Albert Otti/dpa - Arquivo
A agência já havia denunciado em 2011 que o local "muito provavelmente" abrigava um reator não declarado pelo regime de Al Assad.
MADRID, 2 set. (EUROPA PRESS) -
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que seus inspetores encontraram vestígios de urânio em um edifício localizado na província síria de Deir Ezzor (leste) bombardeado em 2007 pelo exército israelense e em torno do qual havia dúvidas sobre a possibilidade de que abrigasse um reator nuclear não declarado à agência pelo regime de Bashar al Assad, derrubado em dezembro de 2024 por uma ofensiva de jihadistas e rebeldes liderados pelo Hayat Tahrir al Sham (HTS).
Um porta-voz da agência confirmou em declarações dadas à Europa Press que essas conclusões estão incluídas em um relatório apresentado na segunda-feira pelo diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, ao Conselho de Governadores da agência após o "reengajamento" acordado em março de 2024 com Damasco, que levou a "um processo de esclarecimento de questões pendentes de salvaguardas relacionadas a atividades nucleares passadas".
Ele disse que, entre junho e outubro de 2024, os inspetores da agência coletaram amostras ambientais em três locais "supostamente relacionados funcionalmente" às instalações em Deir Ezzor, que a agência havia alertado em um relatório de 2011 que havia "muito provavelmente" um reator nuclear não declarado que foi destruído por Israel no bombardeio mencionado acima como parte da chamada 'Operação Pomar'.
A esse respeito, ele disse que, durante uma reunião realizada em junho deste ano em Damasco entre Grossi e o novo presidente de transição e líder do HTS, Ahmed al Shara, a Síria "concordou em cooperar com a agência, com total transparência, na abordagem de atividades nucleares passadas" no país, de modo que o chefe da AIEA solicitou "assistência" da agência para "retornar às instalações em Deir Ezzor nos próximos meses para uma análise mais aprofundada, acesso à documentação relevante e para falar com os envolvidos em atividades nucleares passadas".
"No mesmo dia, a agência entregou à Síria os resultados da análise das amostras ambientais coletadas nos três locais visitados em 2024", especificou em sua declaração, na qual detalhou que "a análise revelou um número significativo de partículas naturais antropogênicas de urânio nas amostras coletadas em um desses três locais".
"Algumas dessas partículas de urânio são consistentes com a conversão de concentrado de minério de urânio em óxido de urânio", confirmou, antes de destacar que "as atuais autoridades sírias indicaram que não têm informações que expliquem a presença dessas partículas de urânio", que não teriam sido enriquecidas.
O EXAME DAS AMOSTRAS CONTINUA
O porta-voz da AIEA disse que Damasco autorizou, em 5 de junho, uma segunda visita ao local para "apoiar a agência em seus esforços para entender melhor as atividades do ciclo de combustível nuclear que ocorreram nesse local", permitindo a coleta de "amostras ambientais adicionais".
"A agência examinará os resultados de todas as amostras ambientais coletadas nesse local e as informações obtidas na visita planejada ao local em Deir Ezzor", disse o porta-voz, que afirmou que o órgão internacional "pode realizar atividades de acompanhamento, se necessário".
Nesse contexto, ele enfatizou que Grossi "saúda o engajamento renovado da Síria com a agência em questões de salvaguardas não resolvidas" e acrescentou que ele "apresentará um relatório ao Conselho (de Governadores) assim que a agência tiver concluído sua avaliação dos resultados de todas as atividades de verificação relacionadas e depois que elas tiverem sido discutidas com a Síria".
"O Diretor Geral (da AIEA) está comprometido em obter clareza o mais rápido possível em relação às atividades nucleares passadas na Síria, com o objetivo de chegar a uma conclusão bem-sucedida o mais rápido possível sobre essas questões", disse o porta-voz da AIEA.
O regime de Assad sempre sustentou que o ataque israelense atingiu uma base militar em Deir Ezzor, embora essa versão tenha sido contestada quatro anos depois pela própria AIEA, que sugeriu que poderia ter sido uma instalação nuclear não declarada, violando seus compromissos.
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