão” e “defender o direito internacional, a negociação e a diplomacia”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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