Publicado 22/05/2026 08:35

Ábalos afirma que alertou Sánchez contra o resgate da Plus Ultra e aponta para Zapatero: "Não era uma companhia aérea consolidada"

Archivo - Arquivo - O ex-ministro José Luis Ábalos no banco dos réus durante o julgamento do “caso das máscaras” no Supremo Tribunal, em 7 de abril de 2026, em Madri (Espanha). O ex-ministro José Luis Ábalos, seu ex-assessor Koldo García e o empresário
Pool - Arquivo

Ele se desliga da operação, afirma que Zapatero o "ignora" e que "fala diretamente" com o ex-secretário de Estado dos Transportes

MADRID, 22 maio (EUROPA PRESS) -

O ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, em prisão preventiva pelo “caso Koldo”, afirmou que avisou o presidente Pedro Sánchez sobre sua recusa em aprovar o resgate de 53 milhões de euros à Plus Ultra. “Não era uma companhia aérea consolidada”, lembrou.

Em declarações transmitidas pelo programa “Mañaneros 360” da “La 1”, divulgadas pela Europa Press, o ex-ministro negou que existissem “dois caminhos” para conseguir o resgate, tal como suspeita o juiz José Luis Calama na decisão de acusação contra o ex-presidente socialista: um por meio do próprio Ábalos e outro por meio de Zapatero, que assumiu “um papel predominante” e permitiu que a companhia aérea alcançasse seus objetivos.

Para Ábalos, a existência dessas duas linhas de influência distintas é “falsa”. “Ninguém se dirige a mim de forma alguma. Muito pelo contrário”, afirmou o ex-líder socialista, que também conta que foi no Conselho de Ministros que tomou conhecimento da aprovação do resgate.

Conforme explicou, Zapatero o ignorou e “falou diretamente” com quem era secretário de Estado de Infraestruturas, Transportes e Habitação, Pedro Saura. Então, Ábalos dirigiu-se ao presidente do Governo para manifestar sua rejeição ao empréstimo. “Quando soube disso, falei com o presidente, alertando-o de que não era pertinente, que não se tratava de uma companhia aérea consolidada”, revelou, para depois assegurar também que desconhece se seu ex-assessor Koldo García interveio porque “agia por vias paralelas”.

Em uma conversa divulgada pelo jornal “El Mundo” entre Ábalos e Saura, ambos já demonstraram sua oposição ao resgate. “Minha opinião é que você deveria dizer ao presidente que eles têm que suspender e reverter o acordo com a Plus Ultra e, segundo, que a Sepi está fora de controle”, escreveu-lhe então o ex-secretário de Estado.

SENTE-SE AGRAVADO PELO PSOE

Nas mesmas declarações enviadas da prisão de Soto del Real, Ábalos também demonstrou sua indignação com a diferença de tratamento do PSOE em relação ao seu caso e à acusação de Zapatero pelo “caso Plus Ultra”.

“Existe uma hipocrisia bastante evidente no tratamento. A Zapatero dá-se apoio, protege-se, dá-se cobertura, enquanto a mim não me foi dada oportunidade", lamentou o ex-ministro. "Entendo que a presunção de inocência se aplica a todos no mesmo nível e sinto-me muito ofendido pela postura do partido", concluiu.

O GOVERNO DEFENDE O RESGATE

Por sua vez, o governo lembrou que a Plus Ultra recebeu essa ajuda em março de 2021, com recursos do Fundo de Apoio à Solvência de Empresas Estratégicas (FASEE), devido ao impacto da pandemia. “Como companhia aérea, fazia parte de um setor estratégico, conforme estabelecido pela regulamentação, e cumpria os requisitos exigidos para uma empresa desse setor. Os auxílios respondem a um procedimento administrativo”, indicaram fontes do Executivo.

O Governo salientou que a concessão dos empréstimos “baseia-se num quadro regulamentado, onde não há lugar para discricionariedade, arbitrariedade ou discriminação. A regulamentação exige o cumprimento rigoroso dos requisitos estabelecidos”.

No caso específico da Plus Ultra, precisaram que a decisão favorável foi tomada com base em “meia dúzia de relatórios técnicos” que “endossavam e confirmavam o cumprimento, por parte da Plus Ultra, dos requisitos estabelecidos”.

Além disso, a Plus Ultra manifestou sua “total disposição para colaborar” no caso investigado pela Audiencia Nacional sobre o suposto uso irregular do resgate de 53 milhões de euros concedido pelo governo durante a pandemia e a suposta rede de tráfico de influências que, segundo o juiz de instrução José Luis Calama, seria liderada pelo ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero.

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, a Plus Ultra informou que tomou conhecimento do levantamento do sigilo do inquérito judicial e que está “analisando” a decisão “com o máximo rigor”.

BRUXELAS AFIRMA QUE O MARCO EUROPEU FOI SEGUIDO

Da mesma forma, a Comissão Europeia lembrou nesta sexta-feira que o resgate de 53 milhões de euros da companhia aérea Plus Ultra não precisou de sua aprovação para ser executado de acordo com as regras europeias de auxílios de Estado, porque não atingiu o limite mínimo que exige que a operação seja notificada a Bruxelas para análise individual e porque o apoio veio por meio de um fundo de recapitalização que sim foi validado por seus serviços.

De acordo com as regras do quadro temporário que a Comissão implementou para apoiar as empresas mais afetadas pela crise decorrente da pandemia de coronavírus, “apenas as decisões de auxílio superiores a 250 milhões de euros, destinadas à recapitalização ou ao apoio à solvência de empresas específicas, deveriam ser notificadas à Comissão para avaliação individual”, lembrou o porta-voz comunitário da Concorrência, Ricardo Cardoso, em declarações à Europa Press.

O resgate da Plus Ultra, portanto, não se enquadrava entre os casos que deveriam ser submetidos ao escrutínio comunitário, “pelo que a Comissão não o examinou individualmente”, precisou o porta-voz, que também indicou que o Fundo de Apoio à Solvência de Empresas Estratégicas (FASEE), por meio do qual foi canalizado o apoio à companhia aérea, foi validado pela instituição comunitária no ano anterior à concessão do resgate.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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