Irina R. Hipolito / AFP7 / Europa Press
MADRID, 13 jun. (EUROPA PRESS) -
O goleiro da seleção espanhola de futebol, Unai Simón, assume o "debate" de sempre sobre sua posição, "uma das mais ingratas do futebol", mas destaca a boa sintonia entre os companheiros, dando o “100%” porque não sabem quem será o titular na Copa do Mundo de 2026.
“Desde que estou aqui na seleção, desde 2020, sempre houve debate na posição de goleiro. Agora é Joan Garcia quem está apresentando outros números maravilhosos... Chega um momento em que eu já convivo com isso há seis anos. No começo, isso me incomodava, não vou negar. Vale a pena ser goleiro da seleção com todos os rumores e especulações que existem?”, confessou nesta sexta-feira.
Em entrevista ao programa “Tablero Deportivo” da RNE, divulgada pela Europa Press, o goleiro da “La Roja” avaliou o último dilema sobre uma vaga disputada por David Raya ou pelo próprio Garcia, enquanto Alex Remiro ficou de fora. “Depois você vai percebendo que é o mundo em que a gente vive, o mundo em que a gente tem que saber conviver com isso. Cheguei à conclusão de que o que realmente importa é a opinião do técnico, dos seus companheiros e a realidade que a gente vive”, disse ele.
“Os comentários sempre vão existir. E mais ainda quando você está sob os holofotes, sendo o goleiro que tem sido titular até agora na seleção. Não sei quem vai jogar contra Cabo Verde, não sei quem vai jogar esta Copa do Mundo, não sei quem vai jogar a Eurocopa daqui a dois anos, a próxima Copa do Mundo. Mas seja qual for o goleiro, já estou avisando que sempre haverá debate. Sempre haverá alguém que ache outro goleiro melhor”, acrescentou.
“A posição de goleiro é uma das mais ingratas do futebol. Mas é assim que as coisas são. É que eu treinei para ser goleiro, treinei e esse dom surgiu, porque no fim das contas é um dom ou algo inato que a gente tem. E eu convivo com isso. Tive muita dificuldade para aprender e, no começo, quando tinha 12, 13, 14 anos, para aprender a conviver com o erro. Mas cometi tantos erros que já me acostumei”, insistiu.
Por outro lado, o goleiro do Athletic Club confessou que terá que conviver mais tempo com Joan Garcia para formar a dupla que tinha com Remiro. “Era um companheiro que facilitava muito a nossa vida. Ele era um animal competitivo nos treinos. Me ajudava muito na saída de bola. Eu prestava muita atenção nele, em como ele batia na bola, em como fazia todas aquelas jogadas. E isso me ajudava muito. É claro que todos entendemos que o futebol é assim mesmo”, comentou.
“Agora chegou o Joan, que também é um goleiro com características diferentes. Observo outras coisas no Joan e também aprendo muito. É claro que não tenho a mesma confiança que tinha com o Remi em relação ao Joan, mas é uma questão de tempo. Imagino que, quando o Mundial terminar, tanto o David, o Joan e eu formaremos uma equipe tão boa quanto a que tínhamos com o Remiro”, disse.
Por outro lado, Simón lembrou que não sabem qual goleiro será titular, mas é o mesmo que acontece com as demais posições. “Sempre gosto de destacar que não sabemos qual goleiro vai jogar no dia de Cabo Verde. Imagino que vocês possam fazer suas apostas e eu também terei minha ideia de quem pode jogar, mas a realidade é que todos treinamos para poder jogar no dia de Cabo Verde”, observou.
“Mesmo que alguém ache que tem mais chances do que outro, sempre terá que dar 100%. E isso é o mais bonito de tudo isso, que agora, durante o treino, estamos os três a 100% e, depois, a convivência é maravilhosa. Então, acho que isso é muito importante. Mas não só na baliza. É que vejo o Cucurella e o Grimaldo, que são dois amigos que iriam a qualquer lugar juntos. Vejo o Borja e o Mikel Oyarzabal, que são iguais”, acrescentou.
Para o goleiro basco, essa convivência da equipe é fundamental para disputar a Copa do Mundo. “Que aqui ninguém se sinta superior a outro. Que todos sigamos no mesmo ritmo. Que sigamos todos juntos. E bem, é isso que eu realmente acredito que faz com que você possa estar, não ganhar, mas que você possa estar mais perto de poder ganhar uma Copa do Mundo”, disse.
Por outro lado, Simón foi questionado sobre as favoritas. “Acho que são Portugal, França, Argentina e Espanha. O Brasil, evidentemente, entra nessa lista de candidatos. Acho que Marrocos pode fazer uma Copa do Mundo excelente. E sempre surge alguma surpresa, que você nem imagina que possa estar entre as favoritas e acaba surpreendendo”, afirmou.
Quanto à Espanha, que estreia na segunda-feira contra Cabo Verde, Unai Simón entendeu que o país está entre as favoritas. “Somos uma seleção que, nos últimos anos, demonstrou que pode competir com qualquer um. Vimos de duas finais da Liga das Nações e de uma Eurocopa conquistada, o que, evidentemente, nos coloca nesse grupo de favoritas”, comentou.
“Isso não vale nada, podem te considerar favorito. Às vezes é até pior, você se empolga e fica emocionado. E o que realmente importa é tratar sempre com humildade todas as seleções, seja Cabo Verde, Arábia Saudita ou, quem sabe, uma final contra qualquer time. E bem, encarar os jogos da mesma forma que temos encarado até agora”, confessou, lembrando que, para vencer, também “é preciso ter sorte” e, neste Mundial, adaptar-se às viagens.
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