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MADRID 20 abr. (EUROPA PRESS) -
A ginasta brasileira Rebeca Andrade, campeã olímpica no solo em Paris 2024, destacou a coragem de sua rival na disciplina, a americana Simone Biles, uma "guerreira", depois de decidir abandonar os Jogos de Tóquio em 2021 devido a um bloqueio mental, porque deixar a competição olímpica "é muito difícil", já que elas se preparam para isso "a vida toda".
"Eu não sabia o que estava acontecendo na época, eu estava dormindo. Foi muito delicado para ela, mas ela era muito forte, era uma guerreira, acima de tudo, corajosa, deixar os Jogos é muito difícil, a gente se prepara para isso a vida inteira", disse o brasileiro em uma mesa redonda no Palácio de Cibeles, em Madri, como parte do Prêmio Laureus 2025.
Andrade, que ganhou quatro medalhas em Paris 2024 e estava acompanhado no evento pelo atleta sueco Mondo Duplantis e pela ex-ginasta Nadia Comaneci, destacou a "capacidade de superação" de Biles em Tóquio. "Se algo não sai como o esperado, é complicado, é muito complicado desistir, depois vêm os jornalistas, os torcedores, as perguntas...", comentou sobre a pressão sofrida pela americana.
"Não foi fácil, não posso dizer que já senti algo parecido, mas eu estava preocupada com ela e ela é uma atleta fantástica e uma pessoa fantástica e muito forte. Ela é uma inspiração para todos", acrescentou sobre sua maior rival.
Andrade venceu Biles pela primeira vez em Paris, ganhando a medalha de ouro no exercício de solo em uma imagem "histórica", com "três mulheres negras de diferentes países" no pódio. "Estar em um pódio olímpico me deixa muito orgulhosa. Ver minha equipe animada, minha bandeira, ouvir o hino, ainda me dá arrepios. Em meu país, eles me tratam como família, estou muito orgulhosa", disse ela.
A brasileira defendeu que sua maior inspiração é sua própria equipe de treinamento. "Não consigo pensar em uma única pessoa ou em um único atleta. Toda a minha vida tive que superar obstáculos, me inspiro nas meninas da minha equipe, aprendo todos os dias. Mesmo que eu tenha passado por alguns momentos difíceis, o fato é que elas acreditaram em mim, na pessoa que eu era. Todos os dias, quer eu tenha dúvidas ou dor, eu confio nelas, porque elas confiam em mim", disse ela.
"Comaneci é uma grande referência no esporte, não só para as ginastas. E eu também quero conhecer a Sabalenka, ela é muito talentosa, engraçada, carinhosa, divertida. É sempre muito bom poder admirar alguém e ver em outra pessoa características que você também tem", acrescentou ela sobre alguns de seus ídolos.
Por fim, Andrade relembrou suas lesões no ligamento cruzado, três em quatro anos, e confessou que na primeira vez, em junho de 2015, pensou em desistir da ginástica, mas sua família pediu que ela continuasse com seu sonho. "Eles me disseram que era medo, que não me deixariam desistir. E fizeram isso porque eu sabia que me arrependeria para o resto da vida", contou.
"Em 2019, quando sofri minha terceira lesão, tive um ataque de ansiedade. Encontrei uma força dentro de mim, foi quando descobri que precisava de ajuda, mas não a tinha. Percebi o quanto eu poderia ser forte mentalmente para deixar meu corpo na melhor forma, e meu treinador também foi um grande apoio", lembrou ela.
Ela também revelou um episódio importante em sua carreira na área mental, com sua melhor amiga. "Eu estava rezando, precisava de um abraço, ela estava dormindo, mas eu a abracei, ela abriu os olhos e me abraçou, foi o melhor abraço que já tive, e pensei em voltar, estava pronta para treinar. Eu acreditava em quem eu era, precisava de todas aquelas pessoas para obter resultados. 2019 foi um momento chave em minha vida, continuo forte", concluiu.
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