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BERLIM 30 jul. (EP/DPA) -
A UEFA convocou uma reunião de caráter urgente nesta quinta-feira à tarde para discutir os planos do presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino, de incorporar investidores privados em seus eventos, com destaque para a Copa do Mundo de futebol.
A UEFA condenou os planos que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu na noite de quarta-feira e que suscitaram reações contraditórias entre outras confederações.
O jornal alemão “Bild” informou que altos dirigentes, entre eles o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Bernd Neuendorf, discutiram os planos da FIFA por meio de uma videochamada da UEFA na quarta-feira.
“Não devemos perder o apoio dos torcedores, mas estamos no caminho certo para desperdiçá-lo. Considero isso extremamente problemático e inaceitável”, declarou Neuendorf à emissora ZDF.
A FIFA havia anunciado na terça-feira que investidores privados poderiam adquirir cerca de 20% de uma nova subsidiária, a FIFA Forward Enterprise, avaliada inicialmente em 20 bilhões de dólares (17,5 bilhões de euros).
A empresa deteria os direitos comerciais e administraria as competições da FIFA, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina e a Copa do Mundo de Clubes. Os críticos acusaram a FIFA de tentar garantir apoio por meio de pagamentos lucrativos e classificaram o plano como suborno, chantagem e destruição do esporte.
Eles temem que o acordo possa resultar em mais torneios, times e partidas com o objetivo de aumentar as receitas e valorizar as participações dos investidores.
Segundo informações, Infantino se comprometeu, em uma carta dirigida às 211 federações membros — que devem aprovar o plano —, a que cada uma delas receba 40 milhões de dólares (35 milhões de euros), com um pagamento inicial de 20 milhões (17,5 milhões de euros), caso o apoiem antes de 19 de setembro. O dinheiro virá de um pacote de financiamento de 10 bilhões de dólares (8,7 bilhões de euros).
A UEFA, que havia condenado os planos desde o início, se pronunciou sobre as notícias relativas ao prazo final. “Hoje ficamos sabendo do prazo que a FIFA estabeleceu para que as federações apoiem suas propostas ou, caso contrário, a oferta de pagamento único seja retirada. Isso diz tudo o que há para saber sobre esse plano”, afirmou.
Acrescentou que as conversas com muitas partes interessadas revelaram que “existe uma oposição significativa e crescente ao plano da FIFA”. “A FIFA não pode continuar usando nosso esporte para enriquecer a si mesma e a seus amigos”, denunciou.
AMEAÇA DE BOICOTE E A POSIÇÃO CHECA
Também há especulações de que a UEFA, que contribuiu com seis das oito seleções classificadas para as quartas de final e com a eventual campeã, a Espanha, na recente Copa do Mundo, poderia até mesmo boicotar os eventos da FIFA.
No entanto, o presidente da Federação Tcheca de Futebol, David Trunda, declarou em entrevista à Sky TV que vê um “impacto positivo”.
“Vejo os benefícios práticos que representa para o futebol tcheco trabalhar em estreita colaboração com Gianni Infantino e sua equipe. Fui eleito há pouco mais de um ano e, para mim pessoalmente, todos os projetos dos quais participei em colaboração com a FIFA foram muito positivos para o desenvolvimento do futebol europeu. É claro que precisamos de mais detalhes, mas minha opinião pessoal é que vejo o impacto positivo das intenções da FIFA”, afirmou.
A confederação asiática e a CONCACAF, que rege a região da América do Norte, América Central e Caribe, criticaram principalmente o fato de não terem sido consultadas e a falta de um processo adequado.
O órgão africano, a CAF, anunciou que realizará uma reunião de seu comitê executivo na próxima semana para examinar a proposta da FIFA.
“A CAF se compromete a continuar consultando e colaborando com suas federações membros, a FIFA, outras confederações de futebol e as partes interessadas, com o objetivo de apoiar o aumento dos recursos financeiros e de outra natureza para o desenvolvimento e o crescimento do futebol na África e em todo o mundo”, destacou.
A DEFESA DE INFANTINO
Infantino defendeu os planos em uma mensagem em vídeo divulgada na tarde de quarta-feira, na qual classificou o projeto multimilionário como “uma oportunidade de ouro para impulsionar o desenvolvimento desse esporte em nível mundial”.
Infantino rejeitou as críticas, afirmando que a proposta fazia “parte de um processo democrático” e que exigiria a aprovação da maioria dos membros da FIFA, bem como do Conselho da FIFA.
Espera-se que a proposta conte com o apoio das federações menores, muitas das quais esperam que ela represente um aumento significativo na receita.
“Uma parcela muito pequena do crescente valor comercial do futebol chega aos setores deste esporte que mais precisam dele”, afirmou ele, argumentando que era necessária mais experiência para aproveitar esse valor. Ele também tentou tranquilizar os torcedores, afirmando que “o esporte que vocês assistem e amam não vai mudar”.
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