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MADRID, 5 jun. (EUROPA PRESS) -
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou nesta sexta-feira um “cessar-fogo local” nas imediações da usina nuclear de Zaporizhia, localizada no leste da Ucrânia e sob controle da Rússia em consequência da invasão desencadeada em fevereiro de 2022, para novas reparações em uma linha de fornecimento de energia elétrica às instalações, com o objetivo de “evitar a ameaça de um acidente nuclear”.
“Está em vigor um cessar-fogo local negociado pela AIEA na linha de frente, perto da usina nuclear de Zaporizhia, o que abre caminho para a realização de reparos cruciais nas linhas elétricas e evita a ameaça de um acidente nuclear", afirmou o órgão em uma mensagem publicada nas redes sociais.
Assim, destacou que “em trabalhos supervisionados por especialistas da AIEA, técnicos de ambas as partes começarão nos próximos dias a reparar os danos de guerra sofridos pela linha de abastecimento Dniprovska, de 750 quilovolts, após uma extensa remoção de minas na zona”. A linha ficou desconectada há mais de dois meses, deixando a usina dependente de uma única linha de abastecimento de 330 quilovolts para as operações de resfriamento de seus seis reatores.
O organismo destacou que, nas últimas semanas, a usina também perdeu “em várias ocasiões” o acesso a essa única linha, o que obrigou os geradores a diesel de emergência a fornecer eletricidade à usina. O cessar-fogo desta sexta-feira é o sexto alcançado desde há um ano, com a mediação da AIEA, para trabalhos de reparo na área.
“Nesta ocasião, os preparativos para os reparos foram complicados pela localização dos danos na linha elétrica: em torres de alta tensão que cruzam a linha de controle no rio Dnieper”, explicou a AIEA.
Por sua vez, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, destacou que tanto a Rússia quanto a Ucrânia interagiram “de forma construtiva” com a agência durante “semanas de conversas delicadas e complexas”, com vistas a um acordo “em nome da segurança nuclear”. “A AIEA continuará a fazer todo o possível para proteger as pessoas e o meio ambiente do risco de um acidente nuclear que não beneficiaria ninguém e que apenas acrescentaria devastação e sofrimento”, concluiu.
A própria AIEA denunciou na quinta-feira um ataque contra a central térmica vizinha de Zaporizhia, que fornece eletricidade à usina nuclear, após ter confirmado na quarta-feira que a usina nuclear havia voltado a perder temporariamente o fornecimento externo após um ataque de um drone contra uma subestação às margens do rio Dnieper, sem se pronunciar sobre a autoria.
As autoridades russas acusaram em várias ocasiões o Exército da Ucrânia de lançar ataques contra as instalações e seus arredores, incluindo um no sábado — quando um projétil ucraniano atingiu o prédio da turbina da Unidade 6 do complexo — e alertaram para o risco de acidente nuclear, embora Kiev atribua a Moscou esse tipo de incidente.
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