Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID, 24 jun. (EUROPA PRESS) -
As autoridades estabelecidas pelos talibãs no Afeganistão em agosto de 2021 afirmaram que, durante a visita de sua delegação a Bruxelas para discutir formas de acelerar a deportação de afegãos que chegaram de forma irregular à União Europeia (UE) tenha sido discutida uma possível retomada dos serviços consulares no continente, antes de expressarem seu desejo de que a visita “abra as portas para novas vias de interação positiva” com o bloco.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão e chefe da delegação, Abdulqahar Balji, indicou em um comunicado que a visita ocorreu “a convite da UE”, depois que a Comissão Europeia afirmou que o objetivo era discutir “em nível técnico” as formas de deportação de afegãos em situação irregular e daqueles a quem é negado o asilo por terem cometido crimes ou por serem considerados uma ameaça à segurança.
Assim, acrescentou que a equipe “realizou reuniões multilaterais e bilaterais com os Estados-membros da UE sobre a retomada dos serviços consulares aos afegãos que vivem na Europa, a promoção da confiança, a presença efetiva e as formas de resolver os problemas dos afegãos cujos pedidos de asilo não foram aceitos na Europa e que enfrentam inúmeras dificuldades”.
“Esperamos que esta visita abra novos caminhos para uma interação positiva, fortaleça o processo de resolução dos problemas dos afegãos que vivem no exterior e amplie ainda mais o clima de cooperação baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns”, concluiu Balji por meio de uma mensagem publicada nas redes sociais.
Esta é a primeira vez que representantes oficiais do Talibã pisam em solo da UE desde que retomaram o poder no Afeganistão em 2021. A medida foi tomada a pedido de cerca de vinte Estados-membros — entre os quais não está a Espanha — que solicitam a Bruxelas que coordene esses contatos, apesar das críticas de ONGs e do fato de o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, ter alertado sobre os “graves riscos” que os repatriados correm.
Embora seja a primeira vez que se reúnem em território comunitário, Bruxelas já havia tentado, em janeiro passado, iniciar esses contatos em Cabul, onde ocorreu a primeira reunião para explorar formas de agilizar a expulsão de afegãos sem direito de permanência na UE, em meio a críticas ao projeto, em meio ao endurecimento da política migratória em vários países do bloco.
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