MADRID 10 ago. (EUROPA PRESS) -
As confederações UEFA, CONCACAF e AFC criticaram nesta segunda-feira a FIFA por não reconhecer seu erro no projeto FIFA Forward Enterprise como uma “falha de julgamento”, por classificá-lo como uma “falha de comunicação” e, ao mesmo tempo, denunciaram a “reunião restrita” da FIFA com o Marrocos, conforme indicaram em um comunicado conjunto.
“A recente carta da FIFA aos seus vice-presidentes e às 211 federações membros reconhece que foram cometidos erros no processo. Ela trata isso como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi um erro de julgamento”, denunciaram as três confederações.
Além disso, elas afirmam que a proposta, apresentada “em um prazo muito curto” e sem uma consulta significativa, foi levada adiante com um prazo limite antes que as federações-membro pudessem examinar “adequadamente seus termos”. “Não se trata de um descuido, mas de uma estratégia destinada a limitar o escrutínio”, afirmam.
Da mesma forma, segundo as confederações UEFA (Europa), CONCACAF (América do Norte, América Central e Caribe) e AFC (Ásia), a carta não reconheceu que a proposta fosse “intrinsecamente errada”. “Ainda não se reconhece que tentar vender uma participação na Copa do Mundo da FIFA foi um grave erro de julgamento — não apenas um passo em falso no procedimento, mas uma violação fundamental da confiança das próprias instituições às quais a FIFA é chamada a servir”, afirmaram.
E é que a FIFA, depois de não receber apoio suficiente das confederações para impulsionar seu projeto FIFA Forward Enterprise (FFE) — que previa a venda de 20% de seus direitos comerciais a uma subsidiária promovida pela própria entidade reguladora do futebol mundial, com o objetivo de atrair investidores privados —, explicou os detalhes desse plano.
“A FIFA também se comprometeu a apresentar um relatório completo sobre esses fatos ao Conselho da FIFA, sem reconhecer, mais uma vez, que uma governança adequada diante de uma falta de critério tão grave exigiria que tal revisão fosse realizada por um terceiro totalmente independente, e não pela própria FIFA, seu pessoal ou qualquer outra parte interessada do mundo do futebol. A administração da FIFA não deveria desempenhar nenhum papel na realização da revisão”, continuou o comunicado.
Por isso, as três confederações concordaram que o futebol não deve pertencer a nenhuma pessoa nem instituição. “Ele pertence aos jogadores, torcedores, clubes, às federações membros e a todas as instituições encarregadas de zelar por seu futuro”, afirmaram.
“O crescimento da última década foi real. Mas esse progresso nunca foi obra de uma única pessoa. Foi o resultado do trabalho da FIFA, das confederações, das federações membros e das milhares de pessoas que dedicam sua vida a este esporte”, reconheceram.
“TRATA-SE DE ALGO FUNDAMENTAL: A INTEGRIDADE DO FUTEBOL”
Também destacaram as “conquistas compartilhadas” por todas as federações de futebol recentemente. “A ampliação dos torneios, a atribuição das Copas do Mundo da FIFA de 2030 e 2034, a distribuição de recursos às federações”, detalharam.
Além disso, no âmbito econômico, a UEFA, a CONCACAF e a AFC afirmaram que todas as confederações exigiram uma “distribuição responsável das enormes reservas da FIFA, com o objetivo de reforçar o investimento no desenvolvimento das federações membros”.
“Também não se trata de que nenhuma federação-membro perca o apoio que conquistou, apesar da campanha de intimidação dirigida aos nossos membros para sugerir o contrário. Também não se trata de repensar a ampliação das competições, a atribuição das Copas do Mundo nem qualquer outra decisão tomada coletivamente. Essas decisões foram tomadas em conjunto e devem ser mantidas”, acrescentaram. “Trata-se de algo mais fundamental: a integridade do futebol e daqueles que foram eleitos para dirigi-lo”, afirmaram.
“NÃO É A CONDUTA PRÓPRIA DE UM GUARDIÃO DO FUTEBOL”
Por esse motivo, as três confederações destacaram que a liderança no futebol não é “uma posse”, nem se trata de “ostentar ou exigir o poder para mantê-lo”, mas sim um serviço prestado à “família do futebol” que lhe confia essa responsabilidade. “Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando uma pessoa se coloca acima do coletivo que lhe confiou a autoridade, esse dever foi abandonado”, destacou o comunicado.
“A própria carta da FIFA também confirma que apenas um representante eleito esteve presente na reunião da diretoria realizada no Marrocos. Nenhum membro do Conselho da FIFA nem de nenhuma federação afiliada foi convidado a participar. Estava presente apenas o comitê de gestão, composto por altos funcionários da FIFA”, afirmaram a UEFA, a CONCACAF e a AFC.
Para as três confederações, essa reunião, convocada no exterior para um “número seleto” de membros do Comitê de Gestão da FIFA, reforçou suas preocupações e representou uma continuação do “mesmo padrão de conduta” que levou a essa situação. “Não é a conduta própria de um guardião do futebol, mas de alguém que acredita que o futebol deve prestar contas a ele. Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência”, apontaram em sua crítica direta ao presidente da FIFA, o suíço Gianni Infantino.
“Essas não são as qualidades que o futebol merece em seus dirigentes. Por isso, adotamos essa postura: não de ânimo leve nem por conta própria, mas juntos, e pelo dever que temos para com o futebol ao qual servimos”, afirmaram. “A força do futebol sempre foi sua unidade. Pedimos que agora essa unidade seja respeitada, que haja dirigentes que sirvam ao futebol, e não que pretendam comandá-lo”, concluíram.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático