MADRID 3 fev. (EUROPA PRESS) - O canoísta espanhol Saúl Craviotto confessa que vê os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028 “mais distantes do que a Groenlândia”, após uma carreira de mais de duas décadas em que comprovou que “a motivação é um amplificador de aptidões”, mas ele acredita “muito na disciplina”, embora revele que “mais cedo ou mais tarde” tomará uma decisão sobre o futuro olímpico em sua carreira profissional. “É o preço que você tem que pagar. Você tem que saber se está disposto a pagá-lo ou não. Quem está no topo paga. Se você não está disposto a pagar, então não espere ter o mesmo que quem está no topo. Isso faz parte do esporte, do trabalho, dos estudos e da vida em geral. Quem está no topo está lá por um motivo, e é porque esteve disposto a pagar o preço”, reflete o barcelonês sobre a falta de motivação em uma entrevista à Europa Press.
Após a apresentação do documentário “La ruta del primer kayak” (A rota do primeiro caiaque), uma viagem à Groenlândia protagonizada por Craviotto com a colaboração de “Seiko”, o atleta olímpico espanhol mais condecorado da história, com seis medalhas, reconhece que passou por “muitas dificuldades em várias ocasiões”, mas que “é preciso passar pelo aro”. “É por isso que acredito muito na disciplina. Eu tento buscar motivação permanentemente porque ela amplifica as habilidades e faz com que você dê o melhor de si, mas nos dias em que você não está motivado, não tem vontade, por problemas extraesportivos ou pessoais, você tem que fazer uma série e tem que se esforçar. E é assim que as coisas são”, admite, reivindicando o trabalho e o compromisso para potencializar o talento.
No entanto, Craviotto, medalha de ouro em Pequim em 2008 (K2 500) e no Rio de Janeiro em 2016 (K2 200), sabe que “existem centenas e milhares de caminhos” para alcançar o sucesso na elite. “Cada um tem sua maneira de ver a competição. No final, tudo faz parte do equilíbrio", relata, antes de abordar a situação de Carlos Alcaraz, muito criticado por sua vida privada. "A bronca que Alcaraz pode ter levado... O garoto é jovem, eu também saí para festas, também tive minhas farras, todos nós já tivemos 20 anos. Eu já era um atleta de elite, ganhava medalhas olímpicas e saía para festas. Todos nós fizemos o que tínhamos que fazer nos períodos que nos couberam”, defende. Mas ele não quer que as pessoas fiquem com essa ideia de que “Alcaraz vai para festas em Ibiza e ganha Roland Garros”. “Certamente, o garoto se diverte e encontra esse equilíbrio, mas não tenho dúvidas de que ele sofre, luta e é mais sério nos treinos, é uma máquina competindo e treinando, e se esforça quando precisa se esforçar. Tudo tem uma fase e ele também precisa aproveitar”, expressa. E é que a visão de Craviotto mudou à medida que amadureceu na competição. “A definição de sucesso muda ao longo da vida. Aos 20 anos, para mim, o sucesso era a aceitação dos outros, chegar a algum lugar. Aos 30, era acumular medalhas, ganhar mais dinheiro. Aos 40, é passar mais tempo de qualidade com minha família, dedicar-me ao que gosto”, explica.
Por isso, ele não quer falar sobre LA28, que seriam seus sétimos Jogos. “Vejo isso mais distante do que a Groenlândia”, brinca. “Na Espanha, há um nível brutal entre os jovens. Há pessoas que já estão nos pressionando, que estão pedindo espaço, como é normal e natural, a natureza está me colocando no meu lugar e pronto. Vou continuar competindo, vou continuar treinando, nunca vou desistir da canoagem. Mas em nível olímpico, vamos ver. Mais cedo ou mais tarde vou tomar uma decisão, porque as coisas estão ficando difíceis, vamos ver”, revela.
“É uma decisão que só eu tenho que pensar, não vai influenciar as expectativas dos outros, você tem que tentar ser corajoso o suficiente para tomar sua decisão quando considerar que é o certo para você, para o seu entorno, para a sua família. Mas está mais perto do que longe”, insiste. E Craviotto é outro depois de sua viagem à Groenlândia em maio passado para descobrir as origens do caiaque. “A vida vai criando caminhos com base nas experiências. E essa viagem, sem dúvida, criou um novo rumo. Ela me tocou. Não é uma viagem comum. E me ajudou a me conectar um pouco mais comigo mesmo, com a natureza. Aprender também a encontrar essa paz com quem eu sou e sem tantas expectativas dos outros. É como fazer uma pausa e dar um passo atrás. Às vezes é bom saber de onde viemos e conhecer nossa história”, lembra. “Essa viagem me mexeu, me fez conhecer minha origem e nunca esquecê-la, conhecer o Saúl do início, meus pais, os esforços que fizeram por mim para que eu fosse quem sou, esforços econômicos. E ver isso de forma mais global. É como fechar um círculo muito bonito, com muito significado. É algo muito especial”, comenta. Craviotto foi para a Groenlândia “completamente desligado” da essência do canoagem. “Esta viagem me ajudou a abrir a mente, a ver outros matizes, outras cores e a entender que meu esporte não se resume apenas a treinar de segunda a sábado, seis horas por dia, com um pulsômetro, tudo para ganhar uma milésima, para vencer e para ser mais rápido. Isso me fez entender um pouco mais a beleza do meu esporte”, conclui.
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