Adrián Irago - Europa Press
MADRID 10 set. (EUROPA PRESS) -
O juiz do Tribunal Nacional (AN) Santiago Pedraz concordou em abrir um processo após a queixa apresentada pela associação Ação e Comunicação sobre o Oriente Médio (ACOM) por supostos crimes de ódio, contra a segurança rodoviária, lesões e desordem pública contra os promotores do boicote da equipe de ciclismo Israel-Premier Tech em La Vuelta.
A informação foi avançada pelo jornal 'El Periódico' e confirmada à Europa Press por fontes jurídicas, que especificam que o juiz perguntou ao Ministério Público sua posição sobre a admissão ou não da denúncia, que é dirigida contra organizações e partidos políticos que "promoveram ativamente a exclusão" do pelotão israelense da competição.
A ACOM disse na última sexta-feira em um comunicado que estava denunciando porque, "longe de serem manifestações pacíficas", os protestos dos cidadãos contra Israel pela ofensiva em Gaza "mostram ações organizadas de coerção, bloqueio intencional da estrada e comportamento imprudente que colocam em sério risco a integridade física dos atletas, membros da organização, espectadores e forças de segurança".
"Essas agressões constituem um ato sistemático de discriminação com base na nacionalidade, que viola os princípios de igualdade, neutralidade e segurança que devem reger o esporte profissional", disse a associação, que acredita que "transformar as estradas espanholas em cenas de assédio e linchamento antissemita é inaceitável e terá consequências legais".
A queixa é dirigida tanto contra os autores materiais quanto contra os "instigadores e protetores institucionais". Entre eles estão explicitamente apontados a rede RESCOP/BDS e líderes e formações políticas como EH Bildu, Podemos, Izquierda Unida e Sumar, "que promoveram ativamente a exclusão da equipe israelense".
A ACOM incluiu na denúncia os responsáveis pela organização da corrida, inclusive seu diretor técnico, Kiko García.
Ela também anunciou que outras ações legais serão tomadas contra outros políticos, como o Ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, ou a Ministra da Juventude e da Infância, Sira Rego.
E solicitou ao Tribunal Nacional o cancelamento imediato da La Vuelta 2025 como medida cautelar urgente, dado "o risco certo e iminente à vida e à integridade dos atletas e do público", bem como "reforços extraordinários de segurança, proibição de aglomerações nas seções da corrida e identificação e detenção preventiva dos grupos já envolvidos nos bloqueios".
A associação criticou a "forma de antissemitismo" que acredita estar sendo levada a cabo com essa "campanha discriminatória" contra Israel, incentivando "boicotes, desinvestimentos e sanções" contra o país. "Da parte da ACOM, reiteramos nosso compromisso firme e constante: não permitiremos a normalização do ódio antissemita ou a estigmatização dos judeus espanhóis ou israelenses na Espanha", advertiu.
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