Publicado 22/08/2026 04:15

Abel, o programador que perdeu sua casa no incêndio da Serra Oeste: “Perdemos um paraíso e um modo de vida”

Ele morava há quase cinco anos na Serra e agora vai trabalhar no reflorestamento da região

Os animais de estimação de Abel Viedma, um programador que morava em San Martín de Valdeiglesias, na casa que foi destruída pelo incêndio na Sierra Oeste.
ABEL VIEDMA (CEDIDA)

MADRID, 22 ago. (EUROPA PRESS) -

Um mês após o incêndio na Serra Oeste, que devastou milhares de hectares e causou graves danos no município de San Martín de Valdeiglesias, Abel Viedma, um programador que escolheu essa região para morar, começa a dar os primeiros passos para reconstruir a casa que, por quase cinco anos, foi seu lar.

O jovem ainda se lembra do estado de sua casa e dos arredores quando foi resgatar seus animais de estimação. Por meio de um grupo de vizinhos, soube do incêndio que começou em sua localidade após um carro pegar fogo na M-501. De Las Rozas, onde estava visitando seu pai, ele se deslocou até a propriedade para salvar seus três cães e dois gatos.

“Perde-se um paraíso, um ecossistema incrível e um modo de vida. É uma tragédia”, afirma em declarações à Europa Press. Sua propriedade, construída há 16 anos, ficava no meio da mata e a única via de acesso era uma estrada de terra. Em um único dia, ele viu como sua casa passou das chamas às cinzas.

Abel escolheu a Serra porque era “seu sonho” estar “em contato com a natureza”. Embora trabalhe como programador, ele gosta de cultivar sua terra; chegou até a produzir vinho e azeite de oliva, que vendia para seus amigos mais próximos.

“Naquele dia, fui apenas buscar meus animais. Quando cheguei, parecia que estava em outro planeta, de tanta fumaça que havia. Nem quis olhar. No dia seguinte, vi todos os danos”, conta o jovem, que iniciou uma campanha para arrecadar 30.000 euros e destiná-los à reconstrução de sua casa (https://donio.es/Abel).

Especificamente, ele precisa remover os escombros, reforçar a estrutura, reparar a casa e restabelecer os serviços públicos. O afetado reconhece que precisaria de mais dinheiro para realizar todas essas ações, mas considera que o valor que estabeleceu como meta é “um bom ponto de partida”. O restante, explica ele, tentará conseguir por meio de empréstimos e auxílios.

Mas, além do aspecto material, o programador se “comprometeu” com a região e quer continuar ligado a ela. Nos dias em que vai à propriedade, ele já trabalha no reflorestamento ou coloca água para os animais. “Tentamos ajudar em tudo”, ressalta.

“HÁ VIZINHOS QUE NÃO SABEM DE NADA SOBRE OS AUXÍLIOS”

O programador teme que, no próximo verão, essa história se repita em outros cantos da Comunidade de Madri ou da Espanha. “Ver tudo o que vi — animais mortos e um paraíso destruído — me preocupa”, reflete.

Ele considera que a coordenação dos auxílios “está mal organizada” e, segundo relata, os moradores vêm “há anos reclamando de leis muito restritivas ou ameaças de multas”. Apesar dos anúncios de reconstrução, ele alerta que a vizinhança “não sabe de nada” sobre os subsídios.

Durante o incêndio, Abel também perdeu os computadores com os quais trabalhava. Sua empresa, segundo explica, demonstrou “paciência” diante da situação e, em uma semana, forneceu novos equipamentos para que ele pudesse retomar suas atividades. A rotina voltou ao normal no âmbito profissional, mas ainda há um longo caminho a percorrer em casa. Enquanto isso, ele olha para o futuro e quer contribuir para recuperar o ambiente que perdeu: “Quero fazer parte desse reflorestamento”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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