OSCAR J.BARROSO/AFP7/EUROPA PRESS
LAS ROZAS (MADRID), 1 (EUROPA PRESS)
O meio-campista Rodri Hernández tem certeza de que “é sempre especial representar” a seleção espanhola, e “ainda mais em uma Copa do Mundo”, um evento para o qual eles vão com o ânimo de continuar “passo a passo” a construção do que começaram há alguns anos “para poder alcançar o marco mais importante na carreira de um jogador” com uma equipe que se diferencia das demais por ter trabalhado “um estilo de jogo e um espírito há muitos anos”.
“É sempre especial e muito bonito representar a seleção e, quando falamos de uma Copa do Mundo, ainda mais. É bonito reencontrar seus companheiros, voltar a ter aquela sensação de lutar por um mesmo objetivo. Ainda faltam alguns jogadores chegar e, quando estivermos todos, teremos que reconstruir esse espírito de equipe, mais do que de seleção, que considero tão importante para podermos aspirar a ganhar uma Copa do Mundo”, destacou Rodri durante o “Dia da Imprensa” da seleção.
O madrilenho lembrou que “quando este grupo começou”, o que eles desejavam era “construir algo grande”. “Mas é preciso ir passo a passo. Começamos com a Liga das Nações e depois já alcançamos um objetivo mais importante, como a Eurocopa, mas não nos iludimos com nada além do que éramos. Sabemos que o futebol vive do presente, não do passado”, alertou.
“O passado tem que servir para nos encher de confiança de que podemos fazer grandes coisas, mas entender que temos que continuar construindo esse edifício para alcançar, para mim, o marco mais importante na carreira de um jogador: ganhar uma Copa do Mundo”, acrescentou.
O meio-campista confessou que “raramente” se sentiu “tão bem” e “tão descansado, sem tantos jogos acumulados”. “Para mim, é algo positivo não ter tantos jogos. Acho que vai ser uma Copa do Mundo muito longa e que a participação de todos vai ser muito importante, assim como a carga de trabalho. Esses 15 dias que temos até a competição devem ser encarados como uma pré-temporada e precisamos nos preparar ao máximo, mas fisicamente estou muito bem e mentalmente, com muita vontade”, enfatizou.
Como veterano e capitão, Rodri tem “em mente” poder conversar com “as pessoas que estão vivendo sua primeira experiência” e alertá-las de que “outros aspectos influenciam, como o cenário que você vai enfrentar e estar preparado”. “Mas, da mesma forma, encarar isso com a mesma naturalidade com que se encara qualquer partida, porque, no fim das contas, não deixa de ser um esporte e uma partida de 90 minutos; por isso, transmitir a eles, acima de tudo, essa tranquilidade e confiança de que as coisas vão correr bem”, comentou.
“Por ser o primeiro capitão, não acho que meu papel mude muito em relação aos últimos anos, porque sempre tentei exercer liderança dentro e fora de campo com o exemplo e com a experiência. Em termos de imagem, ser o primeiro capitão exige certas coisas e, acima de tudo, talvez um pouco mais de exemplaridade em muitos momentos, mas, acima de tudo, ser o apoio nos momentos difíceis e de um pouco de incerteza, e transmitir essa tranquilidade. É um grupo suficientemente maduro e aqui estarão comigo para o que for preciso”, destacou sobre sua liderança como capitão.
Sobre os jogadores lesionados da equipe, ele falou de Nico Williams, que teve “um ano tão complicado”, mas que lhe transmitiu “muita positividade” e que “estava muito contente”. “Ele mal sentia dor, então esperamos que já nesta semana ele se junte ao grupo. Acho que o fato de serem tão jovens é positivo, porque o corpo se recupera melhor. Não sei quanto ao Mikel (Merino), mas entendo que está tudo bem e imagino que ele terá que recuperar, logicamente, o ritmo”, observou.
A IMPORTÂNCIA DE IR CRESCENDO DURANTE A COPA DO MUNDO
“É claro que estamos aqui para ganhar a Copa do Mundo, mas não penso nisso de forma alguma neste momento, porque é um caminho muito longo, onde é preciso construir coisas e escalar essa montanha tão grande, passo a passo. O que vai determinar se esta seleção vai triunfar ou não, no dia a dia, é ir crescendo, ir se sentindo cada vez melhor, melhorando, corrigindo as coisas que não fazemos bem. Acho que é nesse crescimento que vem o sucesso”, destacou Rodri.
O madrilenho enfatizou que a diferença em relação a outras seleções é que eles vêm “construindo um estilo de jogo e um espírito há muitos anos”. “Cada seleção tem seus prós e contras, nós temos os nossos e tentamos explorá-los ao máximo”, ressaltou o jogador do Manchester City
Por isso, ele defende ir para a Copa do Mundo “com essa mentalidade de não se achar o melhor”. “Tenho assistido ao documentário sobre o Nadal e ele sempre falava disso: sempre mais uma bola, mais um esforço, e é isso que os grandes campeões fazem. Acima de tudo, é preciso trazer à tona todo o talento que esta seleção tem, que é muito grande”, afirmou a respeito.
"Acho que a gente sempre tem que pensar no que pode almejar. Hoje, todos começamos do zero e temos que ver como vamos nos desenvolvendo. O tempo dirá onde vamos nos posicionar; o que está claro é que todos partimos do mesmo nível e temos que construir a partir daí", insistiu o meio-campista.
AS AUSÊNCIAS DE CARVAJAL E MORATA
Ele também se referiu à ausência de outros veteranos, como Dani Carvajal e Álvaro Morata. “Acho que o Dani contribuía não só no aspecto futebolístico, que todos conhecíamos, mas também com aquele caráter, aquele espírito competitivo, assim como o Morata. Agora sou, nesse sentido, o único que resta desse grupo e tento absorver o que pude aprender com eles para poder transmitir isso", confessou.
Por fim, questionado sobre os jovens talentos da seleção nacional, destacou que "a juventude traz algumas coisas e a experiência traz outras". “Acho que o equilíbrio entre os dois é a chave, e acho que temos dos dois, mas está claro que a juventude injeta aquela adrenalina, aquele vertigem de que você precisa, aquela desenvoltura muitas vezes, aquela imprudência de não ter medo das coisas, de sempre seguir em frente, o que é muito positivo e enriquecedor para o grupo”, admitiu.
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