Publicado 02/07/2026 05:54

Sara Sorribes: “Com essa pausa, consegui entender muito melhor quem eu sou”

A tenista espanhola Sara Sorribes, durante a apresentação do estudo “Radiografia do bem-estar emocional e do esporte na Espanha”, realizado pela Nara Seguros.
NARA SEGUROS / ÁLVARO DÍAZ

MADRID 2 jul. (EUROPA PRESS) -

A tenista espanhola Sara Sorribes não esconde que a pausa de sete meses para cuidar de sua saúde mental lhe permitiu “entender muito melhor” quem ela era e perceber que sua “personalidade havia feito coisas muito melhores do que ela imaginava”, ao mesmo tempo em que tem clareza de que “não há nada igual” a conquistar uma medalha olímpica, nem mesmo um ‘Grand Slam’.

“Pessoalmente, sem ter nenhum conhecimento científico, diria que o esporte de elite não é saudável. Diria que não é saudável fisicamente, principalmente, desde que você consiga cuidar da sua saúde mental”, afirmou categoricamente a esportista de 29 anos, natural de Castellón, em entrevista à Europa Press, após a apresentação do estudo ‘Radiografia do bem-estar emocional e do esporte na Espanha’, realizado pela Nara Seguros.

Sorribes sabe o que é chegar ao limite mentalmente e como isso afeta seu trabalho e sua paixão; no caso dela, o tênis. Em abril de 2025, após uma vitória na Billie Jean King Cup, ela anunciou uma pausa por tempo indeterminado para cuidar de sua saúde mental. E o processo, no qual ela começou praticamente do zero, se estendeu por sete meses, já que, em novembro daquele mesmo ano, ela reapareceu em um torneio challenger no Chile.

Agora, a espanhola conseguiu separar a satisfação de se sentir orgulhosa do resultado. “Com a pausa, consegui entender muito melhor quem eu sou, fora do personagem, apenas a pessoa. E também perceber que o personagem tinha feito coisas muito melhores do que eu imaginava. Mas só percebi isso quando parei: ‘Nossa, Sara, que legal isso, nossa, que legal aquilo’”, contou a tenista.

“E acho que isso me deu a capacidade agora de ter uma visão diferente. 'Sim, perdi, mas estou bem, está tudo bem, vamos continuar, na próxima semana mais' ou 'ganhei, ótimo, mas vou ver'. Isso me ajudou muito”, acrescentou.

Porque, para Sorribes, esse não foi um processo para criar uma “nova Sara”, mas para voltar às primeiras tacadas com uma raquete quando era criança. “Para mim, é reencontrar a pessoa que começou a jogar tênis, o motivo pelo qual você começou, o que você gostava e essa essência totalmente diferente”, refletiu.

“Há muito medo. Há medo de não saber se você vai voltar, esse medo é enorme. ‘Será que vou voltar ao nível que tinha? Será que vou voltar a me sentir como antes?’ No ano passado, eu fui aos primeiros torneios [após a pausa] sem saber se seria capaz de estar lá ou não. Era ir aos poucos, não dá para estabelecer nenhum tipo de meta. Eu não fui para a Austrália porque não sabia se seria capaz de continuar jogando em dezembro”, revelou. “Você vai aos poucos e agora estou nesse momento de muita empolgação, muita vontade”, acrescentou.

Por isso, sua vitória no ITF W75 de Portorož, na Eslovênia, foi muito importante, “exatamente 365 dias depois” de anunciar sua pausa. “Não dá para comparar com ganhar uma medalha olímpica, principalmente porque não tive tempo (de aproveitar), o que foi algo que me incomodou um pouco, pois cheguei às 23h em Madri e, no dia seguinte, às 13h, já estava desistindo e mal — no Mutua Madrid Open —”, lembrou.

“Mas foi algo superbonito e muito profundo, daqueles momentos em que você pensa ‘que legal’, de como a vida me levou até aqui, dessa maneira, em um torneio do qual eu estava fora antes mesmo de começar, acabei entrando. Pude parar e ver todo o caminho que me levou até ali”, acrescentou.

Embora a maior conquista de sua carreira tenha sido a medalha de bronze nos Jogos de Paris de 2024 nas duplas, ao lado de Cristina Bucsa. “Eu não ganhei um ‘Grand Slam’, mas, para mim, não há nada igual a uma medalha olímpica. Era o sonho da minha vida, ainda fico com arrepios só de pensar nisso”, confessou.

“Sem dúvida alguma, era o sonho da minha vida conquistar uma medalha e eu sempre disse isso: queria uma medalha mais do que um ‘Grand Slam’, e a maioria dos jogadores dizia que eu era louca, mas para mim era a coisa mais linda”, reiterou a jogadora de Castellón.

Por fim, Sorribes analisou a importância das redes sociais no processo de recuperar um bom equilíbrio mental e emocional, tanto dentro quanto fora das quadras. “Não sou muito boa com redes sociais, então sinto que consegui fazer com que tudo o que acontece lá fora me importe bem pouco, o que ajuda muito”, destacou. “E se eu conseguir que isso me importe menos, quando chego para jogar me sinto empoderada, diferente. Se você se preocupa com o que está acontecendo lá fora, não consegue se dedicar tanto a si mesma. Para mim, ajuda muito estar bem fora das quadras, para que tudo flua de outra maneira”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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