Publicado 07/05/2026 08:04

O acesso à moradia, a qualidade da educação e a saúde ameaçam “minar o bem-estar social” na Espanha

Archivo - Arquivo - Pessoas na rua
EUROPA PRESS - Arquivo

45% da população entrevistada admite que a crise habitacional “lhes causa grande mal-estar”

MADRID, 7 maio (EUROPA PRESS) -

A Fundação Alternativas, 1º de Maio e Oxfam Intermón alertaram para “a erosão do bem-estar social” na Espanha devido às “lacunas estruturais” no acesso à moradia, à qualidade da educação e à equidade na saúde.

“Tudo parece indicar que o sistema de proteção enfrenta sérios desafios”, enfatizaram as organizações no ‘VII Relatório sobre a Desigualdade na Espanha 2026’, apresentado nesta quinta-feira na sede do Conselho Econômico e Social.

O documento aponta que a inflação, as dificuldades de acesso à moradia e a pobreza infantil constituem as “principais ameaças” que o sistema de bem-estar europeu enfrenta. Nesse sentido, a análise sustenta que “quase oito em cada dez pessoas acreditam que na Espanha há muitas desigualdades”. Os grupos mais afetados são “as pessoas com menos recursos econômicos, as mulheres, os jovens e as pessoas racializadas”.

“A desigualdade não é um estado, é um processo condicionado pelo mercado de trabalho, pelas mudanças demográficas e tecnológicas, pelas expectativas sociais ou pela percepção que temos de quem somos. E as políticas públicas e o desenho institucional têm um papel muito importante”, defendeu Olga Salido, professora de Sociologia da UCM e codiretora da análise, na apresentação do relatório.

A INFLAÇÃO COMO INTENSIFICADORA DE DESIGUALDADES

Sobre a inflação, a pesquisa esclarece que “ela teve um efeito regressivo em termos distributivos, intensificando as desigualdades”. Por um lado, as organizações alertam que os trabalhadores e aposentados viram “seu poder de compra ser corroído”, já que os aumentos salariais e de benefícios ficaram “muito abaixo do aumento dos preços”.

De fato, 30% das pessoas entrevistadas consideram que sua renda atual não lhes permite levar uma vida digna, quase três pontos percentuais a mais do que em 2023.

Além disso, o texto identifica “efeitos diferenciados” da inflação para as famílias endividadas, os poupadores e os detentores de ativos financeiros. Da mesma forma, no consumo, as famílias “pobres” enfrentaram “taxas de inflação específicas mais elevadas” devido ao fato de “dedicarem uma proporção maior de sua renda a bens básicos, como energia e alimentos”.

“PANORAMA DRAMÁTICO” NO ACESSO À MORADIA

No que diz respeito à moradia, o estudo indica que “o panorama é dramático” e que ela é “a principal fonte geradora de desigualdade”. De acordo com os dados coletados, 45% da população pesquisada reconhece que a crise habitacional “lhes causa um forte mal-estar”.

Entre os proprietários, apenas 33,2% afirmam ser afetados pela crise habitacional, enquanto entre os inquilinos a proporção sobe para 73,6%. Além disso, os resultados do relatório atestam a existência da “Geração do Aluguel” como “um modelo esgotado, no qual o bem-estar de uns depende cada vez mais da extração de renda dos outros”.

Para enfrentar essa crise, a pesquisa destaca a necessidade de que os grupos políticos cheguem a um Pacto de Estado pela causa, com o objetivo de impulsionar um parque habitacional social e acessível, aumentar o investimento público e garantir mecanismos como a incorporação ao mercado de aluguel de imóveis vagos ou de uso turístico.

“O desafio político não consiste apenas em aumentar a oferta, mas em desmantelar uma estrutura institucionalizada que transforma o direito à moradia em uma infraestrutura de exploração”, afirma o documento. Nesse contexto, a análise assegura que “é urgente aplicar a Lei da Moradia nas comunidades autônomas onde isso não está sendo feito”.

PROBLEMAS NO SISTEMA DE SAÚDE

A análise também aborda as desigualdades decorrentes do acesso à saúde por meio do Sistema Nacional de Saúde. Para poder mitigá-las e garantir uma cobertura universal, o documento ressalta a necessidade de assegurar uma consulta na Atenção Primária em no máximo 78 horas, bem como a máxima transparência sobre a atividade sanitária e as listas de espera.

“Trata-se de disponibilizar abertamente na internet dados e informações sobre os recursos (pessoal, salas de cirurgia, etc.) disponíveis e utilizados”, insistem os autores do relatório.

REDUZIR A TAXA DE REPETÊNCIA, A FALTA DE TITULAÇÃO E O ABANDONO ESCOLAR

No que diz respeito à educação, o documento sustenta que continua sendo necessária a “adoção de políticas e práticas” que reduzam a taxa de repetência, a falta de titulação e o abandono escolar precoce.

Ao mesmo tempo, o documento considera “indispensável” diminuir os mecanismos de segregação associados à existência de escolas convencionadas, especialmente as mensalidades exigidas às famílias.

Nesse âmbito, a análise enquadra, por sua vez, a criação de vagas públicas “gratuitas” no primeiro ciclo da educação infantil como uma tarefa “urgente”.

A FISCALIDADE COMO “FERRAMENTA IMPRESCINDÍVEL”

Para reduzir as desigualdades descritas no relatório, os autores apontam que a fiscalidade constitui “uma ferramenta indispensável”. Por isso, o relatório ressalta a necessidade de estabelecer uma reforma do esquema atual.

“Seria desejável impulsionar uma reforma tributária integral, orientada a dotar o sistema como um todo de maior progressividade e capacidade de arrecadação”, precisa o texto.

Para avançar nessa direção, as fundações consideram necessário abordar mudanças, sobretudo, na tributação da riqueza, reformando a estrutura do atual imposto sobre o patrimônio.

Da mesma forma, a pesquisa especifica que a Espanha deveria “continuar impulsionando a agenda tributária sobre grandes fortunas, a tributação corporativa e a luta contra os paraísos fiscais”.

De olho no futuro, as organizações sugerem a elaboração de políticas econômicas “mais sensíveis” às diferentes circunstâncias enfrentadas por cada perfil vulnerável, como famílias monoparentais e casais com três ou mais filhos.

Por fim, o documento defende a conveniência de incorporar mecanismos progressivos automáticos de indexação e melhorias na qualidade institucional e de implementação, de modo a garantir que alcancem “os coletivos para os quais foram concebidos”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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