BARCELONA 18 jul. (EUROPA PRESS) -
A final desta Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá entre Espanha e Argentina promete ser bastante emocionante, mas, sem dúvida, o destaque fica por conta do confronto entre o argentino Leo Messi, que provavelmente enfrenta sua última chance de levar a Argentina a mais um título mundial, e Lamine Yamal, que, com apenas 19 anos, disputa sua primeira Copa do Mundo em uma carreira que promete marcar uma época.
Sem dúvida, esta última partida da Copa do Mundo de 2026, esta grande final, vai além do esporte e simboliza a passagem de bastão entre duas gerações separadas pelo grande oceano, mas unidas por uma mesma origem futebolística: a La Masia do FC Barcelona.
Pois se, há pouco mais de duas décadas, um menino argentino de Rosário chegava a Barcelona para perseguir um sonho que mudaria para sempre a história do futebol blaugrana, europeu e mundial, agora é outro fruto dessa mesma La Masia que, vindo de Rocafonda (Mataró), pretende pegar esse bastão e dar à Espanha sua segunda Copa do Mundo, além de tornar realidade o sonho que o argentino perseguiu por quase duas décadas.
Messi e Yamal, separados por duas décadas, mas unidos por uma foto em que o espanhol era apenas um bebê para um calendário solidário que agora voltou a ocupar as primeiras páginas, dividirão o palco em uma daquelas partidas destinadas a ficar na memória de muitos. Poucas vezes uma Copa do Mundo reuniu um confronto tão carregado de simbolismo.
De um lado estará o melhor jogador da história do FC Barcelona — para muitos, também o melhor da história em geral — e o maior artilheiro de todos os tempos das Copas do Mundo. Do outro, o mais recente grande fenômeno surgido da base do “culé”, apontado desde muito cedo como um dos talentos destinados a dominar o futebol mundial na próxima década e, apesar de não gostar disso, constantemente comparado a Messi.
Embora tenham nascido em continentes diferentes e com vinte anos de diferença, suas trajetórias apresentam paralelos surpreendentes. Messi chegou a Barcelona com apenas 13 anos, vindo do Newell’s Old Boys. Lamine Yamal ingressou ainda criança na La Masia, após dar seus primeiros passos na Unió Esportiva Rocafonda e no CF La Torreta. Ambos cresceram sob a mesma metodologia, compartilharam campos de treinamento na Ciutat Esportiva e estrearam no time principal ainda na adolescência, quebrando recordes de precocidade.
No entanto, suas trajetórias também seguiram ritmos muito diferentes. Messi precisou de cinco Copas do Mundo para levantar a taça. Estreou-se na Alemanha 2006 como uma jovem promessa, foi eliminado nas quartas de final na África do Sul 2010, perdeu a final no Brasil 2014, foi eliminado nas oitavas de final na Rússia 2018 e acabou conquistando o título no Catar 2022, quando já era um dos melhores jogadores de futebol — o melhor, para a grande maioria, de todos os tempos —, tirando assim aquele “peso” de cima.
Lamine Yamal, por outro lado, chegou à final em sua primeira participação em uma Copa do Mundo. Depois de se tornar uma das revelações do torneio — embora não tenha sido tão decisivo para a seleção espanhola quanto na Eurocopa de dois anos atrás, com apenas um gol marcado, mas sim indispensável e atraindo a atenção dos adversários, o ponta do Barça está a um jogo de conquistar um título que Messi levou dezesseis anos para conquistar desde sua estreia na Copa do Mundo.
A comparação, no entanto, termina aí. Ninguém no futebol espanhol, nem no Barça, pretende ainda colocar sobre os ombros do jovem de Rocafonda o peso de suceder ao argentino. Sua ascensão lembrou inevitavelmente a de Messi devido à idade, à posição em campo ou à capacidade de decidir partidas pela lateral direita, mas o jogador da seleção espanhola nunca escondeu que seu objetivo é escrever sua própria história e não se tornar “o novo Messi”.
DOIS LÍDERES
Além disso, por quase vinte anos, qualquer criança que cruzasse os portões da La Masia o fazia tendo o jogador de Rosário como referência. Lamine Yamal também. O argentino traçou o caminho para toda uma geração de jovens jogadores formados no Barcelona e transformou a camisa “10” do Barça em um símbolo praticamente inatingível. Agora, uma daquelas crianças que cresceu admirando-o terá diante de si a oportunidade de eliminar seu grande ídolo no maior evento do futebol.
Messi chega à final depois de liderar mais uma vez a Argentina, em sua última participação, embora não tenha marcado gols nos dois últimos jogos. Pela primeira vez nesta Copa do Mundo, ele ficou sem marcar nas quartas de final contra a Suíça, embora tenha sido decisivo mais uma vez ao dar assistência para Alexis Mac Allister no primeiro gol, antes de Julián Álvarez e Lautaro Martínez garantirem a classificação na prorrogação. E, nas heroicas semifinais, na derrota por 1 a 2 para a Inglaterra, ele assumiu o papel de assistente.
Lamine Yamal, por sua vez, tem tentado recuperar sua melhor forma após superar a lesão com a qual chegou ao torneio e confirmou que a Espanha também conta com um jogador capaz de decidir grandes partidas, como a final de uma Copa do Mundo, onde espera finalmente ter aquele dia espetacular que todos ansiam, incluindo Luis de la Fuente, que tem uma confiança inabalável nele e tenta mimá-lo e tirar qualquer tipo de pressão que o ponta assume com a mesma desenvoltura de seu futebol.
No domingo, no mesmo gramado do MetLife Stadium, em Nova Jersey (Nova York), coexistirão dois momentos opostos de uma mesma história. Para Messi, pode ser o último capítulo de uma carreira única. Para Lamine Yamal, apenas o começo do maior sonho de um jogador de futebol que, assim como o argentino há um quarto de século, um dia também chegou à La Masia com a esperança de conquistar os “culers” e o mundo. Da La Masia à final da Copa do Mundo de 2026.
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