Publicado 08/05/2026 08:26

Albanese vê “um começo” e não um gesto simbólico no pedido de Sánchez para anular as sanções dos EUA

A relatora especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese,
LORENA SOPENA - EUROPA PRESS

Acusa a Grécia de colaborar com a “operação” de Israel para levar ativistas da Flotilha ao território helênico

BARCELONA, 8 maio (EUROPA PRESS) -

A relatora especial das Nações Unidas para a Palestina, Francesca Albanese, comemorou o fato de o presidente do Governo, Pedro Sánchez, ter solicitado à UE que acione um mecanismo para anular, em território europeu, as sanções dos Estados Unidos contra Albanese e outros defensores do direito internacional: “Não acredito que o que o presidente Sánchez fez seja meramente simbólico, mas muito pelo contrário: é um começo”.

Foi o que ela declarou nesta sexta-feira em coletiva de imprensa antes da apresentação de seu livro 'Quan el món dorm' (Tigre de Paper) em Barcelona, ao ser questionada sobre a decisão de Sánchez — com quem se reuniu nesta quinta-feira — de pedir à presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von der Layen, que acione o Estatuto de Bloqueio, um mecanismo que permite anular normas de países terceiros que afetem os interesses da UE.

"Fiquei comovida com o gesto dele, fiquei emocionada porque é algo que o meu próprio Estado não fez. As próprias autoridades italianas não disseram uma única palavra em apoio ao meu trabalho, à minha atuação”, lamentou Albanese.

Ela acusou a Itália de contribuir para “criar um ambiente violento e atroz que, ao mesmo tempo em que castiga os sancionados, também propicia as condições para que os crimes continuem”, os quais ela mesma analisou na Palestina.

A relatora da ONU destacou que fazer o que é certo tem um efeito multiplicador: “Se todos os líderes europeus, ou se metade deles, fizessem o que o presidente Sánchez fez ontem em nome do povo espanhol, as coisas seriam diferentes”, e acrescentou que não esperava esse gesto por parte da Espanha.

CAPTURA DE ATIVISTAS DA FROTA

Albanese sustentou que a captura, pelo Exército de Israel, de ativistas da Global Summud Flotilla em águas internacionais em 30 de abril “deveria ter desencadeado uma reação contundente por parte dos Estados-membros” da UE, e qualificou o ocorrido como sequestro, após o que apontou para uma escalada desse tipo de intervenção por parte de Israel.

“Isso já aconteceu no ano passado na costa de Malta, e depois a Flotilha foi atacada quando se encontrava bem em frente à costa tunisiana”, lembrou Albanese, que alertou que a situação está se agravando e se intensificando diante da impunidade que, em sua opinião, Israel tem ao realizar esse tipo de ação.

Ele também acusou a Grécia de colaborar com a “operação” de Israel para levar ativistas da Flotilha para o país helênico, com exceção de dois, em alusão ao ativista espanhol Saif Abukeshek e ao brasileiro Thiago Ávila, que se encontram presos em Israel após sua captura enquanto participavam da missão humanitária da Global Summud Flotilla.

“Quanto mais impunidade Israel tiver, mais continuará intimidando todos à sua volta, violando o direito internacional e cometendo crimes”, alertou Albanese, que criticou o fato de as autoridades gregas não terem intervindo para impedir que Israel capturasse a Flotilha.

Para ela, Israel usa o maltrato desses ativistas para “demonstrar a magnitude de sua impunidade”, e destacou que, se não houver uma estratégia para garantir que se rompa uma cadeia de cumplicidades com Israel, o sacrifício feito pelos membros da Flotilha não mudará nada.

Albanese também lamentou que tenha havido uma “resposta lenta” dos Estados europeus às ações de Israel e uma normalização dos crimes que está cometendo.

A SOLUÇÃO “NÃO VIRÁ” DA ONU

A relatora da ONU afirmou que a solução para a Palestina “não virá” das Nações Unidas, pois considera que se trata de uma organização paralisada, devido ao direito de veto no Conselho de Segurança.

“A solução está realmente em nossos cidadãos. É necessária uma mudança profunda. A razão pela qual o seu governo é tão forte, tem uma voz tão poderosa no âmbito internacional, é graças a vocês, é graças ao povo”, disse ela em referência ao governo espanhol, após o que defendeu que as pessoas podem provocar mudanças, embora tenha reconhecido que isso leva tempo.

Albanese garantiu que poderia haver um mediador na Palestina e destacou que há tentativas de criar uma massa crítica significativa: “O que precisamos agora é de perseverança para não matar a ideia do multilateralismo internacional”.

Ela considera que um possível mediador surgirá do que ela denomina o “multilateralismo descolonizado”, e acrescentou que, atualmente, “não há espaço para que a voz” de possíveis mediadores seja ouvida.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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