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BRUXELAS 5 jun. (EUROPA PRESS) -
A cúpula da União Europeia com os países dos Balcãs, realizada nesta sexta-feira em Tivat (Montenegro), evidenciou a diferença entre os países candidatos à adesão ao bloco comunitário, com parceiros como a Albânia e Montenegro esperando tornar-se em breve membros do clube, enquanto outros países da região, como a Sérvia, evitam alinhar-se com Bruxelas em matéria de política externa.
O primeiro-ministro albanês, Edi Rama, foi o mais enfático ao exigir da UE um “momento Helmut Kohl”, ou seja, copiar o que o ex-chanceler alemão decidiu fazer após a queda do Muro de Berlim em 1989: reunificar a Alemanha rapidamente, sem esperar que a República Democrática Alemã (RDA) cumprisse todos os requisitos econômicos e políticos prévios.
“Acredito que a Europa, antes de tudo, deveria ser mais ousada, deveria manter o processo baseado em méritos, deveria avançar para uma integração gradual, mas, acima de tudo, deveria encontrar a coragem para um novo momento Helmut Kohl”, afirmou em declarações à imprensa antes de participar do encontro.
Rama alertou para as possíveis consequências caso não se realize um processo de adesão de forma rápida, advertindo que excluir os Balcãs das instituições europeias enquanto cumprem reformas equivale a “dizer aos filhos para ficarem com os vizinhos”, com o risco de esses países acabarem gravitando em torno da Rússia ou da China antes de concluir sua integração.
Por sua vez, o primeiro-ministro de Montenegro, Milojko Spajic, aproveitou sua condição de anfitrião para lançar uma mensagem de determinação, garantindo que seu país está “pronto para dar o passo final” e aspira se tornar o “primeiro novo membro” da União Europeia.
“Esta cúpula representa muito mais do que apenas mais uma reunião de líderes. É um ponto de inflexão para Montenegro, para os Balcãs Ocidentais e para a própria União Europeia. Em um momento em que o processo de ampliação recuperou importância estratégica graças a todos vocês, este encontro traz nova esperança e energia renovada a todos os países candidatos”, afirmou.
SÉRVIA REIVINDICA SOBERANIA E EVITA A QUESTÃO RUSSA
Enquanto isso, o presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, adotou o tom mais ambíguo entre os países balcânicos, limitando-se a afirmar que seu país está “no caminho europeu” e evitando responder a perguntas sobre se se sente mais próximo da União Europeia em sua condenação à Rússia pela invasão da Ucrânia.
“Estamos em nosso caminho europeu. Isso é tudo o que posso dizer. Esse é o nosso objetivo estratégico (...) Trata-se de ter espírito livre. Sinto-me um homem muito livre, o que significa que lidero um povo soberano, independente e amante da liberdade, num país assim”, respondeu o líder sérvio à imprensa.
Vucic centrou sua intervenção perante a imprensa em destacar as conquistas econômicas da Sérvia, citando um crescimento de 3,2% no primeiro trimestre e mais de 630 quilômetros de novas estradas construídas, “mais do que nos 70 anos anteriores”, e destacou que a Sérvia se tornou "em todos os sentidos" "a economia mais forte dos Balcãs Ocidentais".
Ele destacou que, embora esteja ciente de que a Sérvia precisa realizar “muitas reformas”, seu país não recebeu “sermões nem lições de ninguém” e foi tratado pelos países da União Europeia “com verdadeiro respeito”. “Isso é algo que valorizamos muito”, concluiu.
KOSOVO PEDE “TRATAMENTO JUSTO” E A MACEDÔNIA DO NORTE COMEMORA AVANÇOS
Por sua vez, a presidente interina do Kosovo, Albulena Haxhiu, comprometeu-se a defender nesta sexta-feira, perante os líderes da União Europeia, os méritos do país para uma candidatura à adesão, desde que receba um tratamento “justo e igualitário”.
"O Kosovo merece o status de candidato", resumiu Haxhiu, defendendo as "importantes reformas" que realizou e a relativa estabilidade atual, após recrudescimentos das tensões com a Sérvia e uma recente crise política que esteve prestes a comprometer milhões de euros em ajuda da União Europeia.
Atualmente, o Kosovo não é candidato à adesão à UE porque cinco Estados-Membros, entre eles a Espanha, não reconhecem a independência da antiga província sérvia, o que tem complicado, ao longo dos anos, sua relação com a UE e o debate sobre sua integração europeia.
Nesse sentido, o primeiro-ministro da Macedônia do Norte, Hristijan Mickoski, comemorou que o processo de ampliação da União Europeia “está vivo” e que a tarefa dos países balcânicos é continuar avançando na integração ao bloco comunitário.
Mickoski revelou ter mantido reuniões com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o chanceler alemão, dois encontros “cordiais e amigáveis” nos quais foram abordados “temas importantes para o futuro de nossos cidadãos e as perspectivas europeias, assuntos nos quais vêm trabalhando há muito tempo”.
Atualmente, a UE mantém conversações de adesão com a Sérvia, a Bósnia e Herzegovina, a Macedônia do Norte, a Albânia e Montenegro, sendo que estes dois últimos são os que estão mais avançados nas negociações com Bruxelas.
Também há negociações para a adesão à União com a Ucrânia, a Moldávia e a Turquia, embora o diálogo com o país governado por Recep Tayyip Erdogan esteja congelado há anos devido à sua deriva antidemocrática.
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