Publicado 10/03/2026 08:31

O ACNUR estima que mais de 100.000 pessoas foram deslocadas pelos ataques no Líbano em apenas 24 horas.

Imagem de arquivo de uma família libanesa deslocada pelos ataques.
Europa Press/Contacto/Marwan Naamani

A OIM alerta que a situação pode piorar e pede o fim do “sofrimento” Israel anuncia novos ataques contra a “infraestrutura do Hezbollah” em Tiro MADRID 10 mar. (EUROPA PRESS) -

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estimou nesta terça-feira em mais de 100.000 o número de pessoas deslocadas apenas nas últimas 24 horas devido aos ataques perpetrados pelo Exército de Israel contra o território desde o início da ofensiva lançada contra o Irã no último dia 28 de fevereiro.

No total, isso coloca o número de deslocados desde essa data em cerca de 667.000, um claro aumento em relação aos 517.000 registrados no dia anterior, o que acentua a grave crise que já afetava a região, com cerca de 24,6 milhões de pessoas deslocadas antes desta última crise, de acordo com um comunicado.

A representante do ACNUR no Líbano, Karolina Lindholm, lamentou as ordens de evacuação emitidas pelas forças israelenses e dirigidas aos residentes de 53 localidades e áreas “densamente povoadas do Líbano”, que “forçaram milhares de famílias a fugir de suas casas em questão de minutos”. “A vida de milhões de pessoas foi afetada em uma escala sem precedentes”, afirmou. Assim, ela explicou que cerca de 120 mil deslocados estão atualmente em centros coletivos habilitados pelo governo, enquanto muitos outros estão hospedados com familiares ou amigos ou continuam procurando um lugar para ficar. “Inúmeras famílias — muitas delas já deslocadas durante as hostilidades de 2024 — fugiram precipitadamente com apenas o essencial, buscando refúgio em Beirute, em distritos do norte e em diferentes zonas do vale de Becá”, afirmou.

Nesse sentido, esclareceu que existe um aumento do “medo, da incerteza e do trauma repetido que muitas famílias enfrentam”. No entanto, lembrou que também estão sendo registrados deslocamentos para a Síria, onde as autoridades alertaram que cerca de 78.000 pessoas já cruzaram a fronteira, entre elas 7.700 cidadãos libaneses.

“É importante lembrar que o Líbano já acolhe uma das maiores populações de refugiados per capita do mundo. Muitos dos refugiados também estão sendo afetados por este novo deslocamento, o que aumenta a pressão sobre um país que atravessa múltiplas crises”, expressou Lindholm, que enfatizou que a situação é “muito volátil”.

“Os civis devem ser protegidos em todos os momentos, e é essencial garantir um acesso humanitário seguro e sem obstáculos para que a ajuda chegue àqueles que mais precisam”, afirmou. A OIM PEDE O FIM DO “SOFRIMENTO”

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) também destacou que se trata de “números alarmantes” de deslocamentos e apontou que cerca de 90.000 pessoas foram forçadas a se deslocar somente nesta manhã. O porta-voz da organização, Mohamedali Abunajela, indicou que esses dados podem ser muito superiores.

“Muitas pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas em uma região que já se encontra sob muita pressão e que enfrenta uma das maiores crises de deslocamento em nível global. (...) Trabalhamos junto com as agências da ONU para declarar a emergência e promover uma resposta coordenada e rápida”, afirmou.

Por sua vez, enfatizou a necessidade de reduzir a tensão, proteger os civis e garantir que o Direito Internacional seja respeitado, o que deve ser prioritário para evitar mais sofrimento”, concluiu. NOVOS ATAQUES

As autoridades libanesas elevaram para cerca de 400 o número de mortos devido à onda de bombardeios lançados por Israel em resposta ao lançamento de projéteis pelo Hezbollah em vingança pelo assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Alí Jamenei, na ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o país asiático.

Nesta terça-feira, o Exército de Israel voltou a atacar áreas próximas à cidade costeira de Tiro, no sul do Líbano, após emitir uma série de alertas em que especificava que seu objetivo eram “posições do Hezbollah”, o partido-milícia xiita libanês que Israel considera uma “organização terrorista”. Por isso, pediu previamente à população local que abandonasse a zona.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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