Publicado 09/08/2025 09:01

Acordo entre Armênia e Azerbaijão dá aos EUA vantagem estratégica no sul do Cáucaso

Washington recebe direitos de desenvolvimento para um corredor importante entre o Azerbaijão e seu exclave de Nakhichevan através da Armênia

8 de agosto de 2025, Washington, Distrito de Columbia, EUA: Ilham Aliyev, presidente do Azerbaijão, à direita, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma cerimônia de assinatura na Sala de Jantar do Estado da Casa Branca em Washington, DC, EUA, na
Europa Press/Contacto/Nathan Howard - Pool via CNP

MADRID, 9 ago. (EUROPA PRESS) -

A declaração conjunta assinada na sexta-feira na Casa Branca pelos líderes da Armênia e do Azerbaijão representa uma vitória estratégica para os Estados Unidos, que ganham os direitos de desenvolver um corredor estratégico que liga o Azerbaijão ao seu exclave de Nakhichevan através do sul da Armênia.

Essa rota tem o nome histórico de corredor Zangezur, mas o acordo de sexta-feira entre o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinian, e o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, carimba o nome do anfitrião da reunião: Trump Route to International Peace and Prosperity (TRIPP).

O texto completo do acordo será divulgado na próxima segunda-feira, mas a declaração conjunta de sexta-feira estipula como uma condição irrecorrível do acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão a obtenção de "conectividade desimpedida entre a maior parte da República do Azerbaijão e a República Autônoma de Nakhchivan através do território da República da Armênia" por meio desse corredor.

Horas antes da assinatura, a Casa Branca confirmou que o acordo concedeu aos Estados Unidos "direitos exclusivos para o desenvolvimento" da rota de 43 quilômetros através da região de Syunik, na Armênia, que também se conectará à Turquia, fortalecendo a posição do Azerbaijão como um dos epicentros comerciais da região do sul do Cáucaso.

Sem entrar em detalhes, Trump adiantou que os EUA poderiam manter os direitos pelos próximos 99 anos. O Irã pode ser um dos principais perdedores de um acordo que representa um obstáculo ao acesso natural da república islâmica ao sul do Cáucaso via Armênia.

A Rússia também não se beneficiará do acordo. De fato, Konstantin Zatulin, vice-chefe do Comitê do Parlamento Russo para Assuntos da Comunidade de Estados Internacionais, disse ao jornal russo Lenta que o pacto "significa simultaneamente a expulsão da Rússia do Cáucaso e a chegada dos Estados Unidos". O único posto estratégico restante da Rússia na região é uma base militar na Armênia, que agora "está por um fio", acrescentou Zatulin.

O primeiro-ministro armênio acredita, no entanto, que esse acordo não precisa ser necessariamente prejudicial a Moscou. "Esse projeto dá à Armênia uma conexão ferroviária com a Rússia, algo que não temos há 30 anos, seja com ou sem a rota de Trump", disse ele.

"Não vamos esquecer que as ferrovias da Armênia estão sob controle russo e, talvez, a Rússia esteja interessada em investir na restauração das ferrovias Ijevan-Hrazdan e Ijevan-Kazakhstan. É claro que o consentimento do Azerbaijão também seria necessário nesse caso", explicou ele.

Na ausência do texto completo, o acordo de sexta-feira também dissolve oficialmente o Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que tem a tarefa de mediar uma solução para o histórico conflito de Nagorno-Karabakh, o epicentro das tensões entre os dois países, e estipula o levantamento das restrições dos EUA à cooperação militar com o Azerbaijão, impostas nos Estados Unidos em 1992.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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