Gabriela Sardá Núñez - Europa Press
CEUTA, 11 ago. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, classificou nesta terça-feira como “frívolas” as críticas da Itália após a crise migratória em Ceuta, ressaltando que a fronteira da Espanha com as duas cidades autônomas é a “mais complexa do mundo” e repreendeu as “notícias falsas” que, por interesses políticos internos, foram divulgadas nos últimos dias pelo governo de Giorgia Meloni.
Durante a coletiva de imprensa que concedeu em Ceuta após se reunir com o presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, Albares explicou que, nas conversas que mantém com seus colegas da UE, incluindo os comissários de Assuntos Internos e para o Mediterrâneo, ele desmonta as “notícias falsas” e as “interpretações tendenciosas, partidárias e ideológicas” que, em sua opinião, estão sendo feitas da situação em Ceuta.
“Transmito a realidade desta cidade para que trabalhemos todos juntos e para reforçar a fronteira mais singular, mais complexa e mais especial que a União Europeia possui, juntamente com a de Melilla”, enfatizou Albares, antes de insistir que nenhuma das pessoas que entraram irregularmente em Ceuta saiu em direção à Península “nem pode fazê-lo”, pois existe um “duplo filtro de controle” na fronteira. “Explico aos meus colegas europeus que Ceuta e Melilla garantem a integridade do espaço Schengen”, ressaltou.
Nesse contexto, ele destacou que o que recebe “em sua maioria” é a convicção de que a Espanha e Ceuta merecem o “apoio, o envolvimento e a solidariedade” europeus, embora tenha criticado duramente o “confronto” e a “desinformação” que, segundo ele, são praticados por “alguns”.
Ele se referia à “internacional reacionária”, com seus “braços na Europa, incluindo a Espanha”, que, segundo denunciou, optaram por “se coordenar”, não “para resolver a situação, mas para explorá-la em benefício próprio, partidário e ideológico”.
RECEBEM O DOBRO DE IMIGRANTES IRREGULARES QUE A ESPANHA
Albares incluiu o governo de Giorgia Meloni entre aqueles que, por esse afán partidário e por suas “necessidades eleitorais internas”, tentam explorar essa “situação inédita” e chamou a atenção para o fato de que “o país que tem o maior número de entradas irregulares na Europa”, mais precisamente, o dobro das da Espanha, seja justamente aquele que optou por introduzir “controles migratórios nos voos e navios que chegam da Espanha”.
Nesse ponto, o ministro das Relações Exteriores acrescentou que os deslocamentos de imigrantes irregulares entre a Espanha e a Itália costumam ser “ínfimos”, pois “praticamente não chegam a 1%”.
“Todos os europeus precisam tomar consciência de que, quando falamos da fronteira de Ceuta e Melilla, que é a fronteira da Espanha e a fronteira da União Europeia, estamos falando não apenas da fronteira mais complexa e mais especial da Europa, mas da fronteira mais complexa e mais especial do mundo, que é a fronteira da Europa com a África”, afirmou o ministro.
E acrescentou: “Isso diz tudo e, portanto, não se pode falar com a leveza e a frivolidade com que o governo italiano tem falado”.
Meloni não foi a única a criticar a atuação do governo espanhol. A primeira-ministra da Dinamarca, a social-democrata dinamarquesa Mette Frederiksen, concordou com a líder italiana ao criticar as políticas de imigração descontrolada, enquanto o primeiro-ministro sueco, o “moderado” Ulf Kristersson, classificou como “uma péssima ideia” a regularização extraordinária de imigrantes aprovada pelo governo de Pedro Sánchez.
REFORÇAR O APOIO ÀS CIDADES AUTÔNOMAS
Na coletiva de imprensa, Albares aproveitou para insistir na necessidade de a Europa reforçar o apoio a Ceuta e Melilla, levando em conta “sua especificidade também do ponto de vista social e econômico”.
Para encerrar, ele fez um apelo para que se trabalhe em prol de Ceuta a partir da unidade de todas as forças políticas espanholas, “independentemente da orientação política”, e também a partir da “unidade de todos os europeus”.
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