Eduardo Parra / Europa Press
Ele afirma que seu homólogo marroquino lhe garantiu que “é claro que eles não estavam por trás” da entrada em massa
MADRID, 8 set. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, alertou que as declarações reivindicando Ceuta e Melilla por parte de ministros marroquinos, por mais que ocorram em meio à campanha para as eleições de 23 de setembro, “prejudicam as relações bilaterais”, ao mesmo tempo em que ressaltou que a Espanha “jamais” discutirá essa questão.
Essa é a mensagem que ele transmitiu ao seu homólogo marroquino, Naser Burita, depois que vários ministros marroquinos voltaram a colocar em pauta a reivindicação sobre ambas as cidades autônomas, deixando bem claro que “são absolutamente inaceitáveis”.
“Ceuta e Melilla são da Espanha. E nem falamos, nem falamos, nem jamais falaremos com o Marrocos sobre nossa integridade territorial”, enfatizou categoricamente Albares, em entrevista à La1, divulgada pela Europa Press.
O ministro explicou que transmitiu isso a Burita, que lhe fez notar que as declarações ocorrem em um “contexto eleitoral”, que os ministros que as fizeram não o fazem na qualidade de ministros, mas como representantes de diferentes partidos políticos e que “certamente essa não é a posição oficial”.
Albares afirmou que essa explicação não lhe serve e que, “independentemente do contexto eleitoral”, declarações como as que vêm ocorrendo “prejudicam nossa relação bilateral”. “Vocês sempre vão me encontrar do outro lado”, afirmou categoricamente, garantindo que não pretende “tolerar nenhuma dúvida, nenhum comentário sobre nossa integridade territorial”.
MARROCOS NÃO ESTAVA POR TRÁS DA ONDA DE MIGRANTES
Quanto à entrada em massa de migrantes em Ceuta no final de julho, o ministro indicou que ligou imediatamente para seu homólogo marroquino, que lhe garantiu que “é claro que eles não estavam por trás disso”. Além disso, acrescentou, Burita lhe disse que “estavam mobilizando imediatamente todos os meios necessários para conter esse fluxo, que era maciço e que, em determinado momento, sobrecarregou a todos”.
Diante disso, ele sustentou que o governo não pode “confirmar quem está por trás disso” mas o que está claro é que houve “um movimento absolutamente incomum nas redes sociais” nos dias anteriores, mas sobretudo no dia 30 de julho, que transmitia a mensagem de que a fronteira estava aberta, depois que a decisão do Supremo Tribunal de 8 de julho havia sido “deturpada”.
“A chave está nas redes sociais. Esse é o gatilho final, o fator que empurra milhares de seres humanos em direção a Ceuta. E é aí que está a chave de onde tudo começa também”, argumentou o chefe da diplomacia.
No entanto, ele lembrou que “há investigações em andamento” e que o que o governo busca são “certezas para poder tomar as decisões de acordo com elas” e evitar que se repitam acontecimentos como os vividos no final de julho.
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