Espanha, superestrela
A “Roja” conquista o título mundial 16 anos depois, ao derrotar a Argentina na prorrogação (1 a 0), graças a um gol de Ferran Torres
MADRID, 19 (EUROPA PRESS)
A Espanha sagrou-se campeã mundial neste domingo na Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, após vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, em uma final em que a atual campeã europeia superou amplamente a Albiceleste em termos de jogo, mas que teve que esperar até o, já mágico, minuto 106, quando Ferran Torres marcou o gol decisivo.
Andrés Iniesta já tem um sucessor. Ferran Torres, mais uma vez com um gol na prorrogação, deu à Espanha sua segunda Copa do Mundo. Foram necessários 16 anos para que a melhor geração de jogadores espanhóis tivesse sucessores. Os Xavi, Iniesta, Busquets, Ramos, Puyol, Villa ou Fernando Torres agora são Lamine Yamal, Rodrigo Hernández, Oyarzabal, Fabián Ruiz ou Pedri. Uma equipe que, sob o comando de Luis de la Fuente, brilhou no futebol e conquistou mais uma estrela no peito em solo americano.
A “Roja” derrotou a Argentina em uma final em que não deixou o adversário chutar a gol até os últimos minutos da prorrogação, e na qual Unai Simón não precisou fazer nenhuma defesa. A Espanha tentou o gol muito mais vezes, obrigando “Dibu” Martínez a ser uma das figuras da partida com 11 defesas. Mesmo assim, o futebol acabou sendo justo com quem mais se empenhou e mais quis vencer a final. E já são 39 partidas oficiais que a seleção espanhola acumula sem perder, nas quais acrescentou uma Copa do Mundo, uma Eurocopa e uma Liga das Nações ao seu palmarés.
Do lado argentino, Leo Messi ficou, provavelmente em sua última partida em uma Copa do Mundo, sem conseguir revalidar o título. E é que a vitória da Espanha também significou o fim de uma era de hegemonia da Albiceleste que se estendia desde 2021, com vitórias em uma Copa do Mundo e duas Copas América.
Como era de se esperar, Luis de la Fuente manteve o time titular que venceu a Bélgica e a França nas rodadas anteriores, com Fabián e Rodri no meio-campo. Houve surpresas no time argentino. Lionel Scaloni fez três alterações em relação à semifinal contra a Inglaterra, escalando Montiel, De Paul e Nico González no lugar de Nahuel Molina, Paredes e Giuliano Simeone, em parte para se proteger da lateral direita espanhola.
A partida começou com a Argentina tentando tirar o domínio da Espanha, mas a primeira chance clara para a “Roja” surgiu antes dos 5 minutos. Uma boa combinação deixou Lamine em posição privilegiada para abrir o placar. No entanto, Lisandro e o “Dibu” impediram o gol. Uma jogada que despertou os comandados de Luis de la Fuente, que começaram a assumir o controle do jogo, embora com falta de profundidade.
Assim, o primeiro tempo chegou ao intervalo para hidratação com o placar empatado. Um intervalo de três minutos que prejudicou o ritmo, e a partida entrou em uma fase de controle no meio-campo espanhol. Mas as únicas duas oportunidades em que a Espanha conseguiu testar o gol da Albiceleste foram dois chutes de longe de Oyarzabal e Cucurella, o primeiro defendido por “Dibu” e o segundo saindo ligeiramente ao lado. Mas o placar não se alterou nos primeiros 45 minutos, que também trouxeram a lesão de Lisandro, que foi substituído por Otamendi.
O intervalo foi mais longo do que o habitual devido ao “show” do intervalo, que contou com a participação de Madonna, BTS, Justin Bieber, Shakira e Coldplay, além de participações especiais de Ronaldo Nazário, Ronaldinho e Ted Lasso. Os comandados de Luis de la Fuente precisavam dar mais fluidez e verticalidade ao jogo e, com esse desafio, os mesmos onze jogadores voltaram ao gramado. Scaloni, por sua vez, fez alterações, colocando Paredes no lugar de Nico González.
Com a entrada do meio-campista do Boca, a Argentina ganhou domínio e avançou a pressão. A Espanha, em uma excelente jogada de triangulação, esteve perto de abrir o placar, mas a defesa bloqueou o chute de Oyarzabal, logo antes de o atacante de San Sebastián e Fabián deixarem o campo para dar lugar a Ferran Torres e Pedri. Ambos contribuíram desde que entraram, com o atacante cabeceando no meio de um ótimo cruzamento de Lamine.
A Espanha estava dominando e partia para o ataque com a entrada de Mikel Merino e Nico Williams. Do lado argentino, Scaloni teve que colocar Medina em campo devido à lesão de “Cuti” Romero. As substituições deram um novo ânimo à equipe, e Pau Cubarsí, com um chute de longe, Laporte, com uma cabeçada, e Ferran Torres tentaram a sorte antes de uma jogada que poderia ter marcado a final.
Nos acréscimos, uma entrada imprudente de Enzo Fernández, que já tinha cartão amarelo, resultou em uma entrada violenta sobre Pau Cubarsí, que voou pelos ares. A Vincic, que vinha tolerando a intensidade argentina, não teve outra escolha a não ser expulsar o meio-campista do Chelsea e deixar a campeã mundial com um jogador a menos para a prorrogação. Uma prorrogação que Lamine quase evitou com uma falta direta, mas o ‘Dibu’ respondeu com sua décima defesa na partida.
A prorrogação seria uma continuação do domínio espanhol, que esteve perto de abrir o placar com uma cabeçada de Nico Williams, defendida pelo ‘Dibu’ com mais uma defesa magnífica. E, alguns minutos depois, surgiu a polêmica. Pedri encontrou Merino dentro da área e o rebote de seu chute foi mandado por Nico para o fundo da rede. Mas Vincic marcou uma falta mais do que duvidosa de Merino sobre Otamendi. Decisão que o VAR confirmou.
Mas a euforia e a recompensa pelo que estava acontecendo em campo viriam logo no início do segundo tempo da prorrogação. Lamine cruzou para o segundo poste para Nico Williams, que desviou de cabeça para Ferran Torres, que se transformou em Andrés Iniesta com um chute de esquerda que entrou no fundo da rede aos 106 minutos. Um gol para a história, o primeiro do atacante do FC Barcelona na Copa do Mundo.
A campeã mundial estava cedendo a pouco mais de dez minutos do fim da partida. Esse tempo separava a Espanha de conquistar a segunda estrela em sua camisa. Minutos que poderiam ter sido menos eternos para a torcida espanhola se Ferran Torres não tivesse avançado alguns centímetros em um contra-ataque que terminou com o valenciano vencendo, mais uma vez, o “Dibu”.
O sofrimento viria na forma de jogadas de bola parada da Argentina cobradas por Messi; uma delas foi finalizada para fora por Giuliano Simeone, mesmo em posição favorável. Os segundos foram passando aos poucos até chegar ao 124º minuto de jogo, quando a festa espanhola explodiu no MetLife Stadium e em todas as praças e lares do país. Sim, o sonho americano de levantar a Copa do Mundo havia se tornado realidade. Ao fundo, a música “Superestrella”, de Aitana, ressoava alto no sistema de som.
FICHA TÉCNICA.
--RESULTADO: ESPANHA, 1 - ARGENTINA, 0. (0 a 0, no intervalo).
--ESCALAÇÕES:
ESPANHA: Unai Simón; Porro, Cubarsí, Laporte (Eric García, min. 99), Cucurella; Rodri (Zubimendi, min. 99), Fabián (Pedri, min. 62); Lamine Yamal, Olmo (Merino, min. 75), Baena (Nico Williams, min. 75); e Oyarzabal (Ferran, min. 62).
ARGENTINA: Martínez; Montiel (Molina, 58º min.), Romero (Medina, 70º min.), Lisandro (Otamendi, 44º min.), Tagliafico; De Paul (Simeone, 70º min.), Enzo, Mac Allister, Nico González (Paredes, 46º min.); Messi e Julián Álvarez (Senesi, 102º min.).
--GOLS:
1 a 0, min. 106, Ferran.
--ÁRBITRO: Slavko Vincic (SLV). Mostrou cartão amarelo para Lisandro (min. 40), Paredes (min. 52), Enzo (min. 82), Romero (90+2) e Mac Allister (min. 111) com cartão amarelo, e expulsou Enzo (90+3) e Leandro Paredes (120+6) pela Argentina.
--ESTÁDIO: MetLife Stadium, em Nova Jersey.
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