Publicado 18/03/2026 11:06

O Senegal rejeita a decisão de declarar Marrocos campeão da Copa Africana, considerando-a "gravemente ilegal"

Archivo - Arquivo - 14 de janeiro de 2026, Marrocos, Tânger: Jogadores do Senegal comemoram o primeiro gol de sua equipe durante a partida da Copa Africana das Nações de 2025 entre Senegal e Egito, no Estádio de Tânger. Foto: Ulrik Pedersen/CSM via ZUMA P
Ulrik Pedersen/CSM via ZUMA Pres / DPA - Arquivo

MADRID 18 mar. (EUROPA PRESS) -

O governo do Senegal rejeitou nesta quarta-feira a decisão de declarar a seleção de futebol de Marrocos campeã da última Copa Africana, depois que a Confederação Africana de Futebol (CAF) declarou nesta terça-feira a seleção masculina do Senegal “culpada por perder por não comparecimento” na final, disputada no último dia 18 de janeiro, por ter abandonado o campo e ameaçado não voltar, em sinal de protesto após um pênalti, decisão que classificaram como “gravemente ilegal”.

“O Governo do Senegal expressa sua profunda consternação diante da decisão adotada pelo tribunal de apelação da CAF, pela qual é retirado da seleção nacional do Senegal o título de campeã africana de 2025 para concedê-lo ao Marrocos”, escreveu Marie Rose Khady Fatou Faye, secretária de Estado do Primeiro-Ministro e porta-voz do Governo senegalês.

Para o Executivo do país africano, “essa decisão sem precedentes, de gravidade excepcional, colide frontalmente com os princípios fundamentais que sustentam a ética esportiva”, entre os quais se destacam “a equidade, a lealdade e o respeito pelo que ocorreu em campo”. “Ela decorre de uma interpretação manifestamente errônea do regulamento, o que conduz a uma decisão gravemente ilegal e profundamente injusta”, acrescentou.

“Ao colocar em causa um resultado obtido ao final de uma partida disputada regularmente e vencida respeitando as regras do jogo, a CAF atenta gravemente contra sua própria credibilidade, bem como contra a confiança legítima que os povos africanos depositam nas instituições esportivas continentais”, acrescentou a carta do Governo.

Por isso, o Senegal “não pode tolerar que uma decisão administrativa anule o empenho, o mérito e a excelência esportiva”. “O Senegal rejeita sem ambiguidades esta tentativa de espoliação injusta”, afirmaram com firmeza o governo senegalês, que solicitou a abertura de uma investigação internacional independente por suspeitas de corrupção na CAF.

Assim, o Senegal recorrerá por “todas as vias adequadas” contra essa decisão, inclusive perante as instâncias jurisdicionais internacionais competentes, para que “se faça justiça e se restabeleça a primazia do resultado esportivo”.

O governo senegalês aproveitou também para renovar a solidariedade de toda a nação com os senegaleses detidos em Marrocos na sequência dos incidentes da final da Copa Africana. “O Senegal permanecerá firme, vigilante e inflexível na defesa dos direitos da seleção senegalesa e no restabelecimento do espírito esportivo africano”, concluiu a carta.

Nesta terça-feira, a Comissão de Apelação da CAF admitiu “formalmente” e deferiu o recurso interposto pela Real Federação Marroquina de Futebol (FRMF) após o desfecho daquela final, em que Brahim Díaz perdeu o polêmico pênalti ao cobrá-lo à la Panenka e não evitou a prorrogação, na qual Pape Gueye marcou um golaço que deu o troféu ao Senegal e prolongou a seca da seleção marroquina, que além disso era anfitriã do torneio.

“A decisão do Comitê Disciplinar da CAF é anulada. A Comissão de Apelação da CAF considera, além disso, que a conduta da equipe do Senegal se enquadra no âmbito de aplicação dos artigos 82 e 84 do Regulamento da Copa Africana das Nações”, destacou o comunicado à imprensa.

Nesse sentido, o texto destacou que “declara-se que a Federação Senegalesa de Futebol (FSF), por meio da conduta de sua equipe, infringiu o artigo 82 do Regulamento” e que, aplicando o artigo 84, a partida foi considerada perdida pela seleção senegalesa “por não comparecimento”, quando, após a marcação daquele pênalti, alguns jogadores abandonaram o campo por alguns minutos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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