Andrés Rodríguez - Europa Press
Ele afirma que, como máximo responsável pela Câmara Municipal de Badajoz, assume a responsabilidade pelo cargo, bem como por todos os demais
BADAJOZ, 4 jun. (EUROPA PRESS TELEVISÃO) -
O ex-presidente da Câmara Municipal de Badajoz, Miguel Ángel Gallardo, declarou nesta quinta-feira perante o tribunal que, em 2016, não mantinha uma relação “fluida” com Pedro Sánchez e que este não lhe pediu ajuda para contratar seu irmão, David Sánchez.
Miguel Ángel Gallardo se pronunciou dessa forma durante seu depoimento nesta quinta-feira como investigado, no qual respondeu apenas às perguntas de seu advogado, no julgamento que está ocorrendo no Tribunal Provincial de Badajoz pela contratação, em 2017, de David Sánchez como coordenador das atividades dos conservatórios da Câmara Provincial de Badajoz e pela mudança de cargo, em 2022, para chefe do Escritório de Artes.
Em referência aos acontecimentos do início de outubro de 2016 — quando Pedro Sánchez foi afastado da secretaria-geral do PSOE nacional—, Gallardo, na época presidente da Diputación de Badajoz e prefeito de Villanueva, afirmou que se uniu à posição do então secretário do PSOE da Extremadura, Guillermo Fernández Vara, que era a de apoiar Susana Díaz.
“Apoiei de forma incondicional, logicamente, o que nos transmitiu o então secretário-geral regional, Guillermo Fernández Vara”, afirmou o também ex-secretário-geral do PSOE da Extremadura.
Dessa forma, coincidindo com um momento em que Pedro Sánchez havia deixado de ser secretário-geral do PSOE e também não era presidente do Governo — algo que Gallardo ressaltou em sua declaração —, ele negou que Sánchez lhe tivesse pedido, no final de 2016, quando o cargo de coordenador estava sendo definido, algum tipo de apoio, seja pessoal, familiar ou político.
NÃO SABIA QUE ELE TINHA IRMÃOS
A perguntas de seu advogado sobre se Pedro Sánchez lhe pediu apoio para seu irmão David, Gallardo assegurou que não poderia falar sobre o irmão dele porque “também não é que tivesse uma relação fluida”. “Nem mesmo naquela época eu tinha consciência de que ele tinha irmãos”, acrescentou.
A esse respeito, Gallardo aprofundou a questão, ressaltando que tanto ele quanto a ex-deputada socialista Estrella Gordillo — que compareceu ao julgamento como testemunha — apoiaram Susana Díaz contra Pedro Sánchez nas primárias de 2017, de modo que o ex-presidente da Câmara Municipal negou ter recebido “benefícios” por criar um cargo para David Sánchez.
“ASSUMO A RESPONSABILIDADE”
Quanto ao momento em que o cargo pôde ser criado, Gallardo detalhou a dinâmica das reuniões orçamentárias, como a realizada em Valdivia em 2016 para tratar das contas da Câmara Municipal de 2017, quando a área de Cultura da Câmara Municipal apresentou a necessidade de criar um cargo de coordenador de atividades dos conservatórios.
“O presidente detalha um pouco quais são os números com base no crescimento que o país terá ou na previsão de crescimento que o país possa ter para o ano seguinte, e definem-se um pouco as prioridades políticas de caráter geral”, destacou Gallardo, que acrescentou que, a partir daí, “é feita uma rodada com cada um dos deputados, onde eles definem suas prioridades em relação à sua área”, e é aí “que se discute muito, muito, mas sempre se chega a um consenso. Não há votação”, destacou.
Gallardo enfatizou que o que se faz na reunião é tomar a decisão “política” de criar os diferentes cargos e que ele, como máximo responsável pela Câmara Municipal de Badajoz, assume a responsabilidade “pela criação desse cargo e de todos os outros” como parte da “própria autonomia, da capacidade de auto-organização da própria administração”.
CONSIDERA A DECLARAÇÃO DA UCO UMA “NOVELA DE FICÇÃO”
O ex-secretário-geral do PSOE da Extremadura também se defendeu da “leitura de um romance de ficção digno dos Prêmios Felipe Trigo”, como classificou as declarações feitas na última quarta-feira pelos responsáveis pela investigação conduzida pela Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil.
“Eu, ao ouvir aqui, tentando dizer que o que se pretendia criar estava acima dos próprios diretores, é não entender nem conhecer de forma alguma o que é a administração local”, assinalou Gallardo a esse respeito.
Assim, ao contrário, explicou que a criação do cargo tinha como objetivo coordenar a “enorme quantidade” de atividades dos alunos do conservatório que costumavam realizar nas salas de aula e levar essas iniciativas para toda a província, embora, no fim das contas, elas tenham “transcendido” e chegado a Portugal ou a outras províncias vizinhas.
Ele negou que, quando foi tomada a decisão de criar o cargo, estivesse pensando em alguém específico para ocupá-lo — "Como eu poderia pensar em uma pessoa específica se, na verdade, o que está sendo criado ali é uma necessidade?”, defendeu-se – e que “se quisesse criar um cargo sob medida”, Gallardo teria “27 cargos sob medida para poder criar”. “E, além disso, poderia fazê-lo sem limitação orçamentária”, acrescentou.
De fato, negou ter dado a ordem para conceder o cargo a David Sánchez e afirmou que, quando soube que o irmão de Pedro Sánchez concorria ao cargo em 2017, comentou: “Que ganhe o melhor”. Ele também afirmou que o tempo que levou para adjudicar o cargo foi “absolutamente” normal.
Por outro lado, negou ter conhecimento da mudança, em 2022, do cargo de David Sánchez para chefe do Escritório de Artes Cênicas e explicou, sobre a decisão de criar um cargo de alta direção e não de funcionário público, que isso se deve ao fato de que nomear um diretor significa que ele também pode ser destituído.
“O bom disso é que quem o nomeia também o destitui e, portanto, esse cargo pode ser extinto sem qualquer custo para a Administração”, destacou.
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