Carlos Castro - Europa Press - Arquivo
A limitação é estabelecida entre os pontos 56,200 e 84,200 devido a “defeitos de geometria nos aparelhos de dilatação”. SANTIAGO DE COMPOSTELA 22 jan. (EUROPA PRESS) -
A Adif limitou temporariamente a velocidade máxima a 220 quilômetros por hora em 28 quilômetros da linha Ourense-Santiago, onde ocorreu o acidente do Alvia em Angrois há 13 anos, após avisos dos maquinistas sobre o estado da via.
Concretamente, a redução da velocidade máxima a que os trens podem circular nesta linha passa de 300 para 220 quilômetros por hora, “por defeitos de geometria nos dispositivos de dilatação”, no trecho que vai do quilômetro 56,200 ao 84,200, segundo informaram à Europa Press fontes a par desta decisão.
Por sua vez, fontes da Adif explicam que esta medida responde ao procedimento de segurança da empresa ferroviária, que indica que se aplica “automaticamente” uma limitação temporária de velocidade quando existe um alerta por vibrações como o que foi transmitido nesta linha. Quando as equipes de manutenção podem, geralmente à noite, vão verificar o estado da via. Ou seja, os responsáveis pela circulação da Adif avisam a manutenção e esta vai quando não há trens em serviço.
O descarrilamento de um Alvia nesta linha há 13 anos ocorreu no quilômetro 84,413, no início de uma curva, a de A Grandeira, na qual o maquinista deveria passar de 200 para 80 quilômetros por hora sem contar com o sistema de segurança máximo, o 'ERTMS', que teria freado o comboio em caso de falha humana.
Morreram 80 pessoas e 143 ficaram feridas, e a juíza condenou tanto o maquinista como o ex-diretor de segurança da Adif, por imprudência profissional grave, por excesso de velocidade e pela ausência de uma análise de risco nesse troço, respetivamente.
LTV As limitações temporárias de velocidade (LTV), como as que foram ativadas esta semana na Catalunha e em Valência, são restrições transitórias impostas ao limite máximo de velocidade de um trem em um trecho determinado por motivos de segurança, conforme explica o Ministério dos Transportes.
“É um procedimento padrão que a Adif implementa regularmente como medida de precaução diante de circunstâncias conjunturais (intervenções temporárias na infraestrutura, circunstâncias meteorológicas, detecção de defeitos na via...) e que são regulamentadas no artigo 1.5.1.10.2 do Regulamento de Circulação Ferroviária aprovado em 2015”, explica o departamento em um documento enviado à mídia nesta quinta-feira pela Delegação do Governo.
Este documento é distribuído em meio ao debate sobre o estado da rede ferroviária e após os acidentes ferroviários que causaram 45 mortes em Adamuz (Córdoba) e uma em Gelida (Barcelona). “São medidas preventivas que são adotadas e suspensas quando se verifica que não há risco. Na alta velocidade, essas LTV são atualizadas a cada hora. O número de LTV é um parâmetro técnico, que depende de fatores operacionais, e não pode ser usado como um indicador estatístico da qualidade da infraestrutura”, precisa o texto. “Em todo caso, o número de ativações se manteve estável nos últimos anos, apesar do aumento do tamanho da rede e do número de passageiros. Em 2025, essas limitações foram ativadas 2.144 vezes, 50 a menos que no ano anterior”, destaca. ACIDENTES
O relatório, distribuído pela Delegação um dia após a coletiva de imprensa do ministro Óscar Puente, também reúne dados sobre acidentes e precisa que o de Angrois, em 24 de julho de 2013, consistiu no descarrilamento de “um trem Alvia de alta velocidade” em uma curva a 3 quilômetros da estação de Santiago.
“Em outubro de 2015, a instrução foi encerrada, embora em maio de 2016 o Tribunal Provincial de A Coruña tenha ordenado sua reabertura. O processo foi concluído em 26 de julho de 2024, com a sentença do Tribunal Penal de Santiago. Foram 11 anos até a sentença. No entanto, foi interposto recurso perante o Tribunal Provincial, ainda pendente de decisão, de modo que o processo está aberto há 12 anos e 5 meses”, constata.
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