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A relatora da ONU afirma que esses materiais são “testemunho” do que ocorreu durante a ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza
MADRID, 7 set. (EUROPA PRESS) -
A relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, ressaltou nesta segunda-feira que a remoção dos escombros da Faixa de Gaza por parte de Israel “não deve destruir as provas de crimes internacionais” no contexto da ofensiva lançada pelas forças israelenses contra o enclave após os ataques de 7 de outubro de 2023.
“A remoção, trituração e realocação de escombros em andamento em Gaza não devem destruir provas de crimes internacionais nem impedir a recuperação e identificação de restos mortais no enclave sitiado”, destacou ela, antes de afirmar que as implicações dessas ações “são profundas”.
Assim, explicou que “os escombros em Gaza contêm restos mortais e provas físicas relacionadas à investigação de supostos crimes internacionais, incluindo um genocídio”. As autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas, estimam que mais de 10 mil corpos continuam entre os escombros dos prédios bombardeados por Israel.
Albanese alertou, portanto, que as restrições de acesso impostas por Israel em cerca de 70% da Faixa, incluindo o controle militar parcial do enclave, não podem ser dissociadas da ilegalidade da presença de Israel nos Territórios Palestinos Ocupados, conforme afirmou, em julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça (CIJ).
“Na devastada Gaza, os escombros não são apenas resíduos de construção. São parte da cena de um crime, um cemitério e o testemunho material do que aconteceu durante uma campanha brutal e insensata de bombardeios que durou dois anos”, afirmou Albanese, que lembrou que, em 4 de agosto, foram enterrados na Faixa mais de 110 palestinos cujos restos mortais foram recuperados em um prédio da cidade de Gaza destruído em novembro de 2023.
Nesse sentido, ele descreveu como “vital” que “antes que sejam tomadas decisões sobre a remoção ou trituração (dos escombros) pelo Exército ocupante ou seus aliados, seja realizada a recuperação e identificação digna dos restos mortais, a documentação sistemática dos locais e dos materiais, a preservação das provas potencialmente relevantes e o estabelecimento de uma cadeia de custódia ininterrupta sob supervisão independente”.
Albanese solicitou, para esse fim, que pesquisadores internacionais supervisionem esses trabalhos, ao mesmo tempo em que alertou que “os atores estatais e as empresas envolvidas na eliminação devem levar em conta que, ao destruírem provas de crimes internacionais, podem incorrer em responsabilidade penal internacional em relação a esses crimes”.
Nesse contexto, ele insistiu que sua preocupação se deve à magnitude e à natureza da destruição sofrida por Gaza no âmbito da ofensiva, ao mesmo tempo em que lembrou um relatório de um relator da ONU que indica que pelo menos 92% das unidades habitacionais da Faixa, juntamente com a infraestrutura civil, foram destruídas ou sofreram danos.
A relatora destacou ainda que Israel continuou utilizando maquinário pesado para realizar demolições nas áreas sob seu controle, apesar do acordo alcançado em outubro de 2025 para implementar a proposta dos Estados Unidos para Gaza, que incluiu um cessar-fogo.
“Qualquer remoção (de materiais) deve ocorrer no âmbito de um plano elaborado pelos palestinos e apoiado por atores que gozem de sua confiança”, ressaltou Albanese, que reiterou que “destruir provas de crimes atrozes é ilegal”. “É inaceitável que a reconstrução de Gaza esteja condicionada ao apagamento de seu passado e das provas necessárias para garantir justiça às suas vítimas”, acrescentou.
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