Publicado 12/06/2026 08:11

A seleção espanhola e uma história nas Copas do Mundo marcada pela amargura

Archivo - Arquivo - 6 de dezembro de 2022, Catar, Al-Rayyan: Jogadores de Marrocos comemoram a vitória na disputa de pênaltis da partida das oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA Catar 2022 entre Marrocos e Espanha, no Estádio Education City. Foto: Ni
Nick Potts/PA Wire/dpa - Arquivo

MADRID 12 jun. (EUROPA PRESS) -

A seleção masculina espanhola de futebol já está contando os dias que faltam para sua estreia na Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, um evento para o qual chega como uma das favoritas, mas no qual a história mostra que não tem se saído muito bem, com exceção do histórico ano de 2010.

A Espanha entrará em campo na segunda-feira, 15 de junho, às 18h, no Mercedes-Benz Stadium, na cidade norte-americana de Atlanta, contra a estreante Cabo Verde, 67ª colocada no ranking mundial da FIFA. Uma estreia em uma Copa do Mundo que já foi um obstáculo em muitas ocasiões, inclusive na edição que terminou com a “Roja” sendo coroada campeã mundial pela primeira e única vez em sua história.

Antes disso, há quase quatro anos, no Catar, a seleção nacional, então comandada por Luis Enrique Martínez, teve uma estreia espetacular, com uma goleada retumbante por 7 a 0 sobre a Costa Rica, o que despertou ainda mais as esperanças sobre suas chances, que, no entanto, foram se esvaindo aos poucos.

Aquela vitória foi apenas a terceira da seleção neste torneio desde a conquistada em 11 de julho de 2010 no Soccer City, em Joanesburgo, contra a Holanda, alcançando a glória nos instantes finais da prorrogação. Nos onze jogos seguintes, venceu apenas três: contra a Austrália no Brasil 2014 (3 a 0), e quando já estava eliminada na fase de grupos, contra o Irã (1 a 0) na Rússia 2018 e a já mencionada contra os “ticos”.

Em 2014, sofreu uma dura derrota na estreia contra a Holanda, que se vingou de quatro anos antes de forma contundente (5 a 1), e depois não conseguiu superar o Chile (2 a 0), despedindo-se sem chegar às oitavas de final. Em 2018, um grande gol de falta de Cristiano Ronaldo nos minutos finais impediu a vitória na estreia, e um gol de última hora de Iago Aspas contra o Marrocos salvou a equipe da derrota antes da primeira partida das oitavas de final, contra os anfitriões (1 a 1), vencedores nos pênaltis, algo que se repetiria em 2022 contra o Marrocos (0 a 0), com quem se enfrentou após empatar com a Alemanha (1 a 1) e perder para o Japão (2 a 1).

No total, a Espanha venceu 31 partidas em Copas do Mundo, sendo o maior número na África do Sul 2010, quando venceu as seis partidas seguintes à sua surpreendente derrota na estreia contra a Suíça (0-1). A partir daí, destacam-se as três vitórias no Brasil 1950, no México 1986, na Coreia do Sul-Japão 2002 e na Alemanha 2006, enquanto em 2002 e em 2018 foi eliminada sem ter perdido nenhuma partida.

GOLS INUSITADOS, PÊNALTI E DECISÕES ARBITRAIS

A Espanha pode se orgulhar de ter quatro Eurocopas em seu palmarés e ser a seleção mais laureada do Velho Continente, mas na Copa do Mundo, além do título de 2010 e do quarto lugar em 1950 — sobretudo por ter derrotado a Inglaterra, a “Pérfida Albion” —, sua trajetória tem sido marcada por amarguras e decepções.

2014, 2018 e 2022 foram edições da Copa do Mundo que voltaram a lembrar as dificuldades da “Roja” neste torneio. Em 2006, com Luis Aragonés, apesar de ter vencido todos os jogos da fase de grupos contra Ucrânia, Tunísia e Arábia Saudita, a equipe enfrentou um confronto difícil nas oitavas de final contra a experiente França de Zinédine Zidane e companhia, que acabou com qualquer chance com uma vitória por 3 a 1, apesar do gol inicial de pênalti de David Villa.

Quatro anos antes, na Coreia do Sul e no Japão, e com José Antonio Camacho no comando, também houve três vitórias contra Eslovênia, Paraguai e África do Sul, e, dessa vez, a seleção se salvou nos pênaltis nas oitavas de final contra a República da Irlanda, antes de ser eliminada, da mesma forma, pela Coreia do Sul, em uma partida lembrada pela arbitragem polêmica do egípcio Gamal Al-Ghandour.

Uma polêmica que também atingiu a seleção nacional treinada por Javier Clemente nos Estados Unidos em 1994. Após empatar na fase de grupos contra a Coreia do Sul e a Alemanha, e vencer a Bolívia de Xabier Azkargorta, passou com sucesso pelas oitavas de final contra a Suíça, mas foi eliminada nas quartas de final pela Itália (2 a 1), com a defesa de Gianluca Pagliuca em um mano a mano contra Julio Salinas quando o placar estava 1 a 1 e com o pênalti não marcado por Sandor Puhl pela cotovelada de Mauro Tassotti em Luis Enrique, que deixou este último ensanguentado, e logo depois de Roberto Baggio ter aproveitado um contra-ataque nos minutos finais para dar a vitória à “Azzurra”.

Quatro anos depois, na França, com Clemente também no banco e com muitas expectativas em relação às chances, a “Roja” ficou na fase de grupos após um início marcado pela derrota para a Nigéria por 3 a 2, apesar de ter estado duas vezes na frente, e com um estranho gol contra de Andoni Zubizarreta. A Espanha não conseguiu (0 a 0) contra o Paraguai na segunda partida e não houve sorte para passar, apesar da vitória por 6 a 1 sobre a Bulgária.

Em 1990, sob o comando de Luis Suárez, a seleção nacional também teve um desempenho discreto ao ser eliminada nas oitavas de final pela Iugoslávia na prorrogação (2 a 1), depois de ter melhorado gradualmente com um empate sem gols contra o Uruguai e vitórias contra a Coreia do Sul e a Bélgica. Esta última, contra os “Diablos Rojos”, serviu para se vingar de outro momento amargo, vivido quatro anos antes no México’86.

SER ANFITRIÃO NÃO AJUDOU

Lá, com Miguel Muñoz no comando e após o vice-campeonato europeu de dois anos antes, a Copa do Mundo não começou bem, com uma derrota por 1 a 0 para o Brasil, com o lembrado gol de Míchel que não foi validado pelo árbitro australiano Chris Bambridge. As vitórias contra a Argélia e a Irlanda do Norte garantiram a classificação para as oitavas de final, onde emergiu a figura de Emilio Butragueño, a “Águia de Querétaro”, que com quatro gols eliminou a talentosa Dinamarca (5 a 1). As semifinais eram um sonho ao alcance, mas se esfumaram em outra disputa de pênaltis contra os belgas, depois que Juan Señor forçou a prorrogação aos 85 minutos.

Também não foi melhor ser anfitriã, como em 1982, quando a Espanha deixou uma imagem discreta, empatando com Honduras na estreia, vencendo a Iugoslávia e perdendo para a Irlanda do Norte. Na segunda fase, em um grupo com a RFA e a Inglaterra, foi eliminada após perder para os alemães e empatar com os ingleses.

Aquela Copa do Mundo na Espanha aconteceu depois de nenhuma brilhante atuação em suas participações anteriores em 1978, com o gol perdido por Roberto Cardeñosa contra o Brasil, em 1966 e 1962, todas encerradas com eliminações na fase de grupos. As coisas foram melhores no Brasil'50, a primeira Copa do Mundo após a Segunda Guerra Mundial, com o quarto lugar.

Já 16 anos antes, em sua estreia em uma Copa do Mundo, na Itália, a seleção foi eliminada de forma polêmica pela anfitriã nas quartas de final, em um torneio disputado no sistema de mata-mata e onde, nas oitavas, havia derrotado o Brasil. Mas os italianos, sob o olhar atento de Benito Mussolini, recorreram a um jogo agressivo para se impor após uma partida de desempate incomum no dia seguinte ao empate em um gol, na qual a Espanha jogou sem sete jogadores devido a lesões.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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