Publicado 13/01/2026 19:15

Absolvido o agente da polícia chilena acusado de deixar um manifestante cego em 2019

Archivo - Arquivo - dpatop - 30 de outubro de 2019, Chile, Valparaíso: Manifestantes agitam uma bandeira chilena e atiram pedras em um carro da polícia que lança gás lacrimogêneo durante um protesto contra o governo. Foto: Pablo Ovalle Isasmendi/Agencia U
Pablo Ovalle Isasmendi/Agencia U / DPA - Arquivo

MADRID 13 jan. (EUROPA PRESS) - Um tribunal da capital do Chile, Santiago, absolveu nesta terça-feira um agente da polícia acusado de lesões graves por deixar um manifestante cego com uma espingarda anti-motim durante os distúrbios sociais de 2019.

A juíza Cristina Cabello, do Quarto Tribunal de Julgamento Oral Penal, proferiu seu veredicto sobre o ex-tenente-coronel Claudio Crespo, único acusado pelas lesões do agora deputado eleito Gustavo Gatica, no âmbito de um julgamento que começou no final de 2024.

Cabello indicou que “a presença policial constituía o cumprimento do dever constitucional e legal de controle da ordem pública, gravemente alterada desde 18 de outubro de 2019” e acrescentou que o objetivo da mobilização era “desobstruir a via bloqueada” por estruturas metálicas colocadas pelos manifestantes e restabelecer a ordem.

Nesse sentido, ele destacou que suas ações não constituíram uma “provocação a manifestantes pacíficos, mas uma resposta necessária a agressões potencialmente letais”, conforme publicado pelo jornal El Mercurio.

“As provas demonstraram que o pessoal empregou a força de forma gradual ao longo de todo o dia, esgotando sistematicamente os meios menos lesivos antes de recorrer à espingarda”, sustentou, acrescentando que “este contraste com o comportamento ofensivo, agressivo e progressivamente mais violento dos manifestantes descarta qualquer hipótese de provocação policial”.

Assim, argumentou que “a conduta do acusado, que resultou nos ferimentos sofridos pela vítima, está amparada pela lei, pois constitui o exercício legítimo do direito de defesa diante de uma agressão ilegítima, atual e potencialmente letal, no contexto do cumprimento do dever constitucional e legal da ordem pública”.

GATICA PEDIRÁ A ANULAÇÃO DO JULGAMENTO Gatica, que reagiu à notícia afirmando que “claramente” não está “satisfeito” com o resultado, adiantou que realizará uma reunião de emergência com sua equipe jurídica para definir os passos a seguir, tendo como objetivo principal a anulação do julgamento.

Nesse sentido, enfatizou que irão até as “últimas consequências”, alertando que, se o sistema judiciário chileno não oferecer uma resposta satisfatória, não hesitará em recorrer a tribunais internacionais. “Acho super relevante, para o bem da nossa democracia, para o Chile do futuro, que esses casos não fiquem impunes”, afirmou.

No entanto, reconheceu que, apesar do revés judicial, há um aspecto do processo que lhe dá certa paz de espírito: a identificação do atirador, uma vez que o julgamento conseguiu provar que Crespo foi o autor do disparo, dado que a vítima considera fundamental no seu processo de reparação pessoal.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado