Eduardo Parra - Europa Press
MADRID, 10 nov. (EUROPA PRESS) -
O ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos solicitou ao Congresso um certificado do material de escritório que ele reivindicou da Câmara desde sua mudança para o Grupo Misto no final de fevereiro de 2024 para demonstrar seu uso de "fólios", o termo que, de acordo com a Unidade Operacional Central (UCO) da Guarda Civil, Ábalos usou para pedir dinheiro ao seu ex-assessor Koldo García. De acordo com esse documento, a Câmara lhe deu 168 pacotes de papel para fotocópia em 21 meses.
Isso está declarado no certificado que o ministro publicou em sua conta X e que, especificamente, detalha que entre 27 de fevereiro de 2024 e 4 de novembro, ele solicitou esses 168 pacotes de folhas DIN A4. Geralmente são 500 folhas, mas o documento não especifica isso.
"Quando falo de folhas de papel, significa que são folhas de papel e não dinheiro ilícito, como a UCO estranhamente me atribuiu", insiste Ábalos que, assim como García e o também ex-secretário de Organização do PSOE Santos Cerdán, está sendo investigado por sua participação em uma suposta trama que teria cobrado comissões ilegais pela compra de material de saúde e em troca da concessão de obras públicas.
O ex-ministro considera "muito lamentável" o fato de ter que solicitar ao Congresso um certificado do material de escritório fornecido a ele nos últimos 21 meses com o objetivo, segundo ele, de "demonstrar que é possível acompanhar a rastreabilidade desse fornecimento".
Da mesma forma, acrescenta, a UCO "poderia ter oficiado" ao juiz que investiga seu caso na Suprema Corte, Leopoldo Puente, "para que solicitasse o mesmo ao Ministério dos Transportes e Mobilidade Sustentável antes de apresentar esse fato como prova".
OS FÓLIOS NÃO FORAM SOLICITADOS AO MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES
O próprio Ábalos pediu a Puente que enviasse uma carta oficial ao Ministério dos Transportes para certificar as folhas de papel que foram fornecidas a ele para uso da impressora em seu escritório durante seu período como ministro - entre 2018 e 2021 - e, assim, "acreditar que a expressão 'fólios' não corresponde a uma linguagem codificada com um significado monetário".
Mas, segundo ele, essa diligência foi rejeitada junto com outras que ele solicitou porque a Suprema Corte entendeu que elas eram "inúteis e prejudiciais". "A verdade é que essa recusa reduz as possibilidades de mostrar um significado alternativo para o termo 'fólios' e poder contrastá-lo com o relatório da Guardia Civil", reclama o ex-ministro.
Em sua opinião, o que a UCO consegue com o relatório sobre seus bens é que "a opinião pública assuma como verdade absoluta a imputação dessa conjectura" e a "estigmatização" de sua pessoa que, "com a presunção de inocência invertida", é "forçada a se defender das suspeitas que foram artificialmente fabricadas".
"O rigor de um julgamento se baseia no princípio do contraditório e da presunção de inocência, e a balança se desequilibra quando o controle é cedido à polícia judiciária e um relatório policial baseado em especulações e conjecturas é aceito sem mais delongas", denunciou Ábalos em sua mensagem, relatada pela Europa Press.
INSTRUÇÃO TENDENCIOSA
Dessa forma, ele sustenta que "a investigação está inclinada em uma direção, ignorando as disposições da Lei de Processo Penal, pois é forçada a "buscar a desconstrução" de provas "errôneas ou maliciosas". "Se as garantias do processo são quebradas, estamos diante de uma 'prova diabólica', pois é difícil se defender do que não aconteceu", aponta.
Em outra postagem no X, Ábalos insiste que nunca usou seu cargo de secretário de Organização do PSOE "para ações ilícitas e muito menos para lavar dinheiro" e acrescenta que, se alguém acredita no contrário, ele é responsável por fornecer "toda a documentação de quantas despesas e pagamentos foram feitos a todos e cada um dos membros da liderança do partido de 2017 a 2025, sem exceção" e os de todos os seus antecessores "nos últimos 20 anos".
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