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"A Copa do Mundo não está à venda, não pode ser considerada um produto de investimento", denuncia em um comunicado
NYON (SUÍÇA), 30 (EUROPA PRESS) A UEFA e suas 55 federações membros expressaram nesta quinta-feira sua rejeição “de forma unânime e inequívoca” à proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados, além de anunciarem que “não” participarão das competições do órgão presidido por Gianni Infantino.
“A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados esportivos do futebol. Ela foi construída ao longo de gerações graças aos jogadores, às seleções nacionais e aos torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve ser cedida, jamais, a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, enfatizou.
Para a máxima entidade continental, é “irresponsável” e “indefensável” que uma proposta de tal importância para o futebol tenha sido concebida “em segredo” e levada à beira de sua aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão desse esporte.
“Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma renúncia ao dever da FIFA como guardiã do futebol mundial. As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das competições mais importantes do futebol ou arcar com as consequências”, acrescentou.
Na opinião da UEFA, não se trata de uma “decisão democrática”, mas de uma governança baseada na “intimidação”. “É um ato de coação indigno de uma instituição à qual foi confiada a gestão do futebol mundial. Mas nossa oposição vai muito além do processo. No momento em que investidores externos adquirirem participações nas competições da FIFA, o futebol mudará para sempre”, destacou.
Nesse sentido, o órgão presidido por Aleksander Ceferin enfatizou que a rentabilidade comercial se tornará uma “obrigação permanente”. “As expectativas dos investidores se tornarão uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que moldará o futuro do futebol não será mais motivada pelo que for melhor para o esporte, mas pelo que for melhor para os acionistas”.
“ESSE MODELO NÃO TEM LUGAR”
A UEFA foi categórica em relação ao modelo promovido por Infantino, que “não tem lugar no futebol mundial”. “O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo principal dever é maximizar a rentabilidade financeira. Tampouco os interesses das federações nacionais, das ligas, dos clubes, dos jogadores e dos torcedores podem ficar subordinados à rentabilidade dos investidores”, afirmou.
Além disso, ele enfatizou que o futebol “não pode hipotecar seu futuro” em nome do lucro econômico. “A posição da Europa é clara. Nunca concederemos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender o que simplesmente lhe foi confiado em nome da próxima geração”, destacou.
Por isso, a UEFA anunciou que “nenhuma seleção nacional da UEFA participará de nenhuma competição da FIFA enquanto essas propostas continuarem em vigor”, a menos que tal proposta tenha sido totalmente abandonada e tenham sido dadas garantias vinculativas de que a FIFA nunca mais abrirá sua governança nem suas competições à propriedade privada.
“Que ninguém tenha dúvidas: a UEFA e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação. Há momentos em que as instituições não são julgadas pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos. Há coisas que, simplesmente, são importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre será assim. E enquanto a Europa tiver voz, ela nunca estará à venda”, concluiu.
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