MADRID 26 jun. (EUROPA PRESS) -
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, defendeu nesta quarta-feira a necessidade de seus inspetores voltarem ao Irã para avaliar os danos causados pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos e retomar a cooperação em assuntos nucleares, depois que o Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei para suspender seu trabalho com a agência.
"Precisamos voltar", disse ele aos repórteres, reiterando que sua "prioridade número um" é que os inspetores da AIEA retornem ao país da Ásia Central para avaliar os efeitos dos bombardeios e verificar o estoque de urânio altamente enriquecido.
Falando da capital austríaca, Viena, onde se reuniu com o chanceler Christian Stocker, o diretor da AIEA enfatizou que a comunidade internacional "não pode se dar ao luxo" de interromper o regime de inspeção. Nesse sentido, ele informou que está em contato com o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, "para analisar as modalidades" que permitiriam a continuidade das inspeções.
Grossi também disse que a saída do Irã do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) seria "muito lamentável". "Espero que não seja esse o caso. Não acho que isso ajudaria ninguém, a começar pelo Irã. Isso levaria ao isolamento e a todos os tipos de problemas.
Mais cedo na quarta-feira, o parlamento do Irã aprovou um projeto de lei para suspender a cooperação com a AIEA, de acordo com as acusações de Teerã contra Grossi por "trair o regime de não-proliferação". "O senhor transformou a AIEA em uma ferramenta de conveniência de países que não são signatários do TNP para privar os membros do TNP de seu direito básico de acordo com o artigo 4", disse o porta-voz Esmaeil Baqaei, referindo-se ao fato de que Israel não faz parte do acordo, mesmo tendo um arsenal nuclear.
Israel alegou que o objetivo de sua ofensiva era lidar com um suposto programa de armas nucleares de Teerã, que sempre rejeitou essas alegações e negou que tenha um programa nuclear militarizado.
Além disso, a onda de bombardeios foi desencadeada apenas dois dias antes de uma nova reunião programada entre o Irã e os Estados Unidos, que seria a sexta, para tentar chegar a um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano, depois que Donald Trump anunciou em 2018, durante seu primeiro mandato, a retirada unilateral de Washington do pacto histórico firmado em 2015, que incluía inúmeras inspeções e limitações ao programa de Teerã.
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