Europa Press/Contacto/Marwan Naamani
MADRID 18 fev. (EUROPA PRESS) -
Um total de 150 ex-ministros, embaixadores e diplomatas, bem como parlamentares e senadores em atividade, acusaram nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, de divulgar desinformação e pediram que ele se retratasse de suas palavras contra a relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese.
Os signatários criticaram o uso de informações “imprecisas” e “manipuladas” para “desacreditar” a relatora independente das Nações Unidas, alertando que essas ações “ameaçam a integridade das instituições internacionais e enfraquecem a confiança no Direito Internacional e na prestação de contas”.
“Os funcionários públicos têm a obrigação de verificar a exatidão das informações antes de fazer declarações que possam prejudicar a credibilidade das instituições internacionais”, destacaram em um comunicado conjunto divulgado pela ONG holandesa Rights Forum.
Nesse sentido, argumentaram que Albanese não caracterizou Israel como o “inimigo comum da humanidade”, mas se referiu às “condições sistêmicas que permitiram que violações fossem cometidas” na Faixa de Gaza.
A relatora afirmou assim — como confirmaram vários meios de comunicação com ferramentas de verificação — que a falta de responsabilização “consolida a impunidade, corrói a credibilidade das proteções jurídicas internacionais e mina os instrumentos fundamentais do Direito Internacional”.
Essa questão, defenderam, “vai além” do que ocorreu com Albanese, pois levanta questões sobre “a integridade das instituições multilaterais e a responsabilidade dos Estados-membros da ONU de garantir que os especialistas possam desempenhar suas funções sem interferências políticas ou desinformação”.
Por isso, instaram Barrot a “retratar-se e corrigir as afirmações imprecisas” relativas a Albanese; “reafirmar seu compromisso com a independência e a integridade” dos relatores da ONU, bem como “cumprir suas obrigações de proteger e fortalecer as instituições jurídicas internacionais e multilaterais”.
No entanto, instaram para que a “controvérsia” não ofuscasse a morte de civis nem a “catastrófica crise humanitária e de direitos humanos” em Gaza. “Os líderes têm a responsabilidade coletiva, em virtude do Direito Internacional, de proteger a população civil, prevenir novas atrocidades e exigir responsabilidades aos perpetradores”, concluíram.
Albanese defendeu que suas declarações se referiam diretamente ao “sistema” e não a Israel. “Nunca, nunca, nunca disse que Israel é o inimigo comum da humanidade”, destacou, depois que vários países pediram sua renúncia, entre eles a França.
As declarações polêmicas foram feitas durante um discurso em vídeo por ocasião de um evento organizado pela rede Al Jazeera na capital do Catar, Doha, no qual ele disse que “como humanidade, temos um inimigo comum e liberdades comuns”.
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