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MADRID 27 ago. (EUROPA PRESS) -
O futebol europeu solicitou ao presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, que utilize todos os “meios institucionais, políticos e legais disponíveis” para fazer com que a FIFA “volte a ser governada como uma instituição”, enquanto o órgão europeu avisa que “unirá forças” para oferecer “uma alternativa confiável” caso Gianni Infantino decida se candidatar à reeleição na entidade que rege o futebol mundial.
Conforme informou a UEFA nesta quinta-feira em um comunicado, por ocasião da reunião em Mônaco para o sorteio das competições de clubes da UEFA 2026-2027, representantes das federações nacionais que fazem parte do Comitê Executivo da entidade e membros do Conselho Europeu da FIFA se reuniram com os presidentes das federações nacionais europeias presentes em Mônaco “para debater a crise contínua” pela qual passa a entidade dirigida por Infantino.
Nessa reunião, foram analisadas “as consequências da tentativa fracassada” de Infantino de vender uma participação na Copa do Mundo de seleções a investidores externos, “um plano que revelou uma profunda falta de discernimento, um abuso do poder presidencial e uma concepção de liderança incompatível com as funções do cargo mais alto do futebol mundial”.
“Os presentes encarregaram, por unanimidade, o presidente e a Administração da UEFA de explorarem todas as vias institucionais, políticas e legais disponíveis para alcançar uma reforma fundamental, restabelecer os limites adequados à autoridade presidencial e garantir que a FIFA volte a ser governada como uma instituição, e não em torno de um único indivíduo”, afirmou a UEFA.
Para o órgão presidido por Aleksander Ceferin, “o primeiro passo” deve ser uma revisão externa “verdadeiramente independente” da ‘FIFA Forward Enterprise’, a subsidiária que se encarregaria de administrar os direitos comerciais e operacionais da Copa do Mundo, “com acesso total a todos os documentos, comunicações e registros de tomada de decisão pertinentes”. “A FIFA não pode investigar a si mesma e esperar que a comunidade do futebol simplesmente aceite suas conclusões”, adverte.
“Mas as consequências dessa crise vão além da governança. A confiança necessária para exercer o cargo de presidente da FIFA foi abalada e não pode ser recuperada com a retirada de uma proposta, oferecendo garantias ou prometendo reformas a posteriori. O futebol mundial precisa agora de uma nova liderança capaz de reconstruir essa confiança”, prossegue o comunicado.
Portanto, a UEFA “continuará colaborando com as Confederações, as Federações-Membro e a comunidade do futebol em geral — incluindo torcedores, jogadores, clubes, ligas e outros — para definir o futuro da FIFA”. “Se, apesar disso, o atual presidente da FIFA buscar um novo mandato, a UEFA unirá forças com suas confederações associadas para garantir que as Federações-Membro disponham de uma alternativa confiável, comprometida com a integridade, a prestação de contas, o desenvolvimento e uma mudança institucional genuína”, ressalta.
O órgão europeu lembrou que a FIFA conta atualmente com bilhões de dólares em reservas, dinheiro esse que “pertence às federações-membro”. Por isso, “juntamente com outras confederações”, estudará “em conjunto uma liberação responsável de parte das reservas da FIFA em benefício das federações-membro, garantindo, ao mesmo tempo, que qualquer proposta preserve a estabilidade financeira da FIFA”. Assim, considera que “a questão, portanto, é por que o presidente da FIFA acreditou que precisava de investidores externos para ampliar o financiamento”
Da mesma forma, os delegados foram informados de que a FIFA confirmou por escrito à UEFA que o projeto “FIFA Forward Enterprise” foi “retirado de forma irrevogável e permanente” e que “não voltará a aparecer sob nenhuma outra forma, estrutura, nome ou modalidade”.
A EUROPA NÃO BUSCA “MAIOR PODER”
Isso fez com que, após ter obtido “as duas garantias” que exigia da FIFA em 30 de julho e após consultar suas Federações Nacionais, a UEFA tenha decidido suspender, “provisoriamente”, a retirada das seleções europeias das competições da FIFA da próxima temporada, incluindo a Copa do Mundo Feminina Sub-20, a Copa do Mundo Sub-17 e a Copa do Mundo Feminina Sub-17. “Essa postura será constantemente reavaliada e poderá ser reconsiderada imediatamente se as circunstâncias assim o exigirem”, esclarece a entidade continental.
“Embora a questão imediata da participação já tenha sido resolvida, a crise subjacente persiste. A saída da ‘FFE’ não apaga a fraude, a intimidação e o abuso de poder que a tornaram possível. Tampouco restaura a confiança perdida”, insiste a UEFA, para a qual “não se trata de escolher entre a boa governança e o desenvolvimento do futebol”, nem de que “a Europa busque maior poder dentro da FIFA”. “Trata-se, simplesmente, de garantir que nenhuma parte do futebol mundial — seja grande ou pequena, com mais ou menos recursos — dependa do poder de uma única pessoa”, ressalta.
Para a UEFA, a FIFA tem “a responsabilidade fundamental de apoiar todas as federações-membro”. “E essa responsabilidade deve ser reforçada, não enfraquecida. Mas o desenvolvimento é uma obrigação institucional, não um favor presidencial, e nenhuma federação-membro deveria ter que escolher entre os recursos a que tem direito e a liberdade de exercer seu próprio critério”, ressalta.
Nesse sentido, ele deixa claro que sua postura “continua sendo inequívoca”. “Seja a Copa do Mundo ou um torneio sub-15, as competições da FIFA não estão à venda. Nem a governança do nosso esporte. Os recursos de desenvolvimento da FIFA nunca devem se tornar instrumentos de influência pessoal ou política. Eles pertencem ao futebol mundial e devem ser protegidos por meio de regras transparentes e objetivas.
A FIFA deve voltar a ser governada como uma instituição a serviço do futebol e não como um instrumento de poder individual”, afirma.
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