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MADRID 22 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Vox, Santiago Abascal, criticou o PP por não aceitar que a dinâmica eleitoral mudou na Espanha e afirma que os partidários de Feijóo estão “mais empenhados em prejudicar o Vox do que em derrotar o PSOE”, uma atitude que, adverte, “pode ser fatal”.
“O PP voltou às suas velhas manias, ao seu nervosismo, porque não suporta um Vox forte e porque não aceita a realidade de que a sociologia eleitoral mudou na Espanha. Estão mais empenhados em nos prejudicar do que em derrotar o PSOE. E isso pode ser letal”, afirmou Abascal neste domingo em entrevista ao ‘ABC’, divulgada pela Europa Press.
O líder do Vox afirma que, em 2023, o PP contribuiu para a “demonização” de seu partido e, portanto, para mobilizar o voto da esquerda, e considera que a situação pode se repetir nas próximas eleições gerais. “Por isso quero lançar um alerta. Porque o problema é a capacidade que o PP tem, neste momento, de destruir a alternativa a Sánchez. Podemos discutir muitas questões políticas, mas demonizar o Vox com os mesmos argumentos da esquerda ou fazer campanhas sujas pode nos enfraquecer”, afirmou.
Nesse sentido, Abascal instou Feijóo a provar o contrário “apresentando uma moção de censura contra Sánchez em vez de se dedicar à guerra suja” contra o Vox. “Acredito que eles não podem contar com isso. Não porque eu não queira ou não esteja disposto. Para nós, está claro qual é o único partido com o qual podemos nos entender. Mas o PP não. Estou convencido de que Feijóo ainda aspira a algum tipo de pacto com o Partido Socialista ou o que restar dele”, respondeu ao ser questionado se os eleitores da direita podem contar com a coalizão PP-Vox.
Da mesma forma, sobre sua possível entrada em um Executivo liderado pelo PP, Abascal insistiu que se candidata “à presidência do Governo”, deixando as decisões posteriores “nas mãos dos espanhóis”. Durante a entrevista, pediu à direção nacional do PP que pare de colocar “obstáculos” na formação dos governos regionais da Extremadura, Aragão ou Castela e Leão, ao mesmo tempo em que defendeu que as conversas devem avançar “sem interferências, vazamentos interessados nem mentiras”.
“Nos últimos dias, chegamos a um acordo nas Ilhas Baleares para retirar os auxílios sociais aos imigrantes ilegais. O problema é quando a direção do PP se intromete de qualquer jeito nas conversas para criar um discurso político”, afirmou.
Além disso, ele admite que a prioridade do Vox não é ter conselheiros nas três comunidades autônomas, mas eles entrarão porque, como ele aponta, Feijóo já “se cansou de dizer” que seu partido não se atreve a governar. “É claro que queremos acabar com esse debate e essa falácia. E é por isso que dizemos que sim, que não se preocupe, que entraremos nos governos. Talvez alguns dirigentes regionais não quisessem, então que agradeçam a Feijóo”, indicou.
VISITA DO PAPA E ALIANÇAS INTERNACIONAIS
O líder do Vox evitou comentar as declarações de Felipe VI sobre os “abusos” da Espanha no México, embora tenha destacado que o monarca “encarna a unidade e a permanência da Espanha” e tenha reconhecido que está “orgulhoso do legado espanhol na América”, que descreveu como “uma obra de evangelização, irmandade e civilização”, apesar de reconhecer que teve “sombrez e luz”.
Abascal reiterou que a imigração é “o principal problema” da Espanha, ao qual atribui o colapso dos serviços públicos e da segurança. Em relação à visita do Papa à Espanha, ele assinalou que, como católico, acha isso muito bom e, quanto às opiniões da Conferência Episcopal, acredita que elas contribuem para o “efeito chamada”.
“Muitas dessas posições de uma parte da hierarquia eclesiástica se devem ao financiamento público que obtêm ao promover essa invasão migratória”, destacou.
No plano internacional, Abascal mencionou Donald Trump, Giorgia Meloni, Viktor Orbán, Marine Le Pen, José Antonio Kast e Javier Milei como parte de um grupo de líderes que, apesar de manterem políticas distintas, compartilham “a defesa do interesse nacional”. Em contrapartida, afirmou que a Europa e a Espanha “não podem dizer o mesmo”, por terem um presidente do Governo “que defende seus próprios interesses”.
“Não somos partidários de todas as políticas de Trump, nem das de Orbán ou das de Meloni. Temos nosso próprio modelo, que é o dos interesses dos espanhóis. E acredito que seja bom para a Espanha que um partido como o Vox tenha essas alianças internacionais”, concluiu.
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