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MADRID 28 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, deixou claro mais uma vez nesta terça-feira que “é preciso mudar muitas coisas” no VAR e que “é preciso resolver um problema que gera muita insatisfação entre clubes, jogadores e dirigentes”, ao mesmo tempo em que não se preocupa muito com a última denúncia do Real Madrid e tem certeza de que o próximo início da LaLiga EA Sports cumprirá rigorosamente o acordo coletivo no que diz respeito às férias dos jogadores e ao tempo de preparação das equipes.
“É preciso mudar muitas coisas no VAR, é um assunto que precisa ser reconsiderado. É preciso ter em mente que o mundo do VAR depende das normas da FIFA e eu sou daqueles que defendem, e assim já disse ao CTA, que temos que avançar para um modelo mais próximo do 'Football Video Support'", afirmou Tebas à imprensa após comparecer à apresentação da Rede de Cidades juntamente com a Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP).
O dirigente não esconde que “algo não está funcionando” e mostrou-se esperançoso de que uma solução seja a chegada do “impasse automático, porque o semiautomático é uma farsa”. “Isso vai ajudar, pelo menos em algum tipo de jogada, a resolver o problema e a sermos mais objetivos”, advertiu.
Além disso, ele lembrou que também será implementado, na hora da seleção dos árbitros, o uso da inteligência artificial “tanto para determinar quem será o árbitro das partidas quanto para selecionar aqueles que obtiveram as melhores pontuações durante a temporada para que apitem as partidas mais complicadas”.
“Já faz muitos anos que temos o VAR e falamos em intervenção mínima, e já faz muitos anos que não se dá atenção à intervenção mínima. Fran Soto diz que, se passarem cinco minutos, não é um erro claro, mas se for um minuto, não é preciso esperar tanto. Definitivamente, é preciso dar uma solução a um problema que gera muita insatisfação nos clubes, jogadores, torcedores, dirigentes e nas pessoas que não entendem de futebol”, sentenciou.
Por outro lado, Tebas garantiu que já nada o surpreende no Real Madrid, depois que o clube madridista denunciou que “ao Real Madrid, tudo o que é uma ação coordenada das equipes da Liga, ponto por ponto, não agrada, não é a sua forma de entender o futebol profissional”, destacou.
“O Real Madrid não compartilha com a grande maioria dos clubes de futebol um modelo de liga profissional onde há muitos conceitos que são colocados em prática de forma coletiva e que tornam a competição muito maior e tornam o Real Madrid muito maior. Como muitas vezes ouvi seu presidente dizer, a Liga é o Real Madrid e mais 19”, acrescentou.
Tebas insistiu que seu problema com Florentino “não é pontual” e que se concentra apenas no fato de que eles têm “um modelo muito diferente de futebol profissional, tanto na Espanha quanto na Europa”, e foi irônico sobre o acordo do clube madrilenho com a UEFA e a ECA, “três instituições importantes”, com o qual se poria fim à questão da Superliga. “Não sei o que terão acordado; eu, pelo menos, da minha liga não sei, porque não sei o que assinaram; é um pouco ‘kafkiano’ tudo o que está a acontecer com este tipo de acordos”, sentenciou.
UMA PRIMEIRA JORNADA DA LIGA 26-27 DIVIDIDA
O presidente da LaLiga falou sobre o início da próxima temporada, que será em uma data “em que será cumprido para todos os jogadores o que estabelece o acordo coletivo da AFE”, com os jogadores desfrutando de “três semanas de descanso” e com “três semanas de preparação para qualquer time”.
“Fizemos um estudo e é muito fácil dividirmos a primeira rodada em seis jogos por volta de 14 de agosto e outros quatro ou três durante a semana. A primeira rodada será dividida e todos os jogadores e clubes terão seus 21 dias”, destacou.
E os jogos que sobrarem serão disputados “entre a segunda e a terceira rodada, porque, caso contrário, não seria justo”. “Essa é a ideia, mas teremos que ver como será, pois estou falando de quatro jogos, mas podem ser dois ou um. A firme vontade, acima de tudo, é cumprir o que estabelece o acordo coletivo, que existe para ser cumprido e foi por isso que o assinamos”, observou.
Tebas não esquece que “parece que todos os jogadores da Copa do Mundo vão jogar”. “Acho que temos 70 jogadores e nem todos chegam a disputar as quartas de final. Fizemos um estudo histórico e uma grande parte termina em 28 de junho, e esses estão perfeitamente preparados para jogar em 14 de agosto, inclusive aqueles que terminam em 4 de julho”, detalhou.
Por isso, eles se adaptam às “seleções que historicamente se classificaram para as semifinais e quartas de final” em uma Copa do Mundo, sendo “os mais afetados” o FC Barcelona, o Real Madrid, o Atlético de Madrid e o Athletic Club. “Mas se isso acontecer em outro clube, ele não começaria em 14 de agosto, começaria mais tarde, numa quarta-feira, o que permite que eles tenham os 21 dias de férias previstos no acordo e sua equipe três semanas de preparação”, reiterou.
Nesse sentido, o advogado foi claro sobre o que aconteceu no ano passado com a Copa do Mundo de Clubes com o Real Madrid, que “teve 19 dias de férias”, embora naquela ocasião não fosse “a mesma circunstância”. “Trata-se de uma Copa do Mundo de Clubes voluntária e, nós, nos torneios que são obrigatórios, gostamos de ter medidas coerentes; nos torneios em que se participa voluntariamente, não temos por que fazer isso”, concluiu.
“ANDRADA DEVERIA FICAR MESES SEM JOGAR”
Por outro lado, o dirigente evitou entrar em polêmica sobre se o Real Madrid deve ou não formar uma passagem de honra para o FC Barcelona caso este já seja campeão no Clássico de 10 de maio. “Isso o Real Madrid é que tem que decidir; nos regulamentos não consta a política de passagem de honra. São tradições e dependem dos clubes”
Da mesma forma, Tebas classificou como “autêntica barbaridade” a agressão do goleiro do Real Zaragoza, Esteban Andrada, ao jogador do SD Huesca, Jorge Pulido, e espera “o máximo possível” de punição. “Não conheço bem o regulamento, mas fala-se apenas de 12 partidas, quando na verdade deveria ser vários meses sem poder jogar”, opinou.
Por fim, sobre os insultos nos estádios, ele ressaltou que é “importante” erradicá-los e “aplicar as medidas corretivas”, e por isso considera necessária essa aliança com as cidades que “têm futebol profissional” com vistas ao “objetivo final, que é reduzir muito mais esses comportamentos de intolerância que existem no esporte e na sociedade”.
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